Como inspiração e parâmetro para o que discutiremos neste texto, vale resgatar um episódio envolvendo Wilhelm Reich ocorrido por volta de 1930 e que suscitou um insight significativo na trajetória do psicanalista austríaco, com implicações em seu enfrentamento ao nazifascismo e suas reflexões sobre como uma monstruosidade desse regime pôde emergir e impregnar o metabolismo social alemão, austríaco e de outros países, na Europa e no mundo.
Na Alemanha conflagrada da época, logo após uma briga de rua generalizada entre comunistas e nazistas, parece que houve uma espécie de “debate” entre ambos os polos em disputa, acompanhado por uma multidão estimada em cerca de 20 mil pessoas. Reich presenciou, in loco, o quanto a intervenção do representante nazista e a atuação daquela militância lograram mobilizar os ânimos do público até atingir o “ponto de ebulição”.
Inversamente, a intervenção da liderança comunista, ansiada por grande parte da multidão (incluindo o próprio Reich, que compunha as fileiras do partido à época), consistiu em uma explanação detalhada do orçamento público, competente na concatenação lógica dos argumentos, mas cujo efeito (logo notado pelo psicanalista) foi uma espécie de “esfriamento”, “quebra” do clima entusiástico que havia se espraiado pela multidão. Segundo consta, o episódio contribuiu muito para que “caísse a ficha”: Reich ficou espantado ao presenciar os indícios da engenharia de ignição, mobilização, inflamação e captura de massas pelas vias prioritárias das afetações ou dos afetos, tendo como pano de fundo (objetivo) as avalanches sociais provocadas pela crise econômica de 1929.1
Avalio que o resgate desse episódio pode colaborar com a tarefa de dialogar com o leitor sobre posturas de aclamação, aprovação, aquiescência de milhões de pessoas no Brasil diante da megaoperação com letalidade recordista nos Complexos do Alemão e da Penha, ocorrida em 28 de outubro de 2025, e, ato contínuo, diante de eventos análogos, cujo fulcro é “tocar o terror” (empilhando cadáveres, “se preciso”, para garantir o objetivo). Em texto anterior publicado no Blog da Boitempo, sublinhei que a extrema direita mantém uma “ênfase” (ruidosa) no trato da “segurança pública”. Uma abrangência de milhões de pessoas na sociedade brasileira interpreta tal “ênfase” como uma espécie de “comprometimento”, “implicação”, “escuta” das manifestações de sua insegurança e medo, e seus clamores por “autoridade” e “ordem”. Na outra face dessa interpretação, estaria uma aparência de “desimplicação”, “ausência de escuta”, “distanciamento” perante essas expressões de inseguranças/medos e os clamores por “autoridade” e “ordem” (não raro, também interpretados como uma expressão de “privilégio”).
Por mais estrepitosa que seja, uma “ênfase” isolada não geraria esses efeitos interpretativos; a tal “ênfase” impulsiona e reverbera-se em determinadas formas de sentir-agir-pensar porque é encenada e emitida desde a teia de fatores objetivos e subjetivos que imantam o bolsonarismo. Os carregamentos de fatores objetivos e subjetivos que provocam adesões ou, pelo menos, algum tipo de identificação com o que o bolsonarismo tem a oferecer e propagar permanecem elevados – mesmo considerando os impactos gerados pela prisão de Bolsonaro e pelas disputas intestinas e fratricidas em torno do espólio do bolsonarismo; mesmo considerando as doses de revigoramento do campo lulista/governista emanadas, dentre outros fatores, pela aprovação da isenção do Imposto de Renda para pessoas com rendimento mensal de até 5.000 reais (e redução de alíquotas para rendimentos entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350), pelo repúdio à chamada PEC da blindagem2, pela explicitação de posturas mais resolutas diante das taxações econômicas estadunidenses e intromissões em assuntos internos etc.
Um dos vários emaranhados de fios dessa teia de fatores objetivos e subjetivos é formado pela imbricação de hiperindividualismos/“ensimesmamentos”, por um lado, e, por outro, a sensação/interpretação da sociedade como a “selvageria” do “cada um por si e todos contra todos”. Dentre os vários desdobramentos dessa imbricação, cito um, condizente com os propósitos do texto: uma espécie de extravasamento securitário, que impulsiona um ethos securitário. De onde vêm essa imbricação e seus desdobramentos?
