Vale age com descaso e pressiona justiça para retirar direitos dos atingidos em Dia de Luta

Atingidos e atingidas pelo crime da Vale na bacia do rio Paraopeba realizaram ontem (21) o maior ato desde o crime em Brumadinho, com 2000 pessoas em marcha pela capital mineira. 

No Mab

O dia começou com uma audiência pública na Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em uma reunião extraordinária da Comissão de Direitos Humanos, convocada pela deputada Beatriz Cerqueira. As famílias presentes tiveram a oportunidade de denunciar as violações de direitos que sofrem diariamente desde o rompimento da Barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho, no dia 25 de janeiro deste ano. 

Após o almoço, os 2000 atingidos e atingidas realizaram uma marcha pelas ruas da capital mineira em direção ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), onde houve uma audiência com o juiz da 6° Vara, o Ministério Público, a Defensoria Pública de Minas Gerais e a mineradora Vale. 

Na audiência, a multinacional mais uma vez demonstrou o descaso com que trata as vítimas do crime e foi irredutível defendendo o fim do Auxílio Emergencial para a maioria dos atingidos, direito adquirido com luta em fevereiro deste ano. 

“A vale apresentou uma proposta vergonhosa hoje. Ela só reconhece como atingido que tem direito ao auxílio emergencial quem a lama chegou no leito do rio. É um absurdo a proposta da Vale e ela não foi aceita nem pelo juiz e nem pelas outras instâncias da justiça” afirmou Joceli Andreoli, militante do MAB. 

O juiz da 6° Vara marcou para a próxima quinta-feira, dia 28, a nova data para discussão do Auxílio Emergencial. A audiência também definirá sobre a contratação das Assessorias Técnicas na bacia do rio Paraopeba, reivindicação urgente dos atingidos. 

De acordo com Joceli, as pautas e propostas para a próxima decisão, no dia 28, ficou em manter o auxílio emergencial por mais oito meses até que um novo critério de atingido seja feito. Esse critério foi “de acordo com a última pesquisa do IBGE, onde a renda média da população é de 2500 reais por mês, sendo assim, os mais pobres continuariam ganhando o auxílio. Até lá a Assessoria Técnica entra para formular esse critério junto com o povo”. Ainda de acordo com o Joceli, esse direito continuaria até a reparação definitiva e integral de todos os danos aos atingidos. “A proposta é não ter tempo de conclusão até a reparação definitiva” afirmou, “isso tudo junto com a Assessoria Técnica. Até lá, esses oito meses continuam com os mesmos critérios geográficos” concluiu. 

O promotor de justiça André Sperling parabenizou a luta dos atingidos e afirmou a força e o poder que ela tem, ao se dizer “emocionado de estar vendo o povo na luta. A presença de todos aqui fez a diferença hoje. Estávamos ouvindo as testemunhas lá e com a presença de vocês o juiz mudou o rumo da audiência” animou. Para o promotor, nós não teríamos conquistado tudo que os atingidos conquistaram se não fosse a organização e a luta do MAB.  

André ainda afirmou que “a Vale tem que parar de se fazer de vítima sendo que foram eles quem mataram 272 pessoas. Foram eles que mataram pessoas, que mataram o rio e que mataram o modo de vida de vocês. Eles se aproveitam do povo todos os dias e agora são eles as vitimas?” indagou. 

Em assembleia após o fim da audiência judicial, os atingidos definiram ampliar a organização e fortalecer a luta, com mais famílias e comunidades na próxima quinta-feira. As dezenas de municípios e comunidades presentes hoje seguem mobilizadas e avisam que estão aqui para lutar pelos seus direitos.

Viva a luta dos atingidos!

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