Com viagem de embaixadores à Amazônia e campanha publicitária, governo Bolsonaro prepara “guerra de narrativas”

ClimaInfo

Incapaz de conter a devastação ambiental, o governo federal preferiu investir em publicidade para responder à pressão internacional contra o desmatamento e as queimadas na Amazônia. A 1ª ação será a visita de embaixadores europeus à região amazônica, prevista para acontecer nesta semana. Encabeçada por Mourão, a delegação passará por Manaus, São Gabriel da Cachoeira e Maturacá, no Amazonas – nenhuma delas no arco do desmatamento. Para aplacar as críticas da Europa, a ideia do Palácio do Planalto é mostrar aos diplomatas as ações empreendidas pelo governo para a proteção na floresta. Já os embaixadores pretendem aproveitar a viagem para ampliar o diálogo não apenas com o governo federal, mas também com atores da sociedade civil e autoridades estaduais e municipais. Nesse sentido, representantes da União Europeia participaram na última 6ª feira (30/10) de uma videoconferência com entidades ambientalistas e indígenas, segundo o G1.

Ao mesmo tempo, o governo iniciou na semana passada uma campanha publicitária nas redes sociais com o propósito de defender a atuação da gestão Bolsonaro para a Amazônia e questionar “interesses que nem sempre são claros” e que estariam por trás da divulgação de informações “irresponsáveis”. A ofensiva publicitária do governo foi destacada pelos EstadãoFolhaValor e Reuters.

Em tempo 1: Curiosamente, enquanto tenta recuperar sua imagem ambiental no exterior, o governo Bolsonaro está com sérios problemas dentro do Brasil. De acordo com pesquisa Datafolha contratada pelo Greenpeace Brasil, 46% dos brasileiros considera a resposta do presidente contra o desmatamento como ruim ou péssima. A pesquisa indica também que a maioria dos brasileiros (87%) considera muito importante preservar a Amazônia e 93% afirmam ser possível proteger a floresta e incentivar o desenvolvimento econômico sem derrubá-la. O Fantástico e a Folha deram mais detalhes.

Em tempo 2: O artigo de João Paulo R. Capobianco na Folha é a melhor resposta possível aos devaneios, platitudes e, em bom português, às mentiras de Ricardo Salles. Ponto a ponto, ele desmontou o texto publicado pelo ministro no mesmo jornal na semana passada. “Pressionado por todos os lados para deixar o governo, seu objetivo foi esconder, sob alguns milhares de caracteres, a única e cristalina verdade: ser o pior ministro de Meio Ambiente que o Brasil já teve”, escreveu.

Imagem: Bolsonaro e o incêndio na floresta amazônica. Montagem Revista Fórum

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