COP27: muitos acordos, pouco resultado

ClimaInfo

A COP27 terminou ontem (20), no Egito, ofuscada pelo início da Copa do Mundo no Catar e também pela timidez dos resultados obtidos. Com exceção da criação do novo fundo histórico para Perdas e Danos (ver nota a seguir), foi preciso usar lupa para conseguir identificar algum avanço no texto final. Os problemas, por sua vez, saltaram aos olhos.

De forma geral, a chamada “COP da Implementação” decepcionou em sua missão de fazer avançar o combate à emergência climática. A começar pela própria defesa da meta de 1,5°C: o chamado Plano de Implementação de Sharm el-Sheikh conseguiu usar uma linguagem menos enfática na defesa dessa meta do que a declaração final do G20, divulgada na semana passada. Segundo o g1, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou que a COP27 não tenha optado por uma frase mais forte que proclamasse a necessidade de se “reduzir drasticamente as emissões (de gases de efeito estufa)”.

A abordagem dos combustíveis fósseis, por sua vez, continua sentindo o peso do forte lobby do setor. A exemplo de Glasgow, o texto não recomenda a eliminação (phase out) do carvão e não menciona os demais fósseis, salvo quando recomenda a eliminação dos “subsídios ineficientes” (o que, convenhamos, é muito mais uma recomendação econômica do que climática). Para piorar, recomenda um mix de energia incluindo energias de baixas emissões (ponto para os lobistas do gás).

A exemplo dos fósseis, também as atividades agropecuárias foram citadas com cuidado no texto final. Ele dá mandato para manter as discussões sobre a relação entre o agro e o clima, mas sem uma abordagem mais ampla, que incluísse dietas, perdas e desperdício de alimentos, por exemplo.

O financiamento climático segue como a principal batata quente – que, mais uma vez, foi jogada para a próxima conferência, mas, dessa vez, com (ainda) menos ambição. Se o documento de Glasgow recomendava “ao menos dobrar” as verbas para adaptação, o texto deste ano fala apenas em “aumentar”. Enquanto isso, os US$ 100 bilhões anuais prometidos em 2009, para serem fornecidos entre 2020 e 2025, chegam ao final de 2022 ainda como uma miragem no deserto, com indefinições sobre como – e quando – serão pagos.

Alguns avanços tímidos merecem destaque, como o maior destaque a florestas e a inclusão de soluções baseadas na natureza no texto – pontos de especial interesse para o Brasil. Por falar no nosso país, diante da inação do governo federal, quem avançou na busca por verbas e parcerias internacionais foram os estados, como assinalou o Estadão.

Mas, de forma geral, foram muitos acordos sem substância, que dão uma falsa sensação de combate às mudanças climáticas, como destacou o Metrópoles.

Os balanços feitos pelos Observatório do ClimaWWF-Brasil e Greenpeace também dão uma boa noção dos desafios que essa conferência impõe à COP28. Aliás, quem já olhou para o futuro foi a Folha, que já fez uma primeira análise da próxima COP, prevista para ser realizada nos Emirados Árabes no ano que vem. Será a segunda consecutiva no Oriente Médio, uma das regiões mais vulneráveis ao aquecimento global. Será também a segunda conferência consecutiva em um Estado autoritário, que persegue e pune ativistas.

Por fim, vale conferir o resumo dos resultados desta COP feito pela equipe ClimaInfo. O encerramento da COP foi noticiado por ValorUOLg1NexoPúblicoMetSulGuardianWashington PostBBCReuters e ClimateChangeNews, entre outros. A Carta Capital trouxe as reações ao documento final. O Portal Amazônia analisou os principais pontos referentes à Amazônia abordados na conferência.

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