Emenda à lei florestal do Peru pode acelerar desmatamento da Amazônia

Proposta elimina exigência de que fazendeiros ou empresas tenham autorização do governo antes de converter terras florestais em outros usos

ClimaInfo

Não é só o petróleo que ameaça a Amazônia peruana. Uma recente emenda à Lei de Florestas e Vida Selvagem do país preocupa grupos ambientalistas e indígenas, que alertam que ela pode acelerar o desmatamento na Floresta Amazônica sob o [velho] pretexto de desenvolvimento econômico – nos moldes exploratórios do período colonial, claro.

A emenda elimina a exigência de que proprietários de terras ou empresas obtenham autorização governamental antes de converter terras florestais para outros usos. Brecha, para os ambientalistas ouvidos pela Associated Press, poderia legitimar o desmatamento ilegal no bioma amazônico.

“É extremamente preocupante”, disse Alvaro Masquez Salvador, advogado do programa de Povos Indígenas do Instituto de Defesa Legal do Peru.

Salvador acrescentou que a reforma estabelece um precedente para “privatizar efetivamente” a terra que a constituição peruana define como patrimônio nacional. “As florestas não são propriedade privada, elas pertencem à nação”, ressaltou o advogado.

O Peru detém a segunda maior área de Floresta Amazônica, atrás apenas do Brasil, com mais de 70 milhões de hectares – cerca de 60% do território peruano, segundo a Rainforest Trust. É uma das regiões com maior biodiversidade do planeta e lar de mais de 50 Povos Indígenas, alguns vivendo em isolamento voluntário.

Aprovada em 2011, a Lei Florestal e de Vida Selvagem original exigia aprovação do governo e estudos ambientais antes de qualquer alteração no uso de terras florestais, mas reformas recentes têm enfraquecido gradualmente essas proteções. Além de isentar a autorização, a emenda permite que fazendeiros e empresas legalizem retroativamente desmatamentos passados. Nada diferente do que vemos acontecer com nosso Código Florestal.

IstoÉ DinheiroUOL18horas e O Dia também repercutiram a emenda peruana que facilita o desmatamento da Amazônia peruana.

  • Em tempo: Integrantes dos Povos Indígenas Ashaninka, Yawanawá e de outras 12 etnias do Peru e Brasil visitaram ministérios, embaixadas e organizações em Brasília no início de abril em busca de apoio para barrar, de forma definitiva, a proposta de construção de duas rodovias que atravessam territórios entre os dois países na região da Amazônia. As comunidades expressam preocupação com a construção de estradas devido a impactos ambientais e ao aumento de atividades como narcotráfico e exploração ilegal de recursos, detalhou a Folha. Os indígenas ainda denunciam a ausência do Estado na região das fronteiras, o que facilita a atuação de grupos criminosos. Ao menos 36 lideranças indígenas foram assassinadas na região desde 2013.

Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real

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