Com lamentos, lágrimas, cobranças e denúncias, famílias representantes da população no entorno do Rio Abacaxis (município de Nova Olinda do Norte) marcaram presença no Grito dos Excluídos em Manaus (AM), ocorrido no Dia da Amazônia, 05 de setembro.
O clamor é por justiça e efetiva prisão dos acusados do massacre ocorrido em agosto de 2020, em uma operação policial de resposta ao assassinato de dois policiais militares. Contudo, foram mortas 8 pessoas, dentre elas indígenas Munduruku e ribeirinhos. Pelo menos uma pessoa ainda continua desaparecida, de acordo com o Coletivo Rio Abacaxis, formado por organizações e movimentos que dão apoio às famílias.
O crime tem como acusados 11 integrantes da Polícia Militar do Estado do Amazonas, dentre eles seu comandante, o secretário de segurança e o governador do Estado da época, que inclusive já foram tornados réus pela Justiça Federal no Amazonas, no último mês de maio de 2025. Mas em todos estes cinco anos, a população continua sofrendo com a insegurança e a sensação de impunidade no local.
Grito – Em Manaus, o Grito dos Excluídos e Excluídas contou com a campanha “Água e Lixo não combinam”, que deseja movimentar a sociedade, órgãos públicos e privados em favor da limpeza do Igarapés e conscientização popular para a manutenção destes cursos de água, que são vida que corre em meio à zona urbana da cidade.
Os gritos também foram por vida digna para as pessoas em situação de exclusão e vulnerabilidade social, clamando pela vida, saúde, moradia, políticas públicas, respeito, dignidade, dentre outros, sendo reunidos em um momento uníssono de oração e louvor com o “Pai Nosso dos Mártires”.
Ao final, o arcebispo de Manaus, Cardeal Leonardo Steiner, ao agradecer o envolvimento dos presentes, encorajou o povo a continuar na busca por construir uma sociedade mais justa e fraterna, em nome do Evangelho.
“Uma palavra de gratidão a todos, a cada um e a cada uma que veio participar do 31º grito dos excluídos excluídas. Nós, olhando assim, somos tão poucos, diante de uma população de dois milhões e trezentos. Mas nós gritamos em nome de todos. Queremos mostrar a nossa realidade, porque ela precisa ser transformada. E o fazemos em nome do Evangelho, para termos uma sociedade mais justa, mais fraterna, possamos conviver na casa comum e termos um regime que sempre, de novo, seja cada vez mais democrático. Então, meus irmãos e minhas irmãs, sempre na paz, mas na luta!”, destacou Dom Leonardo.
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Durante o 31º Grito dos Excluídos e Excluídas em Manaus (AM), comunidade e familiares das vítimas do Massacre do Rio Abacaxis fizeram protesto em reivindicação por justiça. Foto: Ascom Arquidiocese de Manaus




