Agosto registra 2ª maior marca de desmatamento na Amazônia

Dados divulgados pelo Inpe apontam que a região teve mais de 1,6 mil km² de floresta destruídos somente no último mês, um aumento de mais de 80% em relação ao mesmo período do ano passado.

Na Deutsche Welle

Agosto registrou um expressivo aumento no desmatamento na Amazônia. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nesta sexta-feira (09/09), 1.661 km² de floresta foram destruídos somente no último mês, o que caracteriza um aumento de 81% em relação ao mesmo período do ano passado.

O resultado indica que esse foi o segundo pior agosto de toda a série histórica, que começou oficialmente em 2004, mas ganhou novos parâmetros de medições a partir de 2015, quando sofreu um aperfeiçoamento nos sensores. Os dados são coletados pelo Deter, programa do Inpe que atua na fiscalização e em alertas de desmatamento.

Nas estatísticas do Inpe, o mês passado fica atrás somente de agosto de 2019, quando 1.714 km² de florestas foram devastados. Em 2021, por exemplo, foram 918 km² destruídos. Contando a partir de 2015, o ano de 2017 foi o que menos sofreu com o desmatamento, tendo 278 km² afetados.

Em 17 de agosto, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) já havia divulgado que a região da Amazônia Legal registrou o maior índice de desmatamento em 15 anos, contando os 12 meses anteriores, entre agosto de 2021 e julho de 2022.

Nesse período, foram derrubados 10.781 quilômetros quadrados de floresta, o equivalente a sete vezes a cidade de São Paulo e 3% a mais do que nos 12 meses diretamente anteriores (entre 2020 e 2021).

A Amazônia Legal é um conceito criado na década de 1950 para promover uma agenda de desenvolvimento para a região. Sua delimitação não é baseada exclusivamente na vegetação, mas inclui conceitos geopolíticos. Por isso, além da Floresta Amazônica, há uma parte do Cerrado e do Pantanal em seu mapa.

Segundo dados atualizados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Amazônia Legal tem uma área de 5,2 milhões de km², o que corresponde a 59% do território brasileiro. Ela engloba os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima,Tocantins e parte do Maranhão, onde vivem atualmente cerca de 28 milhões de pessoas.

Queimadas também preocupam na região

Além do desmatamento, as queimadas são outro problema grave na Amazônia. O último mês de agosto foi, desde 2010, o pior nesse quesito, com 33.116 focos. O número de focos de calor medidos pelos satélites do Inpe entre 1º e 31 de agosto foi cerca de 25,9% superior à média registrada pelo instituto para o mês desde 1998 (26.299 focos).

Nos quatro anos de governo do presidente Jair Bolsonaro, o número de queimadas em agosto sempre superou o patamar de 28 mil, sendo a marca deste ano a mais alta.

Os dados de 2022 superam inclusive os registros de agosto de 2019 (30.900 focos), quando imagens dos incêndios na Amazônia circularam pelo mundo e geraram forte pressão internacional contra o governo brasileiro.

E a expectativa não é nada boa para setembro: de acordo com dados do Inpe, a situação do fogo neste mês já é mais crítica do que no mesmo período de 2021. Atualizadas diariamente, as estatísticas apontam mais de 20 mil focos de incêndio em oito dias, mais do que todo o mês de setembro do ano passado.

Em nota ao jornal Folha de São Paulo, o secretário-executivo do Observatório do Clima, uma rede que agrupa diversas entidades socioambientais, mostrou extrema preocupação com as políticas do atual governo federal para o futuro da região.

“Bolsonaro pode sair do governo, mas deixa de herança para seu sucessor uma crise ambiental na Amazônia como não se via desde os anos 1990 e uma crise social sem precedentes. O crime organizado dominou a região, e a liberação de armas para civis torna muito mais perigosa a tarefa de retomar a fiscalização e o controle do desmatamento”, afirma Marcio Astrini.

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