Mais de 40 rios do estado de São Paulo podem ficar sem água; veja quais são

Levantamento foi realizado por meio do Projeto Mananciais, integrante do Programa Rios Vivos

No Brasil de Fato

Um estudo da SP Águas identificou 43 mananciais de abastecimento público em São Paulo com risco de indisponibilidade hídrica no futuro. Os cursos de água atendem municípios do interior, do litoral e do Vale do Paraíba e apresentam problemas como erosão, assoreamento, perda de matas ciliares, redução da vazão e degradação das margens.

O levantamento foi realizado por meio do Projeto Mananciais, integrante do Programa Rios Vivos, que avaliou áreas consideradas estratégicas para o abastecimento público. Segundo o estudo, ao qual o Estadão teve acesso, foram identificados 596 hectares de áreas úmidas prioritárias para conservação e 393 hectares destinados à recomposição florestal. No total, a previsão de custo estimado para obras de contenção de erosões e estabilização de margens de rios e córregos chega a R$ 1,4 bilhão.

Entre os problemas identificados estão o solapamento das margens, a perda de vegetação ciliar, a redução da vazão dos rios e afluentes, a erosão em áreas próximas aos cursos d’água e o assoreamento dos leitos.

De acordo com o Instituto Geográfico e Cartográfico, São Paulo possui 22 bacias hidrográficas distribuídas pelos 645 municípios do estado. Cerca de 200 cidades dependem exclusivamente de rios, córregos e represas para o abastecimento de água. Outras 291 utilizam aquíferos subterrâneos e 154 adotam sistemas mistos. A estimativa é que aproximadamente 80% dos 46 milhões de habitantes do estado dependem dos rios para o abastecimento.

Segundo o pesquisador Ivan Carlos Maglio, da área de Política e Planejamento Ambiental, os impactos da escassez de água vão além da questão ambiental. “Não estamos diante de um problema apenas ambiental. Trata-se de uma questão de segurança hídrica, saúde pública, desenvolvimento econômico e adaptação climática”, disse em entrevista ao Estadão.

O estudo também alerta para a possibilidade de agravamento do cenário em razão dos efeitos associados ao El Niño, fenômeno que costuma provocar aumento das temperaturas e alterações no regime de chuvas no Sudeste, o que pode elevar a evaporação dos reservatórios e ampliar períodos de estresse hídrico.

No Eixo Águas do Tietê, que reúne 16 cursos d’água, um dos casos apontados pelo estudo é o Rio Batalha, responsável por cerca de 40% do abastecimento de Bauru e afetado por erosões e assoreamento. O Rio Preto, utilizado no abastecimento de São José do Rio Preto, sofre com a perda de vegetação nas margens.

Outro manancial incluído no levantamento é o Rio Sorocabuçu, principal formador da Represa de Itupararanga. O curso d’água abastece municípios como Sorocaba e Votorantim e apresenta problemas relacionados à poluição por esgoto, desmatamento das margens e assoreamento. Também fazem parte desse eixo o Rio São José dos Dourados, que abastece Mirassol, e o Ribeirão Piraí, importante para o fornecimento de água em Itu, Salto e Indaiatuba.

No Eixo Águas Norte, que abrange regiões do norte e noroeste paulista, foram identificadas vulnerabilidades em dez mananciais que atendem diretamente oito municípios. Entre eles estão o Ribeirão Araras, em Araras, o Córrego do Pessegueiro, em Santa Cruz das Palmeiras, e o Ribeirão do Carmo, utilizado no abastecimento de Ituverava. Também integram a lista o Ribeirão das Pitangueiras, em Barretos, e os córregos da Consulta e do Retiro, em Bebedouro. 

Nas regiões sul e do litoral, 17 cursos d’água foram classificados como prioritários para intervenções. Entre eles está o Rio do Peixe, importante para o abastecimento de cidades como Marília e Presidente Prudente. No litoral, o Rio Claro foi incluído entre os mananciais que necessitam de ações de proteção para garantir o abastecimento de Caraguatatuba.

No Vale do Paraíba, o estudo apontou a necessidade de obras para controle de erosão no Rio Una, responsável pelo abastecimento de Taubaté, e no Ribeirão do Fojo, utilizado por Campos do Jordão. 

Além das intervenções ambientais, o projeto prevê programas de educação ambiental em 58 municípios, elaboração de materiais técnicos voltados ao uso racional da água, conservação do solo e prevenção do assoreamento, além da implantação de 16 parques destinados à preservação ambiental e ao lazer da população.

O programa também propõe a criação de mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais para produtores rurais que preservarem áreas de floresta e adotarem medidas de conservação do solo. A proposta abrange 656 hectares e prevê a possibilidade de utilização de créditos de carbono para financiar parte das ações.

Relação dos 43 mananciais apontados pelo estudo

  • 1. Córrego Gouveia
  • 2. Rio Lençóis
  • 3. Ribeirão Pouso Alegre
  • 4. Rio Batalha
  • 5. Ribeirão Baguaçu
  • 6. Córrego do Baixote
  • 7. Ribeirão Lajeado
  • 8. Rio Sorocabuçu
  • 9. Ribeirão Pirapitingui
  • 10. Rio Claro
  • 11. Ribeirão Piraí
  • 12. Córrego Olhos D’Água
  • 13. Rio Preto
  • 14. Rio São José dos Dourados
  • 15. Córrego Água Limpa
  • 16. Córrego Cabeceira Comprida
  • 17. Ribeirão das Pitangueiras
  • 18. Córrego da Consulta
  • 19. Córrego do Retiro
  • 20. Ribeirão Lambari
  • 21. Rio Verde
  • 22. Ribeirão Jardim
  • 23. Ribeirão do Carmo
  • 24. Ribeirão Araras
  • 25. Ribeirão das Furnas
  • 26. Córrego do Pessegueiro
  • 27. Ribeirão do Fojo
  • 28. Rio da Prata
  • 29. Rio Batedor
  • 30. Rio Una
  • 31. Rio Claro (Caraguatatuba)
  • 32. Ribeirão das Tocas
  • 33. Ribeirão Vermelho
  • 34. Ribeirão Vermelho (segundo trecho analisado)
  • 35. Rio Pardo
  • 36. Ribeirão do Alegre
  • 37. Ribeirão Azul
  • 38. Rio do Peixe
  • 39. Córrego do Negrinho
  • 40. Córrego do Barreiro
  • 41. Ribeirão Santo Anastácio
  • 42. Córrego da Água Fria
  • 43. Ribeirão do Godinho

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