Homens armados destruíram uma residência na manhã desta quarta-feira (4), ameaçam famílias e prometem sitiar a comunidade, fechando todas as entradas e saídas. Os órgãos competentes foram notificados desde 21 de outubro e, novamente, na tarde de ontem (3) — mas, de ontem para hoje, nenhuma viatura chegou ao local. Vidas estão em risco neste momento
Araguaína/Pau D’Arco (TO), 4 de novembro de 2026
Na manhã desta quarta-feira, seguranças privados armados derrubaram uma casa na Comunidade Chaparral II, em área pública da União na divisa dos municípios de Araguaína e Pau D’Arco (TO). Em seguida, ameaçaram derrubar também a casa onde famílias estão reunidas — entre elas a família já ameaçada de expulsão no dia anterior (3) — e anunciaram que vão fechar todas as entradas e saídas da comunidade, sitiando as famílias.
Até este momento, nenhuma viatura ou agente de segurança chegou ao local. O cerco armado segue em curso e o risco de um desastre com vítimas é real e iminente.
A situação é gravíssima e absolutamente previsível diante da omissão estatal. Em 21 de outubro, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) notificou diversos órgãos e instituições sobre a situação e veio a público denunciar a escalada da violência armada que ameaça a vida de dezenas de famílias camponesas da Comunidade Chaparral II. Já naquele momento, cerca de dez homens armados ocupavam a área fazendo disparos de arma de fogo, ameaçando moradores, espalhando pânico entre crianças e idosos e bloqueando estradas, chegando a impedir que crianças chegassem ao transporte escolar.
Apesar das notificações anteriores e de os órgãos terem sido novamente oficiados, na tarde de ontem, sobre as novas ameaças e a presença armada registrada — incluindo o Oficial Agrário da Polícia Militar do Tocantins, formalmente notificado e acionado —, nenhuma viatura foi enviada ao local até agora.
A área é de responsabilidade do INCRA, que já concluiu o relatório de levantamento situacional e identificou o imóvel como passível de destinação à Reforma Agrária. Famílias seguem entregues à própria sorte, atacadas a tiros e com suas casas derrubadas. Diante de uma omissão estatal em face de um ataque armado em curso, o risco é inaceitável e pode custar vidas.
DIANTE DA GRAVIDADE E DA URGÊNCIA, COBRAMOS:
A mobilização imediata das forças de segurança para conter a violência armada em curso e proteger a vida das famílias.
Conclamamos a imprensa e toda a sociedade a darem visibilidade a esta situação antes que seja tarde. Cada hora de silêncio aproxima dezenas de famílias camponesas de uma tragédia anunciada.
Comissão Pastoral da Terra — Regional Araguaia-Tocantins (CPT/AT)
Articulação Camponesa de Luta pela Terra e Defesa dos Territórios no Tocantins




