Livro sobre a luta pelo banimento do amianto no Brasil será lançado na Alerj, sexta-feira (28/6)

Por Tania Malheiros, em seu blog

O livro “Eternidade – A Construção Social do Banimento do Amianto no Brasil”, da jornalista Marina Moura, será lançado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na próxima sexta-feira (28/6). A obra tem prefácio da premiada jornalista, escritora e documentarista Eliane Brum, e coordenação da ex-auditora-fiscal do Ministério do Trabalho, Fernanda Giannasi, com prêmios no Brasil e exterior. O lançamento acontece durante audiência pública “Cumpra-se, o banimento do amianto no Brasil”, presidida pelo deputado Carlos Minc, que será iniciada às 13h30, na sala 311.

O uso definitivo do amianto foi proibido no Brasil pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2017. “Foi uma vitória histórica para fortalecer a luta dos trabalhadores contaminados e os que ainda estão vinculados às empresas que manipulam ou utilizam materiais contendo o cancerígeno amianto/asbesto”, destaca o parlamentar. Ele informa que um dos objetivos da audiência é identificar os principais impasses e desafios para o cumprimento da lei nº 3579/01, de sua autoria, bem como identificar as empresas que ainda não estão cumprindo a legislação, com a ajuda da Associalão Brasileira dos Expostos ap Amianto (Abrea)”. 

A obra narra a construção social do banimento do amianto no Brasil a partir do próprio movimento social, que foi se constituindo à medida em que as vítimas da “catástrofe sanitária do século XX” foram se tornando visíveis e diagnosticadas corretamente, após um longo período de silêncio epidemiológico, subnotificação e omissão tanto da parte das instituições governamentais, como das ligadas aos empresários. “Ao longo de décadas, quanto mais esclarecimentos sobre os males derivados da exposição ao amianto se faziam conhecidos e eram divulgados, mais as vozes dos expostos cresciam, até formarem coro”, explica a autora do livro. “Começaram então a aparecer as pessoas por trás das vozes, cada vez mais engajadas em associações de combate ao amianto que, a partir dos anos 90, foram surgindo por todo país”, conta. 

Com linguagem jornalística-literária, o livro “Eternidade” dá voz às vítimas sob uma perspectiva coletiva, captada a partir da criação da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea), em Osasco (SP), no ano de 1995, e que foram se ampliando em diversos estados brasileiros. Como afirma Eliane Brum em seu prefácio: “este livro é para que os mortos permaneçam vivos, para que os vivos tenham paz. Para que o Brasil não esqueça o que sequer é capaz de lembrar”. 

O livro é uma iniciativa da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea), com apoio do Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (Diesat), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Secretariado Internacional do Banimento do Amianto (IBAS). A publicação é uma produção da WHIZZ Comunicação Criativa com a coedição da Machado Editorial e da Amarelo-Grão.

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Fernanda Giannasi

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