CNDH cobra da Advocacia Geral da União posicionamento em defesa da História, dos direitos humanos e de João Cândido, o “Almirante Negro”

Tania Pacheco

O Conselho Nacional dos Direitos Humanos – CNDH encaminhou ofício ao Advogado-Geral da União, Jorge Messias, cobrando esclarecimento quanto à posição assumida pelo advogado da União Claudio de Castro Panoeiro, em contestação a Ação Civil Pública ajuizada pelo MPF na 4ª Vara Federal.

Através da ACP, o Ministério Público Federal protesta contra manifestações da Marinha, que “teriam afrontado a memória de João Cândido Felisberto, conhecido como ‘Almirante Negro’, liderança histórica da Revolta da Chibata”. Surpreendentemente – mais ainda por falar em nome da AGU -, o advogado Claudio de Castro Panoeiro parece ter optado por ignorar a História, a defesa dos direitos humanos e a própria Constituição, ao ir contra o MPF e classificar  a ação de João Cândido e dos demais revoltosos como um “ato de insubordinação grave e ameaça à ordem pública”.

Assinado pela presidenta Ivana Cláudia Leal de Souza, o ofício do CNDH (vide abaixo) embasa seu posicionamento para indagar, ao final:

  • Se a Advocacia-Geral da União, como órgão de representação judicial da União, ratifica integralmente os fundamentos históricos e valorativos constantes da Contestação apresentada;
  • Se houve análise, na elaboração da peça processual, de parâmetros constitucionais e internacionais relacionados à memória, à verdade e à vedação de tratamento degradante;
  • Se houve consulta prévia a órgãos especializados em políticas de igualdade racial ou direitos humanos para subsidiar a manifestação judicial;
  • Se a AGU pretende adotar alguma providência complementar para assegurar que sua atuação esteja alinhada aos compromissos constitucionais e internacionais do Estado brasileiro em matéria de direitos humanos.

A resposta do indicado para o STF Jorge Messias não é questão apenas do CNDH. Ela é mais que esperada por tod@s nós, perplex@s ante o posicionamento da AGU na voz do advogado Panoeiro.

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Foto: João Cândido escoltado. Reprodução internet

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