Para Guedes, críticas por escalada recorde de queimadas e ataques contra Povos Indígenas são “exagero”

ClimaInfo

Em evento virtual com investidores e empresários norte-americanos, o ministro da economia reclamou das críticas à explosão dos incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal e os sucessivos ataques sofridos pelos Povos Indígenas brasileiros nos últimos meses. Para Paulo Guedes, as justas críticas que o governo federal vem sofrendo por conta dessas situações seriam um “exagero” e serviriam para promover a narrativa dos “perdedores da eleição”. Ele ainda defendeu o uso das Forças Armadas em ações de combate ao desmatamento e às queimadas na Amazônia, retrucando com uma frase “curiosa”, por falta de um termo mais educado. “Preservamos os índios, demos 14% do território para menos de 0,5% da população”. “Demos” quem, cara pálida?

Estadão e O Globo repercutiram o falatório do ministro.

Enquanto Guedes finge que o Brasil de 2020 não existe, a Terra Indígena Ituna-Itatá, localizada a região do Xingu (PA), sofre com a pressão de grileiros e desmatadores. Como mostra a Deutsche Welle, essa foi a TI mais desmatada na Amazônia em 2019 e, neste ano, concentrou mais de 600 focos de calor – mais da metade deles apenas na 1ª quinzena de outubro, com o avanço da fronteira de desmate.

Em tempo: Comentando sobre o caso de espionagem de negociadores e ambientalistas brasileiros na Conferência da ONU sobre Clima de Madri (COP 25), Míriam Leitão ressaltou o uso do Estado brasileiro não para incluir o país nas discussões internacionais e promover seus interesses de maneira honesta nessa agenda, mas para perseguir “maus brasileiros”. “Isso é o uso do Estado para ameaçar a liberdade de expressão, opinião, a movimentação da sociedade, é uso indevido do Estado. Quem já viu uma ditadura sabe exatamente o que é isso”, escreveu.

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