A atual dinâmica eleitoral não perdoa a passividade. E em meio a hiperconectividade, não posicionar-se é receita para derrota. Ações de campanha devem canalizar frustrações sociais concretas da população, como a proliferação de bets e abusos dos planos de saúde
Por Elizeu Josias de Souza, em Outras Palavras
A dinâmica eleitoral contemporânea não tolera a passividade. Em um cenário político hiper conectado e marcado pela disputa voraz pela atenção pública, a hesitação estratégica equivale à derrota. Para que uma grande força política assegure a condução dos rumos do país, é fundamental superar posturas puramente defensivas e assumir, com vigor e determinação, o controle irrestrito da narrativa pública. A comunicação partidária e eleitoral precisa passar por uma guinada radical: deve deixar de apenas reagir às pautas alheias para se tornar a força que pauta o debate nacional, mantendo a imprensa e a oposição em permanente estado de reação.
Para atingir essa dinâmica de iniciativa constante, a fundamentação teórica se revela uma aliada indispensável da prática militante. A aplicação da teoria mimética de René Girard oferece chaves valiosas para compreender as paixões coletivas e a coesão social. O mecanismo do bode expiatório — elemento estruturante das dinâmicas de massa — demonstra como a convergência da indignação popular contra alvos de alta rejeição consolidada é capaz de unificar a comunidade em torno de um projeto político comum.
Nesse sentido, a ação política pragmática deve canalizar a frustração social para dilemas concretos do cotidiano dos cidadãos. Alvos como a proliferação descontrolada das casas de apostas virtuais (bets) e as frequentes iniquidades praticadas por planos de saúde particulares sintetizam vulnerabilidades sociais profundas. Ao direcionar o foco e articular o descontentamento coletivo contra esses setores, a campanha não apenas expressa as dores reais da população, mas constrói uma linha clara de demarcação entre os interesses do povo e os abusos de mercado.
Paralelamente, a dimensão da autoridade e da governabilidade exige o uso estratégico da semiótica. A liderança política de um país precisa transmitir firmeza e comando de maneira inequívoca. O controle e a condução serena, porém incisiva, sobre as instituições de segurança pública — exemplificados pela atuação republicana e rigorosa da Polícia Federal — devem ser projetados como símbolos incontestáveis de ordem, legalidade e defesa do interesse público.
A operacionalização dessa guinada estratégica exige o suporte de especialistas de excelência. A assessoria de intelectuais de referência — como Wilson Ferreira, no campo da semiótica e da análise de mídias, e João Cezar de Castro Rocha, autoridade no estudo do pensamento de René Girard e na anatomia do discurso político contemporâneo — é vital para calibrar a precisão dos diagnósticos e a eficácia das ações de comunicação.
Enquanto a militância e as bases partidárias desempenham com bravura o seu papel diário nas ruas — panfletando, sustentando bandeiras e dialogando diretamente com a população nas praças e bairros —, a coordenação política e comunicacional precisa corresponder com a mesma coragem e determinação no plano macro.
Uma eleição decisiva não se vence com hesitação. A campanha precisa se consolidar como uma verdadeira força motriz capaz de neutralizar os ataques da oposição, colocar a cobertura midiática sob constante pressão de fatos novos e assegurar uma vitória expressiva no primeiro turno. Mais do que garantir a reeleição da liderança executiva, o objetivo estratégico reside na formação de uma sólida e pragmática maioria progressista no Congresso Nacional — pré-requisito indispensável para a governabilidade e para a realização das transformações sociais de que o Brasil necessita.




