Prestes a perder 40% dos pesquisadores, Fiocruz pressiona por 29 contratações

Fundação Oswaldo Cruz tem urgência na reposição de profissionais porque mais de 2 mil devem se aposentar nos próximos cinco anos. Diante da nova onda de dengue no país, a Fundação quer autorização dos ministérios da Saúde e da Economia para nomear mais 29 especialistas aprovados num concurso de 2016. O prazo termina no mês que vem.

Por Bárbara Souza, na CBN

Enquanto a dengue e a chikungunya avançam, a Fiocruz pressiona o Governo Federal pela contratação de 29 pesquisadores. O prazo para a nomeação já termina no mês que vem, mas ainda depende de uma autorização dos ministérios da Saúde e da Economia. A situação preocupa porque a Fundação Oswaldo Cruz estima perder força de trabalho nos próximos cinco anos: 40 por cento dos servidores devem se aposentar. Somente em abril, a Fiocruz foi autorizada a nomear 119 servidores aprovados num concurso de 2016. Dessas vagas, 58 são de especialistas, profissionais que atuam diretamente nas pesquisas.

Por lei, além do número de vagas previsto inicialmente, é possível convocar mais 50% desse total enquanto o concurso tiver validade. Esse prazo expira no dia 13 de junho, por isso a Fiocruz tem pressa. A Fundação não quer que se repita o que aconteceu com as 61 vagas de técnicos: o concurso perdeu a validade e não possível acrescentar os servidores extras. A vice-presidente da Associação dos Servidores da Fiocruz, Mychelle Alves, diz que as pesquisas sobre dengue, zika e chikungunya correm risco.

‘Nós precisamos cada vez mais ampliar a entrega de demandas da população brasileira. Nós vivemos com problemas de emergências sanitárias, como dengue, zika, chikungunya, febre amarela e a retomada do sarampo. Por isso, é urgente e necessário aumentar a capacidade de pesquisa sobre essas questões que atingem a saúde pública brasileira.’

Mesmo que esses 29 pesquisadores sejam chamados, a escassez de recursos humanos não será resolvida. Segundo a Fiocruz, entre 2016 e 2017 houve um aumento de 83,3% nas aposentadorias, passando de 90 para 165 servidores que pararam de trabalhar. Em 2018, esse total subiu e chegou a 414. A projeção para os próximos cinco anos é de que mais 714 servidores estejam aptos a se aposentar, totalizando mais de 2 mil servidores prontos para deixar os laboratórios da Fiocruz. Preocupado, o professor da UFF e doutor em Saúde Coletiva Túlio Batista Franco lembra que a instituição é responsável também pela produção de vacinas. 

‘O Brasil é excelências em várias áreas do controle de doenças infectocontagiosas e a Fiocruz é o centro importantíssimo de pesquisa na área e de produção de vacinas. Esse é um recurso que o povo brasileiro não pode perder em hipótese nenhum. Essa inteligência, patrimônio de conhecimento, se aposenta e tem que ser reposto’.

Um levantamento do Ministério da Saúde divulgado em abril mostrou que 994 municípios apresentam alto risco de surto para as doenças dengue, zika e chikungunya neste ano. Procurado pela CBN, o Ministério da Economia disse que não comenta processos em andamento. O Ministério da Saúde não se pronunciou.

Imagem: Fiocruz possui 50 laboratórios e departamentos considerados centros de referência nacional ou internacional. FOTO: Itamar Crispim/Fiocruz

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Isabel Carmi Trajber.

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