Mulheres Sem Terra lançam Carta Manifesto em Jornada Nacional Nacional de Lutas

Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar!

Da Página do MST

A Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra reafirma, neste ano de 2026, a força histórica da organização das mulheres na luta por justiça social, igualdade e transformação da sociedade. Em todo o Brasil, mulheres Sem Terra se mobilizam para denunciar as múltiplas violências que marcam a vida das mulheres no campo e na cidade e para afirmar que somente com organização popular, luta coletiva e participação ativa das mulheres será possível construir um país verdadeiramente democrático.

A jornada também se assenta na memória e na continuidade das lutas do povo brasileiro pela terra. Ao lembrar os 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, as mulheres Sem Terra reafirmam que a Reforma Agrária Popular é uma tarefa urgente e indispensável para enfrentar a concentração fundiária, garantir a soberania alimentar e combater a fome, a pobreza e a crise ambiental que atingem milhões de brasileiros e brasileiras.

Diante de um contexto de aprofundamento das desigualdades, da violência contra as mulheres e do avanço de um modelo de desenvolvimento baseado no latifúndio e na exploração da natureza, as mulheres Sem Terra se levantam para denunciar as injustiças e anunciar um projeto de sociedade baseado na solidariedade, na igualdade e no respeito à vida. A jornada é, portanto, um chamado à mobilização coletiva para enfrentar as violências, ocupar os territórios e organizar o povo na construção da Reforma Agrária Popular.

Leia na íntegra: 

Carta Manifesto:

Nós, mulheres Sem Terra, estamos em luta, em todas as regiões do Brasil, exercendo o legítimo direito de nos manifestar, reivindicar o que é nosso e denunciar o conjunto das violências que atravessam a nossa existência, nossos corpos e territórios.

Trazemos a memória de 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás para demarcar a Reforma Agrária Popular como indispensável para a construção de um país justo e solidário, em que, com democratização da terra e soberania alimentar, superaremos a fome e a crise ambiental. É legítimo enfrentar o latifúndio num país como o Brasil, que possui uma das maiores concentrações de terra do mundo, onde 1% dos proprietários são donos de quase 50% das terras agricultáveis. Em meio a esta vergonhosa e injusta distribuição de terras, existem mais de 100 mil famílias Sem Terra acampadas pelo direito de produzir e viver com dignidade.

Diante deste cenário, as mulheres Sem Terra estão em luta para exigir resposta do Governo Lula para as famílias que estão há décadas acampadas, em situação de violência e vulnerabilidade social. O MST reivindica o assentamento emergencial de sua base, como forma de garantir a dignidade e o direito de sonhar com o futuro. Basta de benesses do Estado ao agronegócio, que segue sonegando impostos e violentando o campo a partir da concentração, da destruição e do evenenamento da natureza e seus povos. Alertamos, não cairemos nos disfarces do capitalismo verde. As mulheres denunciam as falsas alternativas do capital!

Vivenciamos uma escalada da violência contra meninas e mulheres, reflexo de um projeto de poder que divide a sociedade em classes, gêneros e raças como estratégia de exploração e dominação. Por isso, seguimos permanentemente mobilizadas para derrotar as violências e construir relações humanas baseadas no afeto, na solidariedade e na igualdade. Nos queremos vivas e livres, mas para que isso se efetive é preciso o empenho do conjunto da sociedade, e em particular dos homens, para que superemos o atual estado de guerra contra nossas vidas.

Guerra que também é utilizada pelo Império estadunidense como forma de resolução de suas crises, que matam milhares de jovens, crianças, populações não brancas, trabalhadoras e trabalhadores ao redor do mundo, visando lucro e poder. Uma engrenagem violenta, conduzida à distância, em geral por homens, brancos e ricos.

Reafirmamos o direito incondicional à soberania dos povos. Por isso, defendemos o fim do bloqueio à Cuba; bem como à libertação imediata do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira combatente e deputada Cília Flores, sequestrados no início deste ano por Donald Trump. Repudiamos o genocídio contra a Palestina e a ação violenta dos Estados Unidos contra o Irã, que matou 168 meninas em uma escola em um único ataque.

Seguimos sendo um alvo, mas estamos em luta para que a vida floresça!!! Em cada mulher que quebra correntes e segue abrindo caminhos, no romper das cercas do latifúndio, no território indígena que resiste, na comunidade quilombola que celebra seus ancestrais, na mesa farta servida com alimentos livres de agrotóxico, na família acampada que planta resistência na luta pela terra, na criança que brinca feliz, na juventude que volta da escola animada, nas cores da diversidade dos sujeitos LGBTI+, na peraltice dos animais, no rio que segue seu curso sem o risco de ser interrompido pela ganancia do capital, na floresta em pé, na anciã que declama a poesia, na condenação dos mandantes do assassinato de Marielle e Anderson, na articulação entre as organizações populares do campo e da cidade, no cultivo da solidariedade entre a classe trabalhadora de todo o mundo, na soberania de todos os povos: a vida floresce!

A luta é nossa força. A organização popular é o nosso chão, é o nosso caminho para a construção de uma sociedade justa, livre, solidária e socialista!

Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar!

Brasil, 8 a 12 de março de 2026

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