Fonte Boa Indígena defende seus direitos: Nenhum Retrocesso a Menos

Por Lígia Apel*

Os povos Kambeba, Miranha, Tikuna, Kaixana, Madjha kulina, Kukama, Mayouruna e Kanamari de 11 aldeias do Município de Fonte Boa, Amazonas, realizaram o Encontro de Liderança Indígenas de Fonte Boa, nos dias 04 e 05 de maio, na aldeia Santa Tereza do Mulato, Terra Indígena Martião.

O objetivo do encontro foi marcar presença dos indígenas de Fonte Boa nas manifestações nacionais contra os ataques aos direitos dos povos originários do Brasil. As políticas nacionais indigenistas estão sob forte ameaça pelo atual governo. É claro e forte o desrespeito e os desmontes das conquistas constitucionais que os povos alcançaram com a Constituição Federal de 1988.  Os governantes que assumiram o país pretendem integrar o índio à sociedade não indígena para roubar-lhes as terras e as riquezas dessas terras. A ganância está explícita nas declarações do presidente Jair Bolsonaro: “vocês têm bastante terra, vamos usar essas terras. Há trilhões de dólares embaixo da terra”, disse, em live realizada no mês de abril, dias antes da realização do Acampamento Terra Livre, em Brasília.

Com esse pronunciamento, o presidente declara guerra aos povos originários, pois não entende que índio quer terra para viver e não se integrar à ganância que explora e mata. Diante de tanto desrespeito pela vida, os povos originários levantam sua voz: “é tempo de luta e resistência, nem um direito a menos, nem uma gota de sangue indígena”, bradam as vozes indígenas pelo país. Também em Fonte Boa.

Após o encontro que gerou debates e esclareceu os riscos que enfrentam, as lideranças indígenas organizaram uma Marcha, que seguiu pelas ruas de Fonte Boa, saindo da orla da praça central e passando pela Secretaria Municipal de Educação, Câmara de Vereadores e Fórum de Justiça.

O ato de resistência, protagonizado pelas lideranças e representado pelo Tuxaua da aldeia Santa Tereza do Mulato, José de Jesus Gomes de Freitas, teve seu grito de guerra: “Na Defesa e garantia de nossos diretos, não aceitamos retrocesso. Nenhum direito a menos!”.

A manifestação contou com a presença das lideranças indígenas dos municípios de Tefé, Uarini e Japurá, Coordenação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (COIPAM), União dos Povos Indígenas da Região do Médio Rio Solimões e Afluentes e Articulação Indígena da Cidade de Tefé.

Ao final da caminhada foram realizadas apresentações culturais com danças, pintura corporal, grafismos indígenas e venda de artesanato, em demonstrações que valorizaram os modos de vida indígena.

As principais reivindicações dos povos indígenas de Fonte Boa são:

  • Que a FUNAI volte para basta do Ministério da Justiça;
  • Que os povos tenham autonomia na condução de suas vidas;
  • Que os povos indígenas sejam tratados com respeito, como cidadãos brasileiros que são;
  • Que sejam realizadas as demarcações das Terras Indígenas dos municípios de Fonte Boa, Tefé e Uarini;
  • Que o poder público invista mais no setor primário nos municípios de Tefé, Fonte Boa, Uarini e Japurá;
  • Que a categoria do professor indígena e bilíngue seja reconhecida;
  • Que as aldeias que ainda estão fora do Sistema de Saúde Indígena sejam incluídas imediatamente no Sistema SESAI, SIASI/DSEI-MRSA;
  • Que a FUNAI reconheça as aldeias que estão se organizando e passe a garantir os direitos sociais e previdenciários, como auxílio maternidade, aposentadoria e auxílio às pacientes com doenças típicas das rurais;
  • Que os professores indígenas tenham salários dignos da categoria:
  • NÃO Á REFORMA DA PREVIDÊNCIA!!

*com informações de Edvaldo Silva Pacaia Kambeba, 1º Coordenador da Articulação Indígena da Cidade de Tefé.

Imagem: Caminhada indígena que aconteceu em Fonte Boa, 400 Km de Tefé, (AM) – Enviada por Ligia Apel.

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