MPF conclui primeiro semestre de oitivas na ação penal do caso Brumadinho e reafirma busca por justiça

Equipe visita local da tragédia e ressalta importância da participação social e compromisso em levar os responsáveis a julgamento

Procuradoria da República em Minas Gerais

O Ministério Público Federal (MPF) realizou, no dia 25 de junho de 2026, uma série de agendas técnicas e institucionais em Brumadinho (MG) para fortalecer a atuação na ação penal que apura as responsabilidades pelo rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão. A visita ocorreu logo após o encerramento, no dia 22 do mesmo mês, do primeiro semestre da fase de oitivas — etapa do processo dedicada a ouvir testemunhas e colher provas.

Durante o encontro, os procuradores da República Bruno José Silva Nunes, Bruno Costa Magalhães e Samir Cabus Nachef Júnior, integrantes da equipe que conduz o caso, reafirmaram que o órgão não poupará esforços para garantir a punição dos responsáveis pelas 270 mortes e pelos danos ambientais causados pela tragédia, em 2019.

A agenda com a comunidade teve início com a participação dos procuradores no ato mensal realizado pela Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos (Avabrum), no letreiro da cidade. O evento, que ocorre todo dia 25 desde o desastre, é marcado pela leitura dos nomes das vítimas e pela soltura de balões.

Ao final da cerimônia, os procuradores conversaram com o público sobre a situação atual da ação judicial. “É um trabalho muito técnico e especializado, que demanda conhecer cada página do processo e apontar, para cada pessoa, a sua própria responsabilidade”, afirmou Bruno Costa Magalhães durante o encontro. O procurador complementou: “Nossa equipe está trabalhando com dedicação para que o objetivo seja alcançado”.

Antes de partir para a segunda agenda do dia, o procurador Bruno Nunes agradeceu a presença dos familiares das vítimas da tragédia durante as audiências realizadas ao longo dos últimos meses. “A gente ainda tem um ano e dois meses de audiências até setembro de 2027. E uma das questões mais importantes nesse processo é a participação de vocês, acompanhando as audiências. Quando a sociedade participa e cobra do sistema de justiça, há um impulso maior para que ele funcione”, finalizou.

As audiências acontecem semanalmente, às segundas e sextas-feiras, e são abertas ao público, mediante inscrição prévia, com um percentual das vagas reservado aos familiares das vítimas. Até o momento, todas as audiências contaram com a presença dos familiares. Para a presidente da Avabrum, Nayara Porto, este é um compromisso inegociável. “Nós sabemos que tem um longo período ainda pela frente, mas a ideia é não parar [de comparecer nas audiências], nós vamos até o final. Essa luta é nossa”, afirmou.

Na sequência, a comitiva foi recebida no Memorial Brumadinho, um símbolo concreto de memória e resiliência para a comunidade. O local foi projetado para garantir a guarda digna de segmentos corpóreos, evitando que familiares sofressem com constantes convocações ao Instituto Médico Legal. O grupo visitou, ainda, alguns pontos do distrito de Córrego do Feijão que foram atingidos por rejeitos de mineração, provenientes do rompimento, e a Igreja Nossa Senhora das Dores, onde funcionou o posto de comando da operação de busca e resgate entre os dias 25 de janeiro e 20 de fevereiro de 2019.

Visita técnica avalia recuperação da área da mina – Além do encontro com os atingidos, o MPF realizou uma visita no Complexo Córrego do Feijão. Os procuradores estiveram no Mirante da Mina, de onde observaram o remanescente da barragem B1 e as áreas onde funcionavam o refeitório e prédios administrativos, locais atingidos pela lama. A equipe também percorreu trechos da “mancha de rejeitos” para conferir o andamento das obras de recuperação socioambiental realizadas na região.

Entenda o caso – O rompimento da barragem B1 ocorreu em 25 de janeiro de 2019, liberando cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos. O desastre matou 270 pessoas e atingiu a bacia do rio Paraopeba, impactando mais de 20 municípios. A denúncia do MPF aponta que as empresas Vale e TÜV SÜD, além de executivos e funcionários das empresas à época, teriam agido com omissão e negligência, ignorando sinais de instabilidade da estrutura para manter as operações no complexo.

O processo criminal está atualmente na fase de instrução, que é o momento de reunir todos os elementos que fundamentarão a decisão final da Justiça. A previsão é que as audiências ocorram regularmente até setembro de 2027. Os elementos e requerimentos apresentados pelo MPF serão apreciados pela Justiça Federal, que definirá, ao final desta etapa, se os 16 réus serão encaminhados a júri popular.

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