Lula defende ação climática, democracia e multilateralismo na ONU

Em discurso na Assembleia Geral, presidente critica negacionismo e defende retomada da cooperação entre países contra a crise climática

ClimaInfo

A resposta às mudanças do clima precisa voltar ao centro da agenda internacional, destacou o presidente Lula em seu discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU na 3ª feira (22/9), em Nova York. Em uma fala repleta de alertas, o líder brasileiro criticou o esvaziamento das instituições e dos regimes multilaterais, bem como a falta de atenção à crise climática por parte de fóruns como o G7 e o G20.

Para Lula, o mundo precisa retomar a ofensiva contra a crise climática e derrotar o negacionismo. “Na era da desinformação, os obscurantistas resistem às evidências da ciência. Até há pouco tempo, a resposta à mudança do clima estava consolidada no centro da agenda internacional. Este ano, o tema desapareceu dos debates do G7 e G20, foros que reúnem os maiores emissores de carbono”, disse.

O presidente também alertou sobre os eventos climáticos extremos que impactaram o mundo nos últimos meses e sobre o risco do El Niño, que continua ganhando força. “A natureza nos recorda a cada dia que o planeta é um só. As geleiras do Himalaia estão derretendo. Um Super El Niño pode provocar chuvas torrenciais, secas e incêndios florestais em diferentes partes do globo. Seus efeitos golpearão sobretudo os mais vulneráveis.”

Lula ainda destacou a queda do desmatamento na Amazônia ao menor nível em 11 anos e criticou os países que impõem “medidas protecionistas disfarçadas de apego à causa ambiental”. Em um recado direto aos Estados Unidos e à União Europeia, ele afirmou que o Brasil tem “autoridade moral” para rejeitar medidas desse tipo.

As terras raras também foram mencionadas. Lula defendeu sua exploração com geração de valor no território nacional, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais — em outro recado para os EUA. “Temos os minerais críticos e as terras raras de que o mundo precisa para realizar a transição energética. Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro e é em benefício dele que serão exploradas”, assinalou.

Ainda sobre meio ambiente, o presidente reafirmou que o Brasil levará adiante seu Mapa do Caminho para a descarbonização da economia. Por outro lado, o Observatório do Clima frisa que o país pretende continuar pesquisando o potencial de novas reservas de petróleo, como as da Margem Equatorial. Uma fala destacada por Capital Reset e Folha.

Lula posicionou a crise da ação climática no contexto mais amplo do enfraquecimento do multilateralismo e do Sistema-ONU. Mais uma vez, o presidente defendeu a reforma do Conselho de Segurança e criticou o poder de veto reservado às cinco potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial. As guerras na Ucrânia, em Gaza e no Irã foram lembradas pelo presidente brasileiro, que lamentou a inação da ONU para evitar destruição e mortes.

Além do multilateralismo, outro tema central do discurso de Lula foi a defesa da soberania, um dos motes de sua campanha à reeleição. Para uma plateia que incluía o presidente dos EUA, Donald Trump, Lula criticou o intervencionismo estadunidense na América Latina.

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomentem o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar ingerência externa em processos eleitorais”, observou o presidente.

O discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU teve grande repercussão na imprensa, com manchetes em Agência Brasil, CNN Brasil, Correio Braziliense, Estadão, Exame, Folha, g1, O Globo, SBT, UOL e Valor, entre outros. CartaCapital, Folha e g1 publicaram o discurso do presidente na íntegra.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

catorze − 3 =