Tribunal israelense prorroga a prisão preventiva de Thiago Avila e Saif Abu Keshek por mais dois dias, para novos interrogatórios

Por Urooba Jamal, na Al Jazeera

Dois ativistas de uma flotilha de ajuda humanitária com destino a Gaza, que foram detidos e sequestrados pelas autoridades israelenses, compareceram a um tribunal em Israel, segundo um grupo israelense de direitos humanos que os representa.

Saif Abu Keshek, da Espanha, e Thiago Avila, do Brasil, compareceram a audiências judiciais em Ashkelon no domingo [hoje, 03/05], informou Miriam Azem, coordenadora de defesa internacional da Adalah, à Al Jazeera.

A dupla estava entre as dezenas de ativistas que haviam partido para Gaza como parte da Flotilha Global Sumud, interceptada por forças israelenses em águas internacionais próximas à Grécia na quinta-feira. Os organizadores disseram na sexta-feira que 168 membros foram levados para Creta, enquanto dois foram sequestrados e levados para Israel para interrogatório.

O tribunal prorrogou a detenção dos ativistas por mais dois dias para novos interrogatórios, disse Azem.

“Nenhuma acusação formal foi apresentada contra eles, mas Abu Keshek e Avila enfrentam diversas acusações, incluindo ligação com uma “organização terrorista e contato com agentes estrangeiros”, disse ela.

As advogadas da Adalah, Hadeel Abu Salih e Lubna Tuma, argumentaram perante o tribunal que o processo contra os ativistas era “falho e ilegal”, afirmando que não existe fundamento jurídico para a “aplicação extraterritorial dessas infrações às ações de cidadãos estrangeiros em águas internacionais”, segundo um comunicado do grupo de direitos humanos.

O processo é “uma medida retaliatória contra líderes ativistas humanitários”, disse Adalah.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que os ativistas fazem parte da Conferência Nacional Palestina no Exterior, que, segundo os Estados Unidos , opera a mando do grupo palestino Hamas.

A Espanha condenou o “sequestro” de Abu Keshek e rejeitou as acusações contra ele.

“Todo esse processo é ilegal desde o início: o fato de terem sido sequestrados em águas internacionais perto da Grécia e depois trazidos para interrogatório… Sua detenção e interrogatório são completamente ilegais, e eles devem ser libertados imediatamente”, disse Azem.

Tratamento “terrível”, diz grupo de direitos humanos

No sábado, advogados da Adalah visitaram os ativistas na prisão de Shikma, em Ashkelon, onde eles prestaram depoimento sobre “graves abusos físicos que configuram tortura”, afirmou o grupo de direitos humanos.

“Os depoimentos angustiantes fornecidos por ambos os ativistas revelam violência física e que eles foram mantidos em posições de estresse por longos períodos pelas forças militares israelenses durante os dois últimos dias que passaram no mar”, disse a Adalah em um comunicado no sábado, denunciando o tratamento como uma violação do direito internacional.

Avila relatou ter sido submetido a “extrema brutalidade” pelos militares israelenses, incluindo ter sido “arrastado de bruços pelo chão e espancado tão violentamente que desmaiou duas vezes”, disse Adalah.

O ativista brasileiro apresenta “hematomas visíveis no rosto”, acrescentou o grupo.

Quando Avila foi transferido para o Serviço Prisional de Israel, a agência Adalah relatou que ele foi mantido em isolamento e com os olhos vendados.

Abu Keshek também relatou ter sido “mantido com as mãos amarradas e os olhos vendados, e forçado a deitar-se de bruços no chão” durante sua detenção.

Ambos os ativistas declararam greve de fome, embora continuem a beber água.

A primeira viagem da Flotilha Global Sumud a Gaza, em agosto e setembro, atraiu a atenção mundial antes de as forças israelenses interceptarem os barcos na costa do Egito e de Gaza, no início de outubro.

Membros da tripulação, incluindo a ativista sueca Greta Thunberg, foram presos e expulsos pelas forças israelenses. A Adalah tem representado muitos dos ativistas nesta missão, bem como em missões anteriores, disse Azem.

“Consideramos a flotilha uma missão humanitária para prestar auxílio e contestar o bloqueio ilegal a Gaza”, afirmou ela.

“Consideramos a representação dos ativistas como uma extensão do nosso mandato… [na] defesa dos direitos palestinos”, acrescentou Azem.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

7 − 6 =