Um trajeto explicativo plausível pode ser o seguinte: muitos(as) trabalhadores(as) nas periferias urbanas brasileiras compõem o amálgama de pós-assalariamento e não-assalariamento de massas, cujo cerne da “viração” diária é correr atrás de rendas não salariais ou pós-salariais. Nesse cenário, as partilhas de vivências no e pelo trabalho são ínfimas; e os custos econômicos e subjetivos são externalizados, recaindo sobre os ombros dos próprios trabalhadores, sem direitos trabalhistas, previdenciários, sem respaldo sindical. Esse “cada um por si” não contém somente um traço subjetivo individualista: ele expressa, também, um fundamento objetivo. Logo, não é exagerada a leitura na qual, de fato, esses sujeitos atuam assujeitados a uma base objetiva do “cada um por si e todos contra todos” e, enquanto tal, precisam mobilizar preparações corporais e psíquicas em trajetórias maquínicas/maquinais, em termos de adestramentos, que alavancam formas hiperindividualistas de agir-sentir-pensar e revolvem uma mescla de sentimentos/afetações de inseguranças/medos, ódios (destrutivos) e ressentimentos. Junto a isso, muitos(as) desses(as) trabalhadores(as) nas periferias urbanas brasileiras encontram-se emparedados(as) entre “normatividades” territoriais armadas perpetradas por facções do narcotráfico ou por milícias, bem como submetidos à prerrogativa estatal de, subitamente, “tocar o terror”. E, aí, atreladas à sensação e à interpretação de que a sociedade é uma “selvageria do cada um por si e todos contra todos”, irrompem formas de sentir e interpretar a sociedade como um “todo social hostil”, comandado por “poderes inatingíveis”. Isso remete ao aspecto traumatizante/traumatofílico desses eventos violentos, que diz respeito ao transbordamento da capacidade psicofísica de assimilação, processamento e elaboração ante sua exacerbação, virulência, ostensividade. Essa violência é impingida, além disso, em contextos sociais que já carregam bases traumatofílicas, instaladas no emaranhado de dominação econômica (em grande parte, não ou pós-salarial), segregação socioespacial, “gestões” armadas de territórios pelo narcotráfico e/ou milícia, prerrogativa governamental de “tocar o terror”, desvalias institucionais etc. Essas injunções traumatizantes/traumatofílicas municiam “ensimesmamentos” subjetivos (defensivos), muito suscetíveis a adquirir contornos securitários (desembocar no “encantamento” armamentista bolsonarista, de caráter individualista, e espelhar os métodos de avacalhações/conturbações societárias e institucionais do bolsonarismo)3.
“Tocar o terror” empilhando cadáveres – e mostrar que se é capaz de, subitamente, “tocar o terror” – constitui o eixo de governança do campo político da extrema direita, amoldado ao extravasamento e ao ethos securitários. Isso abastece posturas de aclamação, aprovação, aquiescência e/ou conivência diante de intervenções como a de 28 de outubro de 2025 que, ao mesmo tempo, abastecem-se dessas posturas. Ainda sobre a Operação Contenção, cabe registrar os depoimentos de dois agentes de Segurança Pública, com funções relevantes na Polícia Militar do Rio de Janeiro e na Polícia Federal, durante uma audiência da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso Nacional. O primeiro questionou-se sobre “o que mudou efetivamente para o cidadão que mora lá?”, enquanto o segundo afirmou que a megaoperação “foi algo ínfimo dentro do poder do Comando Vermelho e das outras facções na estrutura do Rio de Janeiro”. Esses depoimentos servem para ilustrar que circula na sociedade brasileira, em perspectivas e níveis distintos, alguma noção/compreensão de que a operação não perpetrou, de fato, nenhuma contenção ao Comando Vermelho; não abalou as redes de financiamento, as “cadeias produtivas”, as teias de ganhos monetários, as lavanderias de dinheiro etc. Logo, em níveis e perspectivas distintos, a partir dos diferentes marcadores sociais e territoriais, chega-se, pelo menos, à suposição de que a finalidade primordial não era, exatamente, de contenção efetiva e imediata da facção criminosa. Uma das consequências dessa suposição é a emergência de crostas de aceitação ativas ou passivas do desiderato de se “tocar o terror”.
