Caso Master: como investigações conectam a CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado 

Em frentes diferentes de atuação, comissões chegam aos mesmos atores e empresas ligados ao banco de Daniel Vorcaro

Por Isabel Seta | Edição: Ludmila Pizarro, Agência Pública

De um lado, a Operação Sem Desconto, iniciada em abril de 2025, uma investigação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria Geral da União (CGU) sobre fraudes no INSS, que levaram a desvios de pelo menos R$ 6,3 milhões de aposentados e pensionistas desde 2019. De outro, a Operação Carbono Oculto, deflagrada cerca de quatro meses depois, protagonizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela PF sobre a infiltração do PCC no mercado financeiro, que expôs o uso de postos de combustíveis e fundos de investimento para lavar dezenas de bilhões de reais em dinheiro ilícito.

No meio, o Banco Master, alvo de uma terceira investigação, deflagrada pela Polícia Federal, a Operação Compliance Zero, para apurar suspeitas de fraudes de pelo menos R$ 12 bilhões (envolvendo, inclusive, crédito consignado para beneficiários do INSS), lavagem de dinheiro, manipulação de mercado e outros crimes relacionados ao banco, que se valia de uma rede de fundos suspeita de conexões com a facção criminosa.

Para completar, diante das suspeitas do envolvimento de políticos e agentes públicos nos esquemas, duas comissões parlamentares de inquérito – a CPMI do INSS, composta por deputados e senadores, e a CPI do Crime Organizado, formada apenas por senadores – resolveram acompanhar todas essas investigações.

Essas diferentes frentes têm protagonizado as manchetes do noticiário político e policial há meses. No Congresso, ambas comissões têm se debruçado sobre o Master, ainda que por caminhos diferentes, mas com muitos casos e personagens que se cruzam, a começar por Daniel Vorcaro, controlador do banco Master.

Alvo de vários requerimentos de convocação e quebras de sigilo pelas duas comissões, ele está preso desde o início de março e não precisou comparecer nem à CPMI do INSS e nem à CPI do Crime Organizado, amparado por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, negocia com a PF e com a Procuradoria-Geral da República (PGR) uma delação premiada.

Na CPMI do INSS, a principal frente de investigação relacionada ao Banco Master é sobre as suspeitas de fraudes em empréstimos consignados aos beneficiários do INSS. Já na CPI do Crime Organizado, os senadores procuram entender se as operações do banco e de Vorcaro, que se valiam de uma rede de fundos de investimento administrados pela gestora Reag, estão conectadas com práticas de lavagem de dinheiro por facções criminosas.

Por que isso importa?

  • Criada em maio do ano passado, a CPMI do INSS analisou mais de 2.200 requerimentos e avaliou fraudes que podem chegar a R$ 40 bilhões.
  • Um dos objetivos da CPI do Crime Organizado é aprofundar as investigações que ligam os fundos de investimentos suspeitos de fraude e políticos.

São frentes interligadas. Segundo as investigações em andamento, o Master teria operado um amplo sistema de fraudes para inflar os números do banco, enquanto desviava recursos. Uma das táticas era a oferta de modalidades de crédito consignado aos aposentados e pensionistas do INSS. Para isso, o Master tinha um Acordo de Cooperação Técnica com o instituto, suspenso em outubro do ano passado pelo próprio INSS, diante de suspeitas de irregularidades em 74% dos contratos de crédito consignado realizados pelo Master, o que equivale a 250 mil acordos.

O banco também teria movimentado grandes somas por meio de triangulações complexas para, no final das contas, financiar a si mesmo, emprestando dinheiro para empresas recém-fundadas que, por sua vez, aplicavam em fundos geridos pela Reag. Na Operação Carbono Oculto, o MPSP identificou bilhões de reais do PCC que teriam sido lavados em fundos de investimento, vários deles da Reag.

Uma reportagem do Estadão, inclusive, mostrou que a empresa PKL One, que intermediava a venda e cobrança do cartão consignado do Master, o Credcesta, está abrigada na rede de fundos administrados pela Reag. No final de fevereiro, a CPMI do INSS aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal da PKL One, mas a medida foi suspensa por decisão do ministro do STF Flávio Dino, que anulou todos os requerimentos de quebras de sigilo aprovados em bloco na sessão de 26 de fevereiro.

