Governo Federal anuncia a demarcação de 668 mil ha para conservação

Por Lucas Guaraldo, no IPAM

Decretos assinados ontem (8), em alusão ao Dia da Amazônia, criam quatro novas RDS (Reservas de Desenvolvimento Sustentável) no Amazonas, ampliando em mais de 668 mil hectares a área protegida no Estado e fortalecendo a produção sustentável na região. Ao todo, as quatro áreas beneficiarão mais de 1,2 mil famílias, que poderão utilizar os territórios para a produção e a coleta sustentável de alimentos, atividades permitidas nesse tipo de Unidade de Conservação.

“Há três dias, a humanidade falhou ao constatar que ultrapassaremos o aumento de 1,5°C na temperatura média global, mas hoje enfrentamos esse cenário e colocamos, mais uma vez, o Brasil na liderança da agenda climática. É uma comemoração do Dia da Amazônia que reforça o compromisso do Brasil com o desenvolvimento sustentável da região”, celebra André Guimarães, diretor executivo do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e enviado especial da Sociedade Civil para a COP30, que participou da celebração.

Com a criação das novas unidades, o Amazonas passa a contar com mais quatro RDS na região da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, alcançando uma área protegida que abrange mais de 65% do Estado, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima apresentados no evento. No Piauí, outro decreto ampliou o Parque Nacional de Sete Cidades, nos municípios de Brasileira e Piracuruca, aumentando em mais de 7 mil hectares a área protegida no Estado.

“O que fizemos hoje foi criar áreas protegidas e, com isso, não beneficiamos apenas a Amazônia, mas também o Brasil, que precisa da chuva produzida nessa região, e a humanidade, que precisa do carbono nela estocado”, completa Guimarães.

Para o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a criação das Reservas de Desenvolvimento Sustentável contribui para a resolução dos embates sobre o desenvolvimento e a conservação da região no entorno da BR-319 e reforça o caminho para que a floresta seja vista também como um ativo econômico capaz de proteger a cultura local, fomentar o turismo e gerar renda para as comunidades.

“A questão ambiental é também uma questão econômica. Embora muitos economistas não tenham aprendido na faculdade sobre a bioeconomia, os povos da floresta, os ribeirinhos, os agricultores, eles criaram essa economia. Cabe a nós, governantes, portanto, dar a eles as condições para que ela se torne uma economia alternativa. Só teremos uma conservação total da Amazônia quando a sociedade brasileira entender que a floresta em pé é mais rentável que uma floresta deitada e queimada”, destacou o presidente.

Veja as RDS criadas:

  • RDS Tupana Igapó-Açu I (Borba, AM): 114 mil hectares;
  • RDS Tupana Igapó-Açu II (Beruri e Tapauá, AM): 422 mil hectares;
  • RDS Canaã (Careiro e Autazes, AM): 109 mil hectares;
  • RDS Mirari (Humaitá, AM): 22 mil hectares.

Questão de soberania

A cerimônia também marcou a assinatura de contratos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que destinarão R$ 50 milhões do Fundo Amazônia ao projeto Naturezas Quilombolas, voltado ao apoio à gestão ambiental em mais de 16 territórios por meio da Fundação Guamá, e a homologação de contratos de R$ 70 milhões para a ativação dos primeiros Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia na Amazônia.

Ambos os projetos têm como objetivo incentivar o desenvolvimento sustentável da região e fortalecer a proteção dos serviços ambientais essenciais desempenhados pela floresta. Para o ministro João Paulo Capobianco, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a proteção dos recursos amazônicos deve ser analisada também como investimento em infraestrutura e soberania nacional.

“Separados por apenas dois dias no calendário, o Dia da Amazônia e a Independência do Brasil estão unidos. Nosso destino como nação soberana está ligado à conservação da floresta, à dignidade de seus povos e à prosperidade de toda a sociedade brasileira. A Amazônia integra a infraestrutura natural que mantém o Brasil pulsando, e os serviços prestados pela floresta podem ser menos visíveis que as grandes obras de engenharia, mas sustentam nossa segurança hídrica, energética e alimentar”, salientou.

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