UFJF recebe maior congresso sobre águas da América Latina com debates abertos à população

Evento reúne pesquisadores, gestores públicos e representantes da sociedade civil para discutir desafios da água, mudanças climáticas e racismo ambiental; participação será gratuita para moradores de Juiz de Fora.

Na FolhaJF

Entre os dias 20 e 24 de julho, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) será palco do 20º Congresso Brasileiro de Limnologia (CBL), considerado o maior evento sobre águas da América Latina. A programação reunirá pesquisadores de diversos estados brasileiros e de outros países para discutir temas como gestão dos recursos hídricos, mudanças climáticas, segurança hídrica e justiça ambiental. Nesta edição, um dos principais diferenciais será a abertura do congresso à sociedade civil, com 300 vagas gratuitas por dia destinadas a moradores interessados em acompanhar palestras, mesas de debate e outras atividades.

A proposta chega em um momento especialmente significativo para Juiz de Fora. No fim de fevereiro deste ano, a cidade enfrentou um dos períodos chuvosos mais severos dos últimos anos, com alagamentos, deslizamentos de terra, famílias desalojadas e mortes. Episódios como esse reforçam que os desafios relacionados à água vão muito além do abastecimento e envolvem planejamento urbano, prevenção de desastres e redução das desigualdades sociais.

Água no centro dos desafios ambientais e sociais

A limnologia, área que dá nome ao congresso, é a ciência responsável pelo estudo de rios, lagos, reservatórios e áreas alagadas. No entanto, a programação vai além da pesquisa científica e propõe um diálogo sobre a forma como a água influencia diferentes aspectos da vida em sociedade.

Ao longo dos cinco dias de evento, especialistas discutirão temas ligados à produção de alimentos, geração de energia, conservação ambiental, políticas públicas e gestão dos recursos hídricos. O objetivo é aproximar diferentes setores que participam das decisões sobre o uso da água, reunindo pesquisadores, gestores públicos, representantes de instituições e comunidades em um mesmo espaço de debate.

A programação também servirá como preparação para discussões internacionais sobre o tema, reunindo contribuições que poderão integrar um documento com propostas voltadas à gestão da água no Brasil.

Racismo ambiental ganha espaço entre os principais temas

Entre os assuntos que ganham espaço nesta edição está o racismo ambiental, conceito que aborda como os impactos provocados por enchentes, escassez de água, poluição e outros problemas ambientais atingem de forma mais intensa populações socialmente vulneráveis.

Para ampliar esse debate, a organização estruturou mesas-redondas com representantes de diferentes realidades e trajetórias, incluindo povos indígenas, comunidades quilombolas, pesquisadores e gestores públicos. A intenção é que as discussões considerem não apenas os aspectos técnicos relacionados aos recursos hídricos, mas também as desigualdades que influenciam o acesso à água e a capacidade de enfrentar eventos climáticos extremos.

A programação ainda buscou garantir diversidade entre os participantes, com equilíbrio na representação de gênero, diferentes gerações e múltiplas áreas do conhecimento, fortalecendo um debate mais amplo sobre os desafios da gestão da água.

Congresso quer aproximar universidade e sociedade

Outro diferencial da edição deste ano é a tentativa de romper a distância entre a produção científica e a população. Ao longo dos cinco dias de programação, serão disponibilizadas 300 vagas gratuitas por dia para visitantes que desejarem acompanhar palestras, mesas-redondas e outras atividades do congresso.

A iniciativa busca incentivar a participação de moradores nas discussões e aproximar pesquisadores da realidade enfrentada pelas cidades. A proposta é transformar o encontro em um espaço de diálogo entre ciência, poder público e sociedade, permitindo que diferentes experiências contribuam para a construção de soluções para os desafios relacionados à água.

Além das atividades voltadas ao público em geral, o evento promoverá ações educativas destinadas a crianças e adolescentes, aproximando estudantes do universo da ciência e estimulando, desde cedo, a conscientização sobre a importância da preservação dos recursos hídricos.

Debates devem contribuir para políticas públicas

Ao final da programação, as discussões realizadas durante o congresso darão origem à chamada Carta de Juiz de Fora, documento que reunirá propostas para enfrentar problemas relacionados tanto à escassez quanto ao excesso de água.

A expectativa é que o material contribua para futuras discussões sobre gestão hídrica no Brasil e sirva como referência em encontros internacionais voltados ao tema. Mais do que sediar um evento científico de alcance continental, Juiz de Fora passa a integrar um debate cada vez mais urgente em um cenário marcado pelas mudanças climáticas, pelo crescimento das cidades e pela necessidade de tornar o acesso à água mais seguro, sustentável e igualitário.

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