Corregedor-Nacional de Justiça diz que procuradores da “lava jato” passaram dos limites

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O Corregedor-Nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, afirmou que os procuradores da “lava jato” passaram dos limites ao envolver seu nome em supostos anexos da delação premiada do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, para impedir que fosse nomeado ao Supremo Tribunal Federal após a morte de Teori Zavascki em 2017.

A declaração de Martins foi uma resposta às mais recentes mensagens de procuradores da “lava jato” divulgadas pelo site The Intercept Brasil e pela Folha de S.Paulo. Em conversa de janeiro de 2017, o procurador Deltan Dallagnol, disse ao chefe de gabinete da Procuradoria-Geral da República, Eduardo Pellela, que o então presidente Michel Temer deveria ser informado sobre “a questão do Humberto Martins, que é mencionado na OAS como recebendo propina”.

Dallagnol disse que checaria os anexos apresentados pela defesa de Léo Pinheiro para ter certeza da citação ao ministro. Horas depois, retomou a conversa com Pellela e disse que a menção a Martins não estava nos documentos, que seriam entregues posteriormente. “Só não lembramos se era corrupção ou filho. Vou ver se alguém lembra e qualquer coisa aviso, mas já cabe a ponderação (ao presidente Temer sobre eventual nomeação de Martins), porque seria incompatível”.

Ao rebater as mensagens de Dallagnol, o corregedor-nacional afirmou ter tomado inúmeras decisões contrárias aos interesses da OAS no Superior Tribunal de Justiça. “Mesmo assim, os procuradores, segundo relatos, buscaram incluir o meu nome, conforme divulgado. Tempos difíceis! Passaram de todos os limites”, afirmou. 

Ele também criticou o que chamou de “objetivo dos procuradores da República de impedirem junto ao presidente a indicação para o STF” e disse ainda que “a verdade sempre vence a mentira”.

Corregedor-Nacional de Justiça, ministro Humberto Martins. Foto: Luiz Silveira /Agência CNJ

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