A partir daí, de modo esquemático, é possível observar que entre a elite econômica e a camada abastada da classe média urbana parece prevalecer uma espécie de aclamação às megaoperações que “tocam o terror”, com cariz povofóbico, marcada pelos vestígios coloniais e escravocratas da formação social brasileira. Os setores médios não abastados, sobretudo aqueles que vivenciam uma contiguidade/tangencialidade com áreas e dinâmicas das periferias urbanas, parecem arrastar uma espécie de ambivalência: a existência da massa de pessoas pauperizadas e concentradas nas periferias representa uma “ameaça” e, ao mesmo tempo, lhes oferecem a parca experiência de não compor o “fosso” social. Com isso, esses setores ficam suscetíveis ao fornecimento de lastros de apoio, aquiescência, mas também aclamação a essas intervenções que “tocam o terror”. Na massa de pessoas concentradas nas periferias urbanas, espremida entre a dominação econômica (em grande parte, não ou pós-salarial), a “gestão” armada de territórios do narcotráfico e/ou milícia e a prerrogativa governamental de “tocar o terror”, o peso traumatofílico/traumatizante tende a forçar posturas de aquiescências (o que exige tato na escuta dos clamores por “autoridade” e “ordem”).
Falando do campo político da esquerda, representantes destacados atuaram no debate público para repudiar mais uma chacina em território periférico e firmar posicionamento contrastante à meta prevalecente de “tocar o terror”. Nessa atuação, um dos recursos foi tomar como paradigma (direto e indireto) a Operação Carbono Oculto que, de fato, em termos de “amplitude” e de “cooperação institucional”, pode ser considerada “a maior operação contra o crime organizado do país”, por ter mirado e atingido um vasto e sofisticado esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e um gigantesco montante de rentabilidade monetária com a produção, distribuição e venda de combustíveis adulterados.
Por meio de cerca de mil postos de combustíveis, fintechs e fundos de investimentos, o Primeiro Comando da Capital movimentou cerca de R$ 52 bilhões, entre 2020 e 2024. Considerando que a cúpula do crime – sua “cabeça” – não está instalada em nenhum “barraco” localizado em território periférico; considerando que os tentáculos do crime se encontram espraiados pela economia formal e pelas instituições do Estado, uma operação com esse alcance e características, de fato, se torna imprescindível. Em consonância, também se torna imprescindível uma pujante e criativa atuação no debate público, com a ressalva de que os propósitos didáticos dependem da disposição e demonstração de um empenho de vinculação com as pessoas comuns. Quando esse paradigma contrastante, voltado às cúpulas do crime, manifesta-se como algo episódico e não estabelece pontes diretas com as cotidianidades periféricas locais, pouco afetando-as, pode chegar nas pessoas comuns somente como uma espécie de exortação no plano intelectivo/intelectual, passível de gerar um entendimento com viés abstrato, posto que as implicações afetivas e o senso de pertencimento não emanarão necessariamente da (correta) concatenação lógica dos enunciados. Em situações como essa, déficits de afetação/implicação/pertencimento e déficits de conexões com o dia a dia articulam-se e confluem para o referido viés de abstração.
Alongando o argumento, cabe assinalar: no caso da facção Comando Vermelho, alvo da Operação Contenção, verifica-se, atualmente, um alcance não apenas nacional, mas também internacional. Porém, associada a ambas as escalas, a facção enraíza a atuação em escopos locais, impondo formas de “normatividades” nos territórios periféricos sob os auspícios das armas que blindam, além do comércio das drogas tornadas ilícitas, os ganhos monetários decorrentes de “taxas de proteção”, transportes, combustíveis, “ferros-velhos”, gás de cozinha, gelo, cigarros, TV, internet, mercado fundiário, mercado imobiliário etc – uma miríade de atividades oriundas, de um lado, de uma espécie de “milicianização” e, de outro, de uma espécie de “fintechnização”, e que impactam diretamente os agenciamentos cotidianos de vida de milhões de pessoas nas periferias urbanas. Logo, para se efetivarem pretensões de restabelecimento de vínculos com essas pessoas, não se pode subestimar o fato de que os agenciamentos das vidas cotidianas delas são atravessados pelas governanças territoriais armadas das facções do narcotráfico ou das milícias.