“Dentro dessa estrutura, o capital transitava por múltiplas camadas de ativos com baixa liquidez e valores artificialmente inflados. O ciclo se encerrava com o retorno dos recursos ao sistema de origem, configurando uma operação de circularidade financeira destinada a mascarar rombos patrimoniais e simular solidez contábil”, descreveu o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, ao pedir a quebra de sigilos do Master.

“É fundamental dissecar a função que o Banco Master desempenhou como a ‘bomba de sucção’ e posterior ‘distribuidor’ de recursos ilícitos. A quebra dos sigilos é a medida basal para rastrear o caminho do dinheiro e identificar a destinação final dos recursos captados fraudulenta”, afirma o requerimento de Vieira, que foi aprovado no final de fevereiro.

A CPI do Crime Organizado também já aprovou as quebras dos sigilos da Reag entre 2020 e 2026, solicitou relatórios de inteligência financeira pelo Coaf e informações sobre a gestora pelo Banco Central. As investigações da Polícia Federal apontam que fundos administrados da gestora podem ter movimentado cerca de R$ 250 milhões para o PCC e também terem sido usados nas operações fraudulentas do Master.

O fundador e ex-presidente do Conselho de Administração da Reag, João Carlos Falbo Mansur, chegou a prestar depoimento à CPI em 11 de março, mas se valeu do direito ao silêncio na maior parte do tempo. Na ocasião, ele negou qualquer conexão com o PCC, disse que o Master era apenas um cliente e que todas as operações da Reag eram auditadas.

Prazo está se esgotando

Ambas comissões têm pouco tempo disponível para concluir as investigações. A CPMI do INSS, mesmo com a prorrogação anunciada pelo seu presidente, senador Carlos Viana (Podemos-MG) nesta quinta-feira, 26 de março, deve finalizar suas atividades no próximo sábado, 28. Isso porque o plenário do STF suspendeu a decisão do ministro André Mendonça de aumentar o prazo da comissão. O relator da CPMI, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) declarou que pretende apresentar o relatório nesta sexta-feira (27) e que o documento terá cerca de 5 mil páginas e mais de 200 pedidos de indiciamento.

Tanto Viana como Gaspar defenderam a extensão do prazo da CPMI por mais 120 dias para continuar as apurações, mas o pedido não foi analisado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Já a CPI do Crime Organizado está prevista para acabar no dia 14 de abril e também já pediu a prorrogação a Alcolumbre.

Agora, alguns senadores querem formar ainda uma terceira comissão específica sobre o Banco Master. Nesta quarta-feira, 25 de março, um grupo de seis parlamentares entrou com um pedido no STF para obrigar o presidente do Senado a instalar a comissão – o requerimento de pedido de abertura, com 51 assinaturas, está parado na mesa da presidência desde novembro do ano passado. Três senadores que foram ao STF integram as duas comissões já instaladas: Alessandro Vieira (MDB-SE), Damares Alves (Republicanos-DF) e Eduardo Girão (Novo-CE).

Veja as principais conexões entre o escândalo do Master e as duas comissões parlamentares.

Banco Master e Daniel Vorcaro

O Banco Master foi citado pela primeira vez na CPMI do INSS no depoimento do advogado Eli Cohen, em 1º de setembro do ano passado, dois meses antes de o Banco Central determinar a dissolução do banco e de Vorcaro ser preso preventivamente pela primeira vez, junto com outros executivos do Master – também alvos das comissões. 

Cohen, considerado o primeiro a investigar de forma privada e depois denunciar o esquema de descontos indevidos de aposentados e pensionistas, acusou bancos de operarem fraudes em empréstimos consignados para aposentados, entre eles o Master. Na ocasião, porém, poucos parlamentares deram atenção à menção ao Master. Dois deputados chegaram a apresentar requerimentos para convocar Vorcaro, mas eles não foram pautados de imediato.

O cenário mudou depois que o banqueiro e outros dirigentes foram presos em 18 de novembro e após a CPMI, no mesmo mês, receber informações da Secretaria Nacional do Consumidor. Segundo o órgão, o Master era um dos bancos com maior número de reclamações relacionadas à produtos de crédito consignado, o que motivou novos pedidos para convocá-lo e prestar esclarecimentos sobre a atuação do banco.

