Em Atalaia (AL), famílias acampadas protestam contra ameaças da prefeitura

Ação acontece na manhã de hoje (22) na BR 316, em denúncia às ameaças sofridas pela atual gestão da prefeitura municipal

Da Página do MST

As 120 famílias do acampamento Marielle Franco, em Atalaia, Zona da Mata de Alagoas, bloqueiam na manhã de hoje (22) trecho da BR 316 em denúncia às ameaças sofridas pela atual gestão da prefeitura municipal.

Com faixas, cartazes e palavras de ordem, as famílias acampadas apontam a prefeitura do município como responsável pela falta de abastecimento de água na área, que está há mais de 20 dias sem receber caminhão pipa para consumo e manutenção das atividades no território.

“A falta da água na comunidade, além de um verdadeiro atentado à saúde e a vida das famílias que vivem aqui, faz parte ainda da agenda da gestão municipal que já declarou a intenção de retirar as famílias da área, despejando homens, mulheres e crianças do acampamento em que produzem e constroem sua vida”, destacou Margarida da Silva, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

No último dia 12, o MST lançou uma nota em repúdio a postura e ameaça de despejo das famílias por parte da nova gestão da prefeitura de Atalaia que, sob comando da prefeita Ceci Rocha (PSC), veiculou nas redes sociais um Boletim de Ocorrência com o pedido de retirada das famílias do acampamento.

“Lamentamos que a nova gestão da prefeitura de Atalaia, que apresenta em seu discurso a perspectiva de mudança, reproduza o que historicamente marca a cidade de Atalaia com suas oligarquias latifundiárias, que em seu permanente discurso de violência, constituiu uma trajetória de perseguição e criminalização dos trabalhadores e trabalhadoras do campo”, destacou trecho do documento.

Ainda de acordo com a nota veiculada pelo Movimento, a prefeitura havia se comprometido com a inclusão do Acampamento Marielle Franco como parte estratégia da construção dos 100 primeiros dias de gestão, impulsionando o desenvolvimento da agricultura no município.

“A prefeita que se elegeu com o discurso da nova política, do acolhimento e da mudança, acaba reproduzindo a lógica que marca a história de Atalaia ao assumir a gestão municipal”, comentou Margarida. “Além de ignorar o papel e a importância da Reforma Agrária para o desenvolvimento de Atalaia, a posição da prefeitura reforça da maneira mais cruel a perseguição aos camponeses e camponesas”.

Histórico do acampamento Marielle

As ameaças aos acampados e acampadas do Marielle Franco têm sido recorrentes no último período. Desde ações de supostos arrendatários da fazenda à gestão da prefeitura municipal, o território segue em permanente defesa e resistência para que se consolide como espaço de produção de alimentos saudáveis e vida digna em Atalaia.

A área que faz parte da Fazenda Imburi, pertencente a massa falida das terras do empresário e ex-deputado federal João Lyra (PSD), que mantinha o terreno abandonado e sem nenhum uso.

Parte das famílias acampadas são antigos trabalhadores e trabalhadoras da Usina do Grupo João Lyra, que já foi considerado um dos deputados federais mais ricos do país, no comando de cinco usinas de cana-de-açúcar em Alagoas e em Minas Gerais. Hoje, João Lyra conta com quase 300 ações judiciais que, em sua maioria, são frutos de ações trabalhistas.

Nas redes sociais, apoiadores e parceiros do MST iniciam a partir de hoje a campanha permanente #AcampamentoMarielleResiste, em defesa do acampamento e das famílias de agricultores e agricultoras que vivem na área.

*Editado por Fernanda Alcântara

Foto: Julia Araujo/Levante Popular da Juventude

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