A (indispensável) postulação de enfrentamento das cúpulas criminosas (e de seus tentáculos na economia formal e nas instituições estatais) não pode passar ao largo dessa dimensão diretamente implantada na cotidianidade, sob pena das iniciativas de conexão com as pessoas comuns se restringirem a uma espécie de exortação de caráter predominantemente intelectivo, que conduz a entendimentos (quando conduz) de viés abstrato. Esse tipo de assimilação (relativamente) desafetado tende a ficar mais suscetível à desconfiança, e esse “vácuo de confiabilidade” mais passível de ser preenchido pela “ênfase” na “segurança pública” da extrema direita, que faz do empilhamento (seletivo) de corpos expediente corriqueiro. Assim, é importante o zelo de não tratar, de antemão e automaticamente, a insegurança, o medo e o pedido de ordem e autoridade que muitas dessas pessoas que habitam periferias urbanas manifestam como “ideologia de extrema direita”. No vácuo de escuta, mediante um complexo de determinações objetivas e subjetivas, essas pessoas podem ficar mais suscetíveis de adquirir essa crosta ideológica, de difícil transposição, sobretudo pelo emaranhado turbulento de representações e solavancos afetivos impingidos pelos bombardeios semióticos e pelo modus operandi político do bolsonarismo, cujo efeito básico é de reforço traumatofílico/traumatizante na imbricação entre hiperindividualismo, “ensimesmamento”, sensação/interpretação da sociedade como “selvageria do cada um por si e todos contra todos” e ethos securitário.
Conforme destacado, “tocar o terror” e, atrelado a isso, “esfregar na cara” que se é capaz de “tocar o terror” (de modo súbito, preferencialmente) constituem dispositivos de governança manejados pela extrema direita. Ademais, engendram reservatórios de munições pesadas para incidir nas disputas políticas e geopolíticas vigentes. 2026 é ano eleitoral. Tentar gravitar o debate político-eleitoral em torno do que chamam “segurança pública”, em contexto de bombardeios semióticos, encontra ressonância social. Aliás, investigações dos cálculos eleitorais estratégicos da extrema direita em 2026 apontam para a centralidade que está sendo conferida ao Senado Federal, pelas prerrogativas de conturbação que uma maioria nessa casa legislativa poderia acarretar não apenas em um provável quarto governo Lula, mas conturbando o próprio regime político-institucional vigente. Dentre tais prerrogativas, por exemplo, encontra-se a de aprovar indicações presidenciais de ministros(as) do Supremo Tribunal Federal e de julgar pedidos de impeachment desses(as) ministros(as). A eleição para o Senado Federal será muito desafiadora para o campo lulista/governista: 54 vagas estarão em disputa (duas por Unidade Federativa), o equivalente a dois terços da casa. O campo bolsonarista apela, ostensivamente, para o ethos securitário e privilegia candidatos com esse perfil.
Ademais, dentro do rol dessas munições pesadas para se incidir nas disputas políticas e geopolíticas vigentes, repetir, ad nauseam, que o alvo das megaoperações são “narcoterroristas” favorece o alinhamento geopolítico com o imperialismo estadunidense: no caso de um enquadramento criminal de traficantes como terroristas, o país ficaria franqueado, inclusive, a invasões militares. No contexto da Operação Contenção, cabe citar que, ao arrepio da legislação brasileira, passando por cima do Ministério da Justiça, o governo do estado do Rio de Janeiro entregou um relatório de Inteligência a representantes do governo federal dos EUA4. À época, próceres do bolsonarismo gritaram por intervenção militar estadunidense no país. Depois do bombardeio à Venezuela e do sequestro do Presidente Nicolás Maduro, amplificaram os gritos. Essa militância subserviente (e essa militância por subserviência) ressoam a abdicação (enfática) de qualquer iniciativa de “rabisco” de uma (re)atualização de um projeto de desenvolvimento nacional (no que for possível, diante da fronteira tecnocientífica estratosférica), sobretudo se essa (re)atualização considerar o aprofundamento da inclusão das pessoas pauperizadas no orçamento público, a ativação de mecanismos de distribuição direta de renda/riqueza e a ampliação da participação popular como ferramenta de governabilidade. Essa abdicação pode ser notada como uma das marcas de uma “lumpemburguesia” atrelada à predominância financeiro-rentista, aos dispositivos da “acumulação por despossessão ou desapropriação”5 e eivada, ainda, de traços das raízes coloniais, escravocratas e latifundiárias da formação social brasileira e da prevalência de uma modernização concentradora de renda e riqueza, infensa à participação popular. Ao “andar de cima”, o bolsonarismo franqueia contornos e instrumentos para o atrelamento ao capitalismo de pilhagem. Ao “andar de baixo”, “manuais de sobrevivência” nos entrincheiramentos hiperindividualistas e securitários (além de “farrapos” de conexões a essas pessoas e entre essas pessoas “entrincheiradas”, por mais paradoxal que isso possa ser).