No início de dezembro, os parlamentares aprovaram a convocação de Vorcaro e as quebras de seus sigilos bancário, fiscal e telemático. A coisa, porém, não andou: o ministro do STF Dias Toffoli, então relator do inquérito sobre o Master, impediu que a CPMI tivesse acesso aos dados das quebras de sigilos. Essa decisão só foi revertida no final de fevereiro por André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso depois da saída de Toffoli.

Por alguns dias, os parlamentares, munidos de papel e caneta (já que o uso de equipamentos eletrônicos foi proibido), puderam acessar os dados em uma sala-cofre. Não durou muito. Depois de vazamentos de conversas íntimas de Vorcaro com sua ex-namorada Martha Graeff, Mendonça voltou atrás e, no último dia 16, determinou que todos os documentos fossem devolvidos à Polícia Federal para que o conteúdo sobre a vida privada do banqueiro fosse excluído.

Já a CPI do Crime Organizado, assim que retomou os trabalhos em fevereiro, se voltou para Vorcaro e para o Master por entender que as relações dele com a Reag se encaixam em um dos principais objetivos da comissão: compreender como o crime organizado se infiltrou no sistema financeiro. Já na segunda sessão do ano, em 25 de fevereiro, os senadores aprovaram a convocação de Vorcaro e a quebra de sigilos do Master.

“É necessário apurar se houve a prática de ‘cegueira deliberada’, por meio da qual a gestão do banco teria optado por ignorar a origem criminosa de aportes bilionários para inflar artificialmente seus balanços e, subsequentemente, tentar transferir esses ativos de origem ilícita para instituições públicas (como o BRB)”, afirmou Vieira, autor de um dos requerimentos aprovados.

Já Eduardo Girão afirmou que a suspeita de uso de estruturas financeiras operadas pela rede do Master para ocultar e reinserir valores “oriundos do PCC” mostrariam a conexão do esquema do Master ao crime organizado, “demonstrando que o caso transcende mera fraude bancária e alcança dimensões de segurança pública e infiltração criminal no sistema financeiro nacional”, como escreveu ele.

O cunhado Fabiano Zettel, ligado à igreja Lagoinha Global

Cunhado de Vorcaro e considerado pela PF como o operador financeiro da organização criminosa supostamente liderada pelo banqueiro, o empresário e ex-pastor Fabiano Zettel também está preso e na mira das comissões no Congresso, mas, amparado por habeas corpus, ele não prestou depoimento aos parlamentares.

A CPI do Crime Organizado aprovou a quebra de vários sigilos de Zettel (bancário, fiscal, telefônico e telemático – este último são dados de plataformas digitais, como Meta e Google) para analisar sua proximidade com Vorcaro e a eventual participação em estruturas societárias que estão sendo investigadas. Recentemente, a CPMI do INSS pediu o compartilhamento desses dados. Além disso, o senador Humberto Costa (PT-PE) apontou as conexões de Zettel com a Reag, investigadas na Carbono Oculto.

“Fundos de investimentos controlados por Zettel, como o fundo Arleen, foram utilizados para realizar operações financeiras com pivôs da Carbono Oculto, servindo como duto para a lavagem de recursos de origem ilícita. A quebra de sigilo de Fabiano Zettel é fundamental para rastrear o fluxo financeiro entre seus fundos, a Reag, o Banco Master e os operadores do PCC, identificando os beneficiários finais das operações e a extensão da infiltração do crime organizado no sistema financeiro formal através de estruturas familiares e religiosas”, afirmou o senador. O fundo Arleen é justamente aquele que comprou parte da participação de uma empresa da família do ministro Dias Toffoli no resort Tayayá, no Paraná.

Estruturas religiosas supostamente ligadas a Zettel também apareceram na CPMI do INSS em mais uma rede complexa de conexões pela possível relação com os descontos ilegais em aposentadorias.

Em vários momentos, o deputado Rogério Correia (PT-MG) apontou para a proximidade entre Zettel e André Valadão, líder da igreja Lagoinha Global. A igreja possui uma fintech, a Clava Forte Bank, suspeita de integrar a fraude do INSS. 

