Em carta à OCDE, entidades acusam Bolsonaro de desmantelar políticas ambientais no Brasil

ClimaInfo

Um grupo de 60 organizações não-governamentais de meio ambiente e Direitos Humanos entregou à direção da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) uma carta denunciando o governo Bolsonaro por prosseguir com o “desmantelamento de políticas socioambientais” no Brasil. O documento pede ao próximo secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, que a entidade considere a realidade dramática do meio ambiente e dos Direitos Humanos no processo de adesão do Brasil, uma das prioridades da política externa de Bolsonaro. “As atuais políticas ambientais e de proteção de Direitos Humanos são incompatíveis com o que se espera de um país-membro da OCDE”, criticou a carta. O texto também argumentou que “um voto de confiança ao governo brasileiro neste momento passaria um duro recado àqueles que atualmente lutam pela defesa e pela garantia de direitos no país”, o que “perpetuaria a situação de ofensa às normas internacionais sobre a proteção do clima, como o Acordo de Paris”. O Valor destacou as críticas da sociedade civil ao governo Bolsonaro. Já o G1 divulgou o texto na íntegra.

Enquanto isso, na Europa, o presidente Alberto Fernández, da Argentina, fez coro às preocupações ambientais de seu colega francês, Emmanuel Macron, com a situação da Amazônia brasileira. Segundo a RFI, o líder argentino disse “compartilhar” o interesse do presidente francês em garantir a preservação da Floresta Amazônica, bem como da região do Chaco, uma área de floresta nativa no norte do país.

Ainda na Europa, o Valor destacou que a União Europeia doará cerca de 5 milhões de euros nos próximos quatro anos para projetos de conservação e desenvolvimento sustentável no Cerrado. Essas iniciativas também contarão com financiamento adicional de 500 mil euros, destinados através de um consórcio de organizações não-governamentais. Esse dinheiro apoiará o desenvolvimento do Projeto Ceres, voltado para aumentar a resiliência ambiental do bioma brasileiro.

Em tempo: Em sessão no Congresso norte-americano, o enviado especial de Joe Biden para o clima, John Kerry, reconheceu a situação de “sequestro” da Amazônia pelo governo Bolsonaro nas conversas recentes entre Brasil e EUA. De maneira aberta, Kerry disse que o diálogo entre Washington e Brasília é uma forma de evitar que a floresta “desapareça” – ou seja, a cooperação é vista por ele como a única saída para que a Amazônia possa ser conservada. “Nós estamos dispostos a falar com eles [Brasil], não com vendas nos olhos, mas sim com um entendimento de onde já estivemos. Mas se não falarmos com eles é garantido que a floresta vai desaparecer”. O problema é que, sem uma disposição política efetiva do governo brasileiro para mudar a situação, qualquer acordo entre os dois países será dinheiro jogado fora: a floresta seguirá sendo devastada, e os norte-americanos se tornarão sócios da destruição. BBC Brasil e Estadão repercutiram a fala de Kerry.

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