As movimentações para as eleições de 2026 já estão “bombando”, e a extrema direita já se “lambuza” no extravasamento securitário (mirando com atenção especial, sem abdicar dos demais, o pleito do Senado Federal, tratado como tão ou mais estratégico que a disputa da Presidência da República). Os fatores objetivos e subjetivos que imantam o bolsonarismo permanecem consideravelmente elevados. Diante disso, engajar-se nos desafios de (re)conexões com as pessoas comuns, com suas respectivas cotidianidades, enseja antídotos antibolsonaristas de suma importância, que perfazem finalidades não apenas políticas, mas, coetaneamente, éticas e afetivas.
Nessa direção, à guisa de uma conclusão em movimento, não derrotista, é digna de nota a atuação da Secretaria-Geral da Presidência da República, sob a liderança do ministro Guilherme Boulos, empenhada em expandir os canais de escuta e interação com segmentos que compõem a massa de trabalhadores não assalariados e pós-assalariados, e com pessoas que professam a fé evangélica – para registrar, a título ilustrativo, dois universos de pessoas na sociedade brasileira cujas conexões com o campo político da esquerda ainda se mantêm rarefeitas. Assim, a Secretaria-Geral da Presidência da República assegura passos importantes nessa longa caminhada, em consonância com o trabalho desenvolvido pela Secretaria Nacional de Periferias, sob liderança de Guilherme Simões, bem como em consonância com as perseveranças dos trabalhos de base de alguns movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.
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Notas
- Episódio registrado em Sharaf, Myron. Fury on Earth. A biography of Wilhelm Reich. New York: St. Martin’s Press / Marek, 1983. Agradeço, aqui, ao amigo, pesquisador e professor Pedro Rocha de Oliveira pelos diálogos acerca do episódio mencionado e pelos contínuos ensinamentos que estimulam o desenvolvimento das pesquisas sobre o bolsonarismo.
- Proposta legislativa de mudança da Constituição Federal para determinar a vedação de abertura de ações penais a Deputados e Senadores sem prévia autorização da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Aprovada na Câmara dos Deputados, foi posteriormente rejeitada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, na esteira de mobilizações de rua.
- A inspiração desse debate sobre “traumatizações” remonta ao psicanalista Sándor Ferenczi. Por exemplo, em Ferenczi, Sándor. Confusão de língua entre os adultos e a criança. In: Obras Completas. Psicanálise IV. São Paulo: Martins Fontes, 2011.
- A Lava Jato, aliás, já havia feito algo análogo, estabelecendo laços com instituições do Estado norte-americano que subsidiaram ações judiciais contra a Petrobras e a cominação de multas à empresa naquele país.
- Harvey, David. O novo imperialismo. São Paulo: Loyola, 2004.
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Felipe Brito é docente do curso de Serviço Social da UFF (Universidade Federal Fluminense) no Campus de Rio das Ostras. Pela Boitempo, organizou, com Pedro Rocha de Oliveira, o livro Até o último homem: visões cariocas da administração armada da vida social (2013). Autor do artigo “Territórios Transversais” (em conjunto com Pedro Rocha de Oliveira), que integra o livro Cidades Rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil.
Manifestação no Complexo da Penha contra a chacina de Claudio Castro. Foto: Julia Sena / Agência Pública




