Reforma Agrária integral e popular será tema central do VII Congresso da CLOC – Via Campesina

A Coordenadoria Latino-americana de Organizações Camponesas (CLOC – Via Campesina), que em seus 25 anos de história criou uma articulação continental de organizações do campo, de camponesas e camponeses, povos originários, pescadores e pescadoras artesanais, povos afrodescendentes, trabalhadores e trabalhadoras assalariados, mulheres e jovens, realizará de 25 a 30 de junho desse ano, seu VII Congresso Continental, na Escola Niceto Pérez, no município de Güira de Melena, em Artemisa, Cuba.

Por Iridiani Graciele Seibert (Movimiento de Mujeres Campesinas) e Jaime Amorim (MST)*

É um momento histórico que será animado pelo espírito e força do povo revolucionário, corajoso e heroico, que difunde o imenso misticismo e vigor revolucionário desta pequena ilha, que tem sido e continua a ser a luz da esperança e da utopia para os povos da América Latina e do Caribe, e por que não dizer para o mundo. Além disso, este ano a Revolução Cubana celebra seu 60º aniversário, demonstrando ao mundo que é possível construir o socialismo, uma nova sociedade, de novas mulheres e homens, uma sociedade de igualdade entre todos, de justiça e de direitos para todos, de dignidade para a vida humana, de novos valores, de solidariedade e de muita organização popular e poder popular, que emana do povo.

O VII Congresso contará com a participação de toda a diversidade de organizações e povos que fazem parte deste grande movimento camponês na América Latina e Caribe, e também com delegadas e delegados de todas as regiões onde a Via Campesina Internacional está organizada, além de convidados e convidadas de organizações parceiras. Estão sendo esperados para esse momento, 450 delegados, delegadas, e lideranças, de 85 organizações camponesas, de povos originários, de pescadores e pescadoras artesanais, de trabalhadores e trabalhadoras rurais de 21 países da América do Sul, América Central e Caribe, que levarão suas experiências de luta, organização, produção e construção de pensamento político, que possam contribuir para o avanço na unidade política e organizativa da CLOC/VC.

Fazem parte desse VII Congresso, a V Assembleia dos Jovens, que terá como tema “Juventude do campo e da cidade constroem o poder popular” e será realizada no dia 25 de junho, e a VI Assembleia das Mulheres, que será realizada logo em seguida, no dia 26, e terá como tema “Com feminismo construimos o socialismo”. Ambos os espaços, reivindicados e construídos por esses sujeitos de luta, são para o diálogo e construção de estratégias próprias de luta, tanto para os jovens quanto para as mulheres, mas principalmente, são espaços que dialogam e apresentam, a partir de suas necessidades específicas, contribuições importantes que qualificam e fazem progredir o pensamento político e a luta dos movimentos camponeses, a partir da formação de espaços mais democráticos, participativos e igualitários, com a participação efetiva de mulheres e jovens.

No dia 27 de junho, será realizado um momento de intercâmbio para os delegados e delegadas, com a apresentação de experiências de produção em cooperativas da Associação de Pequenos Agricultores de Cuba (ANAP), para que todos e todas possam conhecer os processos de organização e produção camponesa e agroecológicas, bem como de organização política, que também são desenvolvidos neste espaço e em todos os espaços da vida social, comunitária, cultural e produtiva dos cubanos e cubanas. De 28 a 30 de junho, será realizado, então, o VII Congresso da CLOC / VC, que terá como lema “Desde o território: unidade, luta e resistência, pelo socialismo e soberania dos povos”. Lema esse que expressa os objetivos centrais desse VII Congresso, que são: aprofundar a unidade entre as organizações camponesas, indígenas e afrodescendentes do continente latino-americano; reafirmar a luta dos povos camponeses contra o modelo agroexportador do capitalismo para o campo e defender a soberania alimentar, como proposta política das organizações camponesas para promover a dignidade, justiça, autodeterminação e vida no campo.

Eixos de debate

O tema da “unidade” será abordado a partir da perspectiva de seu fortalecimento em todos os níveis, continental, nacional e local, já que é um elemento essencial para resistir ao ataque do neoliberalismo sobre o continente. Unidade, essa, que deve ser construída sobre bases sólidas e duradouras, na prática e na ação política, assim como nas lutas cotidianas, para que se promova, de fato, uma aliança profunda da classe trabalhadora frente aos grandes desafios postos pela história, e que, assim, os povos do campo e da cidade possam se colocar de pé para enfrentá-los.

Refirma-se no nosso horizonte o socialismo como uma nova sociedade que ansiamos para todas e todos, e que a partir dos territórios e lutas cotidianas dos povos do campo, contribuímos para a sua construção. Neste momento histórico que vive o continente, reafirmar o socialismo pressupõe defender a soberania e autodeterminação dos povos, em que cada povo possa ser soberano sobre seu país, território, seus bens naturais e sobre os rumos políticos, econômicos e sociais a seguir.

A Reforma Agrária Integral e Popular será outro eixo central do Congresso: uma bandeira histórica da CLOC/VC que se faz tão urgente e necessária no momento atual, em que o capitalismo internacional coloca seus olhos e interesses sobre as terras, territórios e bens naturais do continente, a fim de resolver suas crises financeiras. A terra e o território para os camponeses e camponesas, povos originários e afrodescendentes são espaços de vida, de trabalho, de produção de alimentos para gerar soberania alimentar através da agroecologia. Este eixo será desenvolvido em um momento especial de comemoração para as camponesas e os camponeses cubanos, que são os 60 anos da assinatura da Lei da Reforma Agrária Popular, comemorado no dia 17 de maio último.

A compreensão do campesinato e seu papel histórico neste contexto político, social e econômico da América Latina e do Caribe, e as contribuições a partir das cosmovisões de mundo dos povos originários e populações negras da defesa dos territórios, dos bens comuns, da Mãe Terra e na construção de uma sociedade de Bem Viver, serão retomados e aprofundados no Congresso.

O outro eixo a ser abordado com maior profundidade, a partir da Assembleia Continental das Mulheres, será o Feminismo Camponês e Popular, que é um dos processos políticos, formativos e organizativos acumulados pelas mulheres camponesas, indígenas e negras da CLOC, e que apresenta as contribuições das mulheres rurais para a luta camponesa e para a construção de uma sociedade socialista, na qual mulheres e homens caminhem lado a lado, em pé de igualdade, sem violência ou discriminação.

Esse VII Congresso da CLOC-VC, em plena terra de Martí, de Fidel, de Vilma Espín, de Haydee Santa María e de milhões de cubanas e cubanos, que acreditam e constroem o socialismo, convoca os povos do campo da América Latina e do Caribe para que continuem lutando pela emancipação e soberania dos povos, desenvolvendo novas lutas diante dos novos desafios, porque a história nos ensina que os povos não se entregam frente as adversidades, eles se rebelam, resistem e vencem.

A partir do território, unidade, luta e resistência!

Pelo socialismo e soberania de nossos povos!

Tradução: Cristiane Passos – CPT

*Publicado na Revista ALAI

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