Pará tem 8 das 10 unidades de conservação mais desmatadas da Amazônia

Por Marcos Furtado,  O Eco

Oito unidades de conservação do Pará ficaram entre as 10 mais desmatadas da Amazônia, no mês de setembro. Os dados são do Deter, sistema do INPE que faz o monitoramento sobre as alterações na cobertura florestal. Dos 964,45 km² desmatados na Amazônia Legal, quase a metade, mais de 44% (425,99 km²), pertence ao estado. O território paraense aparece no topo da lista de maneira consecutiva desde maio.

Fonte: Dados do Deter para o período 1º a 30 de setembro de 2020/INPE

De acordo com o monitoramento, a unidade que lidera o ranking da perda florestal é a Floresta Nacional do Jamanxim, com 13,68 km² do seu território desmatado apenas entre os dias 1º e 30 de setembro. Na sequência aparecem a Área de Proteção Ambiental do Tapajós (8,5 km²), a Reserva Extrativista Chico Mendes (6,38 km²), a Floresta Nacional de Altamira (4,55 km²) e a Estação Ecológica da Terra do Meio (2,17 km²). Das 5 unidades de conservação com maiores índices de desmatamento, apenas uma — a Resex Chico Mendes, no Acre — não fica no Pará.

Entre os municípios com as maiores áreas de desmatamento, o Pará também aparece na liderança, com São Félix do Xingú. A cidade registrou um total de 70,25 km² de área desmatada. Altamira e Itaituba são outras cidades paraenses que aparecem entre as 5 que mais desmataram em setembro, com 53,12 km² e 28,38 km², na terceira e quinta posição da lista, respectivamente. No total, sete dos dez municípios que lideraram o desmatamento estão no estado.

Na análise geral entre os estados, Mato Grosso é o segundo do ranking, com 183,7 km² de área florestal perdida. O município de Colniza, localizado no noroeste do estado, registrou 25,23 km², o sexto com a maior extensão de desmatamento do mês passado. Em terceiro lugar está Rondônia, com 156,91 km², sendo a capital do estado, Porto Velho, a segunda cidade mais desmatada da Amazônia em setembro, com 68,75 km² desmatados.

Na sequência estão ainda: o Amazonas (117,78 km²), o Acre (37,6 km²), Roraima (27,63 km²), Maranhão (11,69 km²), Tocantins (2,64 km²) e Amapá (0,51km²).

Com dados públicos, o Deter identifica as mudanças no padrão da cobertura florestal e emite alertas quase em tempo real para apoiar ações de fiscalização no campo de crimes ambientais. No último ano do desmatamento, que foi de agosto de 2019 até julho de 2020, o levantamento registrou um total de 9.215,88 km² desmatados na Amazônia. Um aumento de mais de 34% comparado ao mesmo período do ano anterior (2018/2019), quando foram registrados 6.844 km² de áreas desmatadas.

O último ano de desmatamento foi o maior da série histórica do Deter, que começa entre agosto de 2015 e julho de 2016, quando foram registrados 5.377,08 km² de área desmatada.

Os dois primeiros meses (agosto e setembro) do novo ano de desmatamento (2020/2021) já registraram 2.323.23 km² desmatados. É o segundo maior bimestre inicial da série histórica, atrás apenas do período anterior, agosto e setembro de 2019, quando foram registrados 3.167,96 km².

Foto: Divulgação/ Ibama

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