“Eu tenho comprovações de que tanto o Vorcaro como o Pastor Zettel, André Valadão e a Clava Forte Bank também receberam recursos que vieram de pessoas aposentadas. Nós precisamos investigar isso, fazer a quebra [de sigilo], para ver se isso era dízimo ou se era lavagem de dinheiro”, afirmou o deputado no início de dezembro.

Valadão, apontado como sócio do sogro de Zettel e pai de Daniel, Henrique Vorcaro, foi alvo de requerimentos para comparecer à CPMI, mas eles ainda não foram analisados. Correia também pediu quebras de sigilos de Valadão e da Clava Forte para investigar se havia um canal de circulação de valores desviados entre a fintech, o Master e outras instituições relacionadas a Zettel. Os requerimentos, porém, também não foram votados pelos parlamentares.

Correia e outros deputados também chamam a atenção para a proximidade entre Valadão e Felipe Machado Gomes, presidente de uma das associações suspeita de fraudar o INSS e investigado no STF por organização criminosa, lavagem de dinheiro e estelionato qualificado. Aos 35 anos, Gomes gastava mais de R$ 100 mil por mês em grifes de luxo, como mostrou o Metrópoles, e tinha vários carros de luxo, apreendidos em uma operação da PF em outubro autorizada por Mendonça. Amigo de Valadão, Gomes patrocinou evento de réveillon da Lagoinha em 2024. “Essa movimentação financeira ocorreu no auge da farra dos descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas”, afirma Correia. 

BK Bank e a relação com o crime organizado

O plano de trabalho da CPI do Crime Organizado prevê investigar o uso de fintechs em operações de lavagem de dinheiro. Uma das fintechs na mira é a BK Bank. Em 25 de fevereiro, os senadores aprovaram a quebra dos sigilos bancário e fiscal da BK Bank e o envio, pelo Coaf, de relatórios sobre as movimentações financeiras.

“As apurações conduzidas pela PF e pelo MPF identificaram que o BK Bank operava como uma engrenagem essencial para a movimentação de recursos ilícitos ligados ao PCC. A instituição, sob a roupagem de fintech e emissora de cartões de benefícios, teria sido utilizada como instrumento de ocultação patrimonial, funcionando como verdadeira “caixa preta” que dificultava a rastreabilidade das operações. Foram detectadas transações bilionárias irregulares, estimadas em dezenas de bilhões de reais, que apontam para práticas de lavagem de dinheiro”, afirmou o senador Jaques Wagner (PT-BA), no requerimento que solicitou as quebras de sigilo.

Meses antes, ainda em outubro do ano passado, a relação da fintech com o PCC foi citada na CPMI do INSS, durante o depoimento justamente de Felipe Machado Gomes, que, se valendo de um habeas corpus, permaneceu em silêncio diante das perguntas dos parlamentares.

“A pergunta que não quer calar: os senhores usaram a estrutura do BK Bank, a mesma estrutura usada pelo PCC, o senhor é membro do Primeiro Comando da Capital? O senhor é parte integrante do PCC?”, perguntou o relator Alfredo Gaspar (União-AL).

Dias antes, a PF havia realizado uma operação contra Gomes e outros jovens presidentes de entidades envolvidas no esquema de fraudes do INSS.

“Segundo as investigações, Felipe Macedo, Américo Monte, Anderson Cordeiro, que têm o mesmo advogado, ao que tudo indica, utilizavam a BK Bank como elo de esquema da lavagem de dinheiro e evasão de divisas, a mesma fintech utilizada pelo PCC, pelo esquema do crime organizado. O dinheiro que eles roubaram dos aposentados, eles lavavam nas mesmas conexões que o PCC”, afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) na ocasião, durante sessão da CPMI.

Um reincidente de CPIs: Danilo Berndt Trento

A BK Bank aparece relacionada a outro personagem, um reincidente em comissões parlamentares de inquérito: Danilo Berndt Trento. Em 2021, Trento foi indiciado pela CPI da Pandemia pelos crimes de fraude em contratos para compra de vacinas contra a Covid-19, formação de organização criminosa e improbidade administrativa. Ele era um dos envolvidos no esquema de venda da vacina Covaxin a preços superfaturados para o Ministério da Saúde.

