Chuva que escureceu SP tinha fuligem tóxica de queimadas, mostra análise da USP

Mostras da água contêm reteno, substância que causa danos ao DNA e pode levar à morte de células pulmonares

Redação Brasil de Fato

Pesquisadores do Instituto de Química da USP estão analisando a água da chuva que atingiu São Paulo na segunda-feira (19) – que escureceu o céu da cidade no meio da tarde – e já concluíram preliminarmente que ela veio carregada de material tóxico oriundo de queimadas.

“Achamos um composto que é encontrado só em queimadas, na queima de biomassa. Esse composto não é emitido em esquema de emissões industriais e não é emitido em emissões de carro. E nós o encontramos. É um composto chamado reteno”, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo a doutora em química e professora Pérola de Castro Vasconcellos, responsável pela análise do material na Universidade.

Segundo outro estudo da USP, publicado na revista Scientific Reports em 2017, a exposição ao reteno em altas concentrações pode provocar danos ao DNA e morte de células pulmonares – agravando problemas respiratórios e levando a doenças graves, como enfisema pulmonar.

Desde segunda-feira, os institutos de meteorologia vêm associando a escuridão que se abateu sobre São Paulo à mistura de nuvens de chuva a fumaça de queimadas nas regiões do Pantanal e da Amazônia, trazidas por ventos intensos de noroeste. Além do céu, água também escureceu e tinha “forte cheiro de queimado”, conforme diversos relatos de moradores da cidade.

São amostras dessa água “cor de café” que os pesquisadores estão analisando.

“Tudo isso é fuligem de queimada, a composição é hipercomplexa e [a amostra] está cheia de coisas”, afirma Marcos Buckeridge, diretor do Instituto de Biociências da USP.

“Toda essa fumaça ficou capturada na nuvem e coincidiu com a chuva, havendo uma poluição dessa água. Tudo isso foi para os rios, ou seja, a gente poluiu os rios com esse material”, conclui o pesquisador também em entrevista à Folha.

O estudo completo sobre as amostras coletadas deve ficar pronto em 30 dias.

Edição: João Paulo Soares.

Imagem captada por satélite da Nasa mostra grande concentração de fumaça nas regiões Centro-Oeste e Norte do país / Divulgação | Nasa

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