por Cristina Queiroz de Freitas e Phelype Santos Amaro, em CPT
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) Araguaia-Tocantins participou do II Seminário Estadual sobre Mineração, ocorrido entre os dias 28 e 30 de agosto na Escola Família Agrícola (EFA) de Porto Nacional. Promovido pela Articulação Tocantinense de Agroecologia (ATA), o evento teve como tema central “Impactos e Resistências no Campo” e reuniu diversas caravanas de comunidades e povos tradicionais afetados pelo avanço do setor minerário no estado.
O seminário reuniu lideranças do campo, territórios indígenas e comunidades quilombolas para fortalecer a mobilização contra o avanço da mineração no Tocantins. A programação iniciou-se com momentos de acolhida e trocas culturais, evoluindo para debates intensos sobre a conjuntura do setor no estado. Ao longo do encontro, relatos de experiências de áreas afetadas uniram-se a dados técnicos e diagnósticos cartográficos apresentados por pesquisadores parceiros, desenhando um panorama real dos impactos na região.
Com base nesse diagnóstico, os participantes dedicaram o último dia do evento ao planejamento estratégico e à definição de ações concretas. Os grupos de trabalho revisaram e aprimoraram o Plano de Resistência à Mineração, traçando caminhos nas frentes política, jurídica e organizativa para defender a autonomia dos territórios e proteger os recursos naturais das comunidades.
Contexto
O avanço dos projetos de mineração nos territórios tradicionais impacta diretamente a rotina e os direitos das populações do campo, afetando recursos naturais essenciais e alterando o modo de vida local. Diante dos desafios socioambientais provocados pela exploração minerária, comunidades camponesas, quilombolas e indígenas organizam processos de articulação, realizando diagnósticos cartográficos e elaborando planos de resistência conjunta para defender a preservação do meio ambiente, a autonomia dos territórios e a garantia de seus direitos.
A pressão sobre as comunidades não ocorre de forma homogênea, variando conforme a fase dos empreendimentos e a diversidade de recursos explorados. Segundo Evandro Rodrigues, coordenador da CPT- Araguaia Tocantins, o cenário exige leituras distintas para cada realidade:
“É uma situação bem complexa, que envolve comunidades que ainda estão num processo de pesquisa para iniciar a mineração, e outras que já estão sofrendo os impactos mais diretos a partir da lavra desses minérios, que vão desde minério de ouro, ilmenita, cobre, bauxita, calcário, areia para construção civil e etc.” Afirma Evandro.
A diversidade de cenários apontada por Evandro evidencia que não existe uma solução única para o enfrentamento da mineração no Tocantins. Compreender os impactos específicos de cada minério e o estágio de cada empreendimento foi o ponto de partida fundamental para que o grupo pudesse desenhar estratégias jurídicas, políticas e comunitárias adequadas a cada realidade local.
Participantes
A participação e o apoio da CPT no seminário reafirmam o compromisso histórico da pastoral em caminhar ao lado dos povos do campo, das águas e das florestas na denúncia das violações socioambientais e na resistência contra a exploração minerária.
Confira abaixo os participantes, organizadores e articuladores que estiveram presentes no encontro:
- Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO Palmas e APA-TO Bico);
- Comissão Pastoral da Terra (CPT);
- Articulação Camponesa;
- Instituto de Desenvolvimento e Cultura Indígena (ITDC);
- Movimento das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB);
- Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (STTR’s Bico);
- Cooperativa dos Agricultores Familiares do Bico do Papagaio (COAFBico);
- Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB);
- Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins (COEQTO);
- Núcleo de Pesquisa e Extensão em Saberes e Práticas Agroecológicas (NEUZA/UFNT);
- Escola Família Agrícola do Bico do Papagaio Padre Josimo (EFABIP);
- Movimento Estadual de Direitos Humanos do Tocantins (MEDHTO);
- Sindicato de Axixá;
- Associação da Reserva do Babaçu;
- Cooperativa de Trabalho, Prestação de Serviços, Assistência Técnica e Extensão Rural (Coopter Bico);
- Sindicato Regional do Bico;
- Enegrecer TO;
- Rede Cerrado.