Agora, ele volta a aparecer nas CPIs. Já em setembro do ano passado, a CPMI aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dele. Em outubro, os parlamentares também votaram para convocá-lo a depor. Isso porque, segundo a investigação da PF, Trento colaborava com o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, na fraude dos descontos. Eles chegaram a ser flagrados juntos, em novembro de 2024, em uma área restrita do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, ocasião em que Trento teria pagado a passagem de Oliveira Filho.

Já em fevereiro, foi a vez da CPI do Crime Organizado aprovar a convocação de Trento por conta de transações suspeitas envolvendo duas empresas dele: a BSF Gestão em Saúde e a T5 Participações. Essas suspeitas foram identificadas justamente a partir das quebras de sigilo e informações do Coaf enviadas à CPMI do INSS.

Segundo o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), autor do requerimento de convocação de Trento, os relatórios do Coaf mostram que a BSF Gestão em Saúde recebeu R$ 9,9 milhões de um dos fundos da Trustee, administradora responsável pela gestão de ativos do Master. A BSF chegou a ser alvo da CPI da Pandemia, apontada como empresa utilizada para lavar o dinheiro do esquema de fraudes envolvendo a Covaxin.

Já a T5 Participações, outra empresa da qual Trento foi sócio até março de 2024, pagou R$ 700 mil para a BK Bank, que movimentou bilhões em transações suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC. Não bastasse, segundo Rodrigues, a BK Bank compartilha o mesmo CNPJ da Berlin Finance, “empresa envolvida na cadeia de lavagem de dinheiro do esquema investigado pela CPI da Pandemia e que enviou recursos vultosos (R$ 500 mil e R$ 700 mil) para a Primarcial Holding, empresa ligada a Danilo Trento”.

Augusto Ferreira Lima e o banco Pleno

Ex-sócio de Vorcaro e controlador do Banco Pleno, que também foi dissolvido por decisão do Banco Central, Augusto Ferreira Lima chegou a ser preso preventivamente em novembro do ano passado e é investigado na Operação Compliance Zero sobre o Master.

Em fevereiro, ele foi convocado para prestar depoimento às duas CPIs. A CPMI do INSS chegou a marcar o depoimento para 11 de março, mas, depois de uma decisão de André Mendonça que tornou facultativa a presença dele, Lima não compareceu.

Autor do requerimento na CPMI do INSS, Rogério Correia afirmou que a presença de Lima era necessária diante da conexão direta dele com o Banco Master e com o Banco Pleno, além dos indícios que apontam para a criação de associações de servidores na Bahia a fim de produzir carteiras de crédito depois usadas em fraudes. O deputado também pediu, em requerimentos ainda não apreciados, a quebra de sigilo bancário e fiscal do Banco Pleno.

Já na CPI do Crime Organizado, Lima foi convocado para esclarecer se houve falhas sistêmicas ou intencionais dos mecanismos de controle e prevenção à lavagem de dinheiro nos bancos, como apontou Alessandro Vieira, e as suspeitas de conexões da rede do Master com o PCC, conforme Eduardo Girão.

A ex-namorada, o “primo” e os dirigentes

Além desses personagens, ambas comissões parlamentares tentaram convocar a ex-namorada de Vorcaro, Martha Graeff, que não foi localizada e não compareceu a nenhum dos depoimentos. A CPI do Crime Organizado também aprovou a convocação de vários outros dirigentes do Master, como Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio do banco, Luiz Antônio Bull, ex-diretor de riscos e compliance, Alberto Félix de Oliveira Neto, superintendente-executivo da Tesouraria do banco.

Além deles, a CPI quer ouvir Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “O Primo” e considerado um dos operadores do esquema de lavagem de dinheiro do PCC. Segundo a Carbono Oculto, ele teria movimentado R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, utilizando cerca de mil postos de combustíveis. Entre as empresas que se suspeita terem sido usadas por ele, está a BK Bank.

Há ainda uma suspeita de conexão com o esquema do Master, já que relatórios de inteligência financeira apontam que Mourad usou a Trustee para lavar dinheiro. “Essa conexão evidencia como a fragilidade regulatória do sistema financeiro, investigada por esta CPI, foi explorada para dar aparência de legalidade a recursos oriundos do crime”, afirmou o senador Jorge Kajuru (PSB-GO), membro da comissão sobre crime organizado.

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