Nenhuma Vida Negra a menos: nota sobre o assassinato de João Alberto Silveira Freitas

Em Terra de Direitos

O Racismo mata todos os dias. Nesta quinta-feira (19), dia anterior ao Dia Nacional da Consciência Negra, João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, foi espancado – sem nenhuma possibilidade de defesa – por dois homens até a morte em uma das unidades da rede de supermercados Carrefour, em Porto Alegre (RS). Os dois homens tratam-se de um policial militar e outro, um segurança privado da loja.  A cena de violência foi filmada até a morte de João Alberto, sem que ninguém se aproximasse dos agressores. 

A Rede de Supermercados acumula vários casos de racismo, como o espancamento de Januário Alves de Santana por seguranças de uma das unidades em Osasco (SP), em 2009, ao ser “confundido com um ladrão”. Em 2018 também seguranças da unidade de São Bernardo (SP) espancaram Luís Carlos Gomes por ele ter consumido um produto dentro das instalações do mercado, entre outros casos ocorridos no interior das lojas. Em comum, as graves violências – expressa com a mais alta violência nesta quinta-feira – demonstram a prática sistemática de racismo não somente do Carrefour, mas da sociedade em geral, onde a violência, o silenciamento e a certeza de impunidade substituem qualquer ação de  enfrentamento a este grave crime.

Nesta sexta-feira o vice-presidente Hamilton Mourão, ao ser perguntado sobre o assassinato, insistiu em negar o racismo no Brasil. A manifestação do vice-presidente vai ao encontro de outras proferidas por autoridades públicas e pelo próprio presidente da república. Além de negarem a existência do racismo, ampliam e legitimam a  disseminação do ódio contra a população negra, contribuindo com a criação de um ambiente político ainda mais hostil e violento para essa população.

A Terra de Direitos manifesta intensa solidariedade à família de João Alberto e às vidas negras ceifadas pela violência racial e se compromete a somar nas iniciativas de cobrança de responsabilidade da rede Carrefour, da empresa de segurança contratada do Grupo Vector, dos próprios órgãos públicos responsáveis pela certificação das atividade de segurança privada, além dos órgãos de justiça e do Estado brasileiro em cumprir o seu papel no enfrentamento ao racismo. 

#VidasNegrasImportam

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