Convidado do Roda Viva especial do dia do Índio fez duras críticas ao atual modelo da sociedade e a falta de prioridades nos investimentos
Da Redação Fundação Padre Anchieta
O Roda Viva desta segunda-feira (19) recebe o ambientalista e escritor Ailton Krenak. O articulador indígena Denilson Baniwa perguntou sobre o que a natureza pode ensinar para essa nova geração, que “pensam que o leite vem da caixinha de supermercado”. Para Krenak, é muito difícil ensinar isso a uma sociedade que já está acostumada ao sistema fordismo, onde tudo pode ser fabricado e os processos não são tão importantes.
“É o mundo da mercadoria. Um mundo mágico que faz aparecer água na torneira, leite na caixinha e coisas na gôndola. É o pensamento mágico do mundo capitalista. Ele é tão maravilhoso quanto o pensamento de um xamã. No pensamento mágico de um escravo do capitalismo, ele acha que o capitalismo pode acabar com o mundo e criar outro”, criticou o escritor.
A consequência do capitalismo e desse sistema fordista, segundo ele, é a perda de prioridade por parte do governantes e investidores. Para Krenak, não faz sentido investir em missões espaciais no meio de uma pandemia que mata milhares de pessoas.
“O Brasil mesmo despachou um satélite. Está fazendo o que? Qual a onda do Brasil mandar satélite para o espaço? Ele deveria estar apoiando o Butantan para fazer vacina. Outras prioridades”, desabafou o líder indígena.
Participaram da bancada de entrevistadores Leão Serva, diretor de jornalismo da TV Cultura; Renata Machado Tupinambá, jornalista, roteirista, poeta, curadora, produtora e co-fundadora da rádio indígena Yandê; Denilson Baniwa, artista visual, comunicador e articulador indígena; Sidarta Ribeiro, fundador e vice-diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); e José Miguel Wisnik, ensaísta, músico e professor.
