Na Abrasco
Durante as atividades pré-simpósio do 3º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente (3º SIBSA), nesta terça-feira (26), a mobilização para combater os impactos dos agrotóxicos na saúde e os debates sobre uma ciência comprometida com a justiça socioambiental foram destaque. Os encontros movimentaram o campus principal da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá (MT). O dia também foi dedicado aos preparativos finais do evento, com montagem dos espaços e credenciamento de convidados, monitores e participantes.
A 2ª Reunião Ordinária do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos (FNCIAT), promovida pelo Ministério Público Federal (MPF), integrou a programação preparatória do evento. Em formato híbrido, o encontro reuniu representantes do MPF, do Poder Judiciário e de outros órgãos com o objetivo de fortalecer a análise de evidências, a cooperação institucional e a garantia da segurança alimentar e da proteção socioambiental. A iniciativa foi coordenada pelo subprocurador-geral do Trabalho, Pedro Serafim, e pelo procurador da República Gabriel Infante.
As atividades pré-simpósio foram encerradas com a roda temática “Por uma ciência a favor da justiça socioambiental e do bem viver”, mediada pela presidente do SIBSA, a pesquisadora Karen Friedrich. A abrasquiana enfatizou a importância da conversa para construir reflexões sobre um fazer científico que esteja, de fato, comprometido com o bem-estar da sociedade.
“Essa atividade é sobre o papel e a importância de uma ciência comprometida com a vida. Falamos muito do papel da ciência, mas há ciência para tudo, inclusive para a destruição”, afirmou.
Os palestrantes foram a pesquisadora e integrante do GT Saúde e Ambiente da Abrasco, Lia Giraldo; e o biólogo e pesquisador estadunidense Rob Wallace, escritor que é uma das principais vozes internacionais no alerta para os impactos das formas desenfreadas de consumo e produção sobre o meio ambiente e a saúde.
Antes de os expositores iniciarem suas considerações, a artista Bia Correia recitou um texto de Antônio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré, um dos maiores poetas populares e compositores do Brasil. Nascido no Ceará, Patativa versava sobre o cotidiano e o sofrimento do povo sertanejo, com críticas sociais afiadas e precisas. O poema declamado na atividade, “Cante Lá Que Eu Canto Cá”, aborda justamente um dos eixos do 3º SIBSA: a importância de valorizar os saberes populares.
“Sua rima, inda que seja
Bordada de prata e de ouro
Para a gente sertaneja
É perdido este tesouro”
(Excerto de “Cante Lá Que Eu Canto Cá” — Patativa do Assaré)
Na sequência, a integrante do GT Saúde e Ambiente da Abrasco, Lia Giraldo, deu início ao debate e abordou, em sua apresentação, os diferentes modos de pensar presentes na ciência. A pesquisadora falou desde o pragmatismo produtivista, que reduz a ciência à técnica, até perspectivas críticas e contra-hegemônicas, destacando também a importância de construir uma ciência socialmente engajada.
“O diálogo de saberes entre os produtores de conhecimento científico e as populações em seus territórios de vida e trabalho é fundamental para construir convergências na produção do conhecimento em favor da proteção da saúde”, concluiu.
Rob Wallace encerrou a roda pré-simpósio com a fala intitulada “O que é uma ciência para um povo”, também dedicada a reflexões sobre o lugar da ciência na sociedade. O biólogo apresentou ainda os trabalhos desenvolvidos no Corpo de Pesquisa em Agroecologia e Economia Rural (Agroecology and Rural Economics Research Corps – ARERC), grupo independente formado por pesquisadores, ativistas, educadores e agricultores.
“Esses projetos têm relação com uma ciência diretamente vinculada aos interesses do povo em sua vida cotidiana. E, nesse âmbito, o Brasil tem muito a ensinar ao mundo. Podemos questionar os meios pelos quais a ciência tem sido praticada”, explicou.
O 3º SIBSA acontece até o dia 29 de maio e a programação inclui conferências, mesas-redondas, rodas de saberes, apresentações de trabalhos científicos, atividades culturais e encontros entre redes e movimentos sociais. Os debates dialogam diretamente com os desafios enfrentados nos territórios e com a necessidade de fortalecer políticas públicas comprometidas com a proteção da vida, da biodiversidade e dos direitos humanos.
O 3º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente (SIBSA), será realizado de 27 a 29 de maio de 2026, com pré-congresso no dia 26 de maio. O evento acontece na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá e reunirá pesquisadoras e pesquisadores, estudantes, profissionais da saúde, movimentos sociais e lideranças comunitárias para debater as relações entre saúde, ambiente e a defesa da vida.
Com o tema “A luta da Saúde Coletiva frente ao colapso ecológico: soberania, justiça e conhecimento para a transformação”, o simpósio propõe um diálogo interdisciplinar e intercultural entre diferentes saberes.




