Por Júlia Barbosa, em CPT
Neste Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, ecoamos o pensamento de Lélia Gonzalez, que nos elucida que “ao reivindicar nossa diferença enquanto mulheres negras, enquanto amefricanas, sabemos bem o quanto trazemos em nós as marcas da exploração econômica e da subordinação racial e sexual”.
No campo, as mulheres negras da terra, das águas e das florestas, as mulheres quilombolas e as mulheres de terreiro carregam, em seus corpos-territórios, essas mesmas marcas, e são ainda atravessadas pelos conflitos territoriais, pela violência histórica e cotidiana contra a natureza e contra suas próprias existências.
Mas resistem, fortalecidas por suas ancestrais que tombaram na luta, como Tereza de Benguela, a quem a data de 25 de julho, no Brasil, presta homenagem.
Resistem inspiradas pela memória viva de Fátima Barros, que nos lembra que “somos a luta daqueles e daquelas que atravessaram o mar nos navios […] Nós não morremos! Nós sempre voltaremos! Nós somos guerreiros de Zumbi e Dandara, nós somos a força do Quilombo!”.
E re-existem com seus modos de vida e com seus corpos-territórios, conscientes e irreverentes como a ancestral Anacleta Pires de que “quando alguém fala de vender a terra, vejo meu corpo sendo negociado. Eu sou a terra!”.
Neste 25 de julho, inspiradas por essas e tantas outras guerreiras de nossa história, reivindicamos novamente o ensinamento de Lélia Gonzalez para todas as mulheres negras, do campo e da cidade: “Trazemos conosco a marca da libertação de todos e de todas. Portanto, nosso lema deve ser: organização já!”.




