Ato este ano também pauta vida das mulheres e soberania nas eleições
Movimentos populares, organizações da sociedade civil, sindicatos e partidos de esquerda do Rio de Janeiro fazem parte da construção do 32º Grito dos Excluídos. A tradicional marcha acontece na próxima segunda-feira (7), a partir das 9h30, saindo da avenida Presidente Vargas com a rua Uruguaiana, no centro da cidade.
Desde 7 de setembro de 1995, “Vida em primeiro lugar” permanece como principal lema da marcha nacional por dignidade e justiça social. A cada ano, diferentes temas se somam a essa luta. Para esta edição, a defesa da terra, da paz e da moradia, da vida das mulheres e da soberania nacional ficou definida.
Ao Brasil de Fato, Amanda Matheus, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Rio de Janeiro, explica que, historicamente, o objetivo da marcha é denunciar as desigualdades do sistema capitalista em contraponto ao Dia da Independência.
“Enquanto milhares de pessoas vivem sem terra, sem teto, sem emprego, sem comida, sem direitos básicos, o sistema capitalista concentra as riquezas no nosso país. Queremos denunciar, mas também incentivar a organização das lutas, a organização da classe trabalhadora, a defesa da soberania e o direito à vida”, afirma.
A mobilização também conscientiza sobre direitos da população na saúde, educação, alimentação saudável e moradia. Para Amanda Matheus, o chamado para a marcha propõe transformar o silêncio imposto aos excluídos da sociedade em grito pelos seus direitos. “Nós do MST erguemos nossa voz em defesa da reforma agrária popular, da democratização do acesso à terra, da defesa dos bens comuns da natureza, da produção de alimentos saudáveis e agroecológicos”, completa.
Há mais de 30 anos, a denúncia da miséria e da fome é um dos simbolismos mais presentes na marcha. O ato surgiu como iniciativa de pastorais católicas em campanha pela fraternidade. Um eixo do Grito dos Excluídos deste ano é a defesa da moradia digna para aqueles que vivem em condições precárias, sem teto ou em situação de rua. Esse olhar para as injustiças cotidianas continua como principal legado.
Os movimentos sociais organizam nesta quinta-feira (3) uma roda de conversa pré-marcha com o tema “Na defesa da Terra, Paz e Moradia! Erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!” na Praça da Harmonia, a partir das 18h. O encontro será aberto e vai reafirmar o compromisso com a vida e a defesa dos direitos.
Para Amanda Matheus, a defesa da vida das mulheres caminha lado a lado com os demais temas trazidos pela marcha. “Vamos erguer a nossa voz para denunciar a violência diante do avanço do feminicídio no nosso país. E, por último, destacar a defesa da soberania e democracia. Os Estados Unidos, com sua atuação imperialista, e a extrema direita vêm cada vez mais querendo dominar nossos bens da natureza, como as terras raras. Precisamos defender a nossa soberania e a nossa democracia, principalmente nesse período eleitoral”, finaliza.
Editado por: Clivia Mesquita




