A importância das mulheres em uma sociedade machista

Por Ângelo Oliveira*

Começo situando com base em Simone de Beauvoir que o conceito de mulher em uma sociedade machista é uma produção do homem. Essa narrativa historicamente produzida induz a uma naturalização de atributos culturalmente produzidos de modo a amalgamá-los à uma suposta essência feminina. Tais construtos vão desde a ideia de uma fragilidade orgânica até habilidades sociais, intelectuais etc.

Logo, características atribuídas à mulher definem o lugar social que ela deve ocupar. A cuidadora do lar, àquela que cozinha, lava, passa, cuida do marido e dos filhos. Era, pois, necessária a existência de uma ideologia fragilizante e “impotencializadora” que justificasse o lugar social da mulher enquanto lócus de subalternidade.

Contraditoriamente, é possível afirmar a importância central da mulher para o estabelecimento da estrutura machista. Em outras palavras, esse conceito de mulher produzido pelo machismo é fundante e constituinte da posição hegemônica do homem e para a sustentação da estrutura machista.

A própria ideia de ser homem se constrói em oposição a tudo que se liga à mulher. Há que se construir um outro a partir do qual se formula o padrão identitário hegemônico. 

Frente as questões acima levantadas, minha pretensão se volta para as seguintes reflexões: 1) na estrutura machista as características atribuídas às mulheres não são neutras tampouco naturais. Trata-se de uma narrativa para mediar uma relação social em que o homem possui o poder e o domínio, inclusive sobre seus corpos, 2) o lugar destinado a mulher é fruto de uma produção ideológica incapacitante e subalternizante e 3) a violência contra os corpos das mulheres é a materialização da objetificação advinda da ideia de posse e pertencimento.

O machismo é, portanto, uma relação social predatória que mortifica os corpos a partir da ideia da superioridade masculina e da essencialização de uma suposta inferioridade natural da mulher. 

Nessa mesma direção, absorve-se a ideia de que o planeta existiria para servir ao conjunto dos homens e por isso se justifica a exploração e o uso desregrado dos recursos naturais. Ainda nessa perspectiva, os países pobres existem para servir aos países ricos. Vinculado a essa mesma lógica, seria justa a exploração dos trabalhadores por uma suposta ideia de mérito daqueles que possuem os meios de produção. 

Diante de todas essas questões concluo afirmando que a luta das mulheres é legitimamente de todos e todas que vivenciam processos de exploração e opressão em uma sociedade injusta e desigual. 

Feliz dia de luta a todas as mulheres!

*Professor do IFCE/Campus Quixadá

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