Articulação Antinuclear Brasileira realiza Encontro Nacional

Por Articulação Antinuclear Brasileira

No marco dos seus 15 anos de atuação – em defesa das energias renováveis e combate ao uso da tecnologia atômica para a produção de eletricidade – a Articulação Antinuclear Brasileira (AAB) realizará um Encontro Nacional em 12 de setembro próximo, em parceria com o Projeto Nova Cartografia Social e o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, com apoio do Fundo CASA. A iniciativa reunirá comunidades atingidas, representantes de diferentes territórios, ativistas socioambientais, pesquisadores e organizações parceiras.

O evento acontece em meio à ascensão global da indústria nuclear militar, que alavanca a expansão do uso de armas atômicas e ameaça o futuro da humanidade. A pauta abrange questões sensíveis da indústria nuclear civil, como a insegurança em radioproteção, falta de solução para toneladas de lixo tóxico e radioativo, gerado pelas atividades atômicas, e o descuido com a saúde de trabalhadores e das pessoas expostas à radiações ionizantes. As atividades serão certificados como trabalhos de extensão pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. A ficha de inscrição está neste link.

Programa Nuclear em debate

A construção do Encontro Nacional inclui reuniões preparatórias e oficinas, fundamentais para avaliar a trajetória, discutir propostas de fortalecimento da AAB e definir planos de ação comuns para conter os prejuízos gerados pela política nuclear brasileira. As atividades serão coordenadas pelo pesquisador Whodson Silva, integrante do Núcleo Pernambuco do Projeto Nova Cartografia Social, “que tem uma trajetória de colaboração com os movimentos sociais envolvidos nas injustiças socioambientais geradas pelo Programa Nuclear Brasileiro. Essa parceria tem fortalecido a produção compartilhada de conhecimentos, articulando pesquisa, extensão universitária e participação social junto às comunidades atingidas e organizações da sociedade civil”, disse o pesquisador.

As oficinas têm como objetivo discutir o Programa Nuclear Brasileiro e os impactos decorrentes de sua implantação e manutenção. Além da dimensão formativa, elas buscarão estimular o diálogo sobre estratégias de incidência política, participação social e fortalecimento das redes de resistência, com vistas à construção de um diagnóstico atualizado dos territórios afetados pela indústria nuclear.

O Encontro vai avaliar os 15 anos de atuação da AAB e discutir propostas de expansão da articulação e o fortalecimento de redes de colaboração em escala nacional. Segundo Whodson Silva, “o encontro será dedicado ao compartilhamento de experiências, à construção de estratégias coletivas de mobilização e à elaboração de agendas comuns para enfrentar as sequelas socioambientais oriundas do setor nuclear, reforçando o papel da pesquisa colaborativa como instrumento de produção de conhecimento e fortalecimento das lutas sociais.”

Por um Brasil livre do nuclear!

O pesquisador destacou que “a participação do Projeto Nova Cartografia Social nesse processo reafirma o compromisso com metodologias participativas de pesquisa e com a produção de conhecimento em diálogo com os agentes sociais. A certificação das atividades pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia contribui para consolidar essa relação entre universidade e movimentos sociais, validando ações de formação e pesquisa desenvolvidas de forma colaborativa e comprometidas com a compreensão e o enfrentamento dos conflitos socioambientais.”

A compreensão da política nuclear é hoje fundamental perante o impacto das disputas entre potências nucleares pela hegemonia planetária sobre a atualidade brasileira. As tensões causadas por essas guerras geram conflitantes opiniões entre governo e sociedade sobre a inclusão do Brasil na corrida armamentista global a pretexto de modernizar as forças armadas e produzir a bomba atômica “tupiniquim”, para potencializar a defesa nacional ante eventuais ameaças externas.

Reafirmando sua posição contra a nuclearização do Brasil, a AAB convida seus associadxs a contribuir com a democratização e socialização deste vital debate, em especial pessoas e organizações parceiras, que aderiram ao seu Manifesto contra a energia nuclear, lançado em junho de 2011, após a explosão dos reatores de Fukushima (Japão).

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Zoraide Vilasboas.

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