Nota do Cimi sobre as eleições: defesa da democracia, da justiça e da solidariedade exige ação coletiva e corajosa

Resultado eleitoral de 4 de outubro fortalece autoritarismo e traz ameaça evidente à democracia em nosso país; segundo turno nos dá a oportunidade de evitar colapso social, político e ambiental

Cimi

Diante do resultado do primeiro turno das Eleições de 2026, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) reafirma seu compromisso inabalável em defesa dos direitos dos povos indígenas e de um Brasil mais justo, plural e democrático. Ao longo de seus 54 anos de caminhada, o Cimi enfrentou diversos momentos políticos em nosso país, atravessando o período da ditadura militar, a luta pela redemocratização e por uma Constituição cidadã e o período de avanços na garantia de direitos fundamentais no país. Na esteira da luta destemida e resistente dos povos indígenas, o Cimi aprendeu a lidar com as diversas conjunturas, com coragem e sem perder nunca o horizonte de um país de todas e de todos.

O resultado do pleito eleitoral do dia 4 de outubro fortalece o autoritarismo e o bolsonarismo dentro do Congresso Nacional. Isto representa uma ameaça evidente à democracia em nosso país. Através da Plataforma Congresso Anti-Indígena, o Cimi colocou à disposição da sociedade, durante esta campanha eleitoral, dados e informações que escancaram como a bancada majoritária da direita e da extrema direita no Congresso Nacional tem atuado, de forma sistemática, contra os direitos dos povos indígenas e contra a Constituição Federal.

Essa mesma bancada reacionária foi responsável pela fragilização da política de proteção ambiental, pelas tentativas de blindagem dos parlamentares e pela legitimação da grilagem, além de impedir avanços sociais como o fim da escala 6×1. Muitos desses parlamentares, envolvidos em casos de corrupção e de violência, foram reeleitos. Bolhas informativas falaciosas e as ruas sem lei das redes sociais induziram a um sentimento de rejeição e não de construção de país, de futuro. Desejar a mudança é legítimo; conduzir a mudança para o abismo e o autoritarismo é muito perigoso.

Ainda temos a oportunidade, no segundo turno das eleições para a presidência da República, de evitar que os golpistas retome o controle sobre o poder Executivo, agora com ainda menos salvaguardas do que no ciclo anterior. Não podemos naturalizar o golpe de Estado nem a violência

Ainda temos a oportunidade, no segundo turno das eleições para a presidência da República, de evitar que os golpistas retomem o controle sobre o poder Executivo, agora com ainda menos salvaguardas do que no ciclo anterior. Não podemos naturalizar o golpe de Estado nem a violência. 33 milhões de pessoas decidiram não manifestar-se nas eleições do dia 4 de outubro, e elas são absolutamente fundamentais para que possamos preservar os espaços mínimos de democracia e de soberania que existem em nosso país, apesar de seu desgaste contínuo e sensível.

Vivemos tempos de grandes desafios. O colapso ambiental e a degradação das instituições políticas precisam ser enfrentados de forma coletiva, organizada e com lideranças e decisões corajosas, porque o futuro de todos nós está em risco

Vivemos tempos de grandes desafios. O colapso ambiental e a degradação das instituições políticas precisam ser enfrentados de forma coletiva, organizada e com lideranças e decisões corajosas, porque o futuro de todos nós está em risco. Os povos indígenas sempre nos mostraram o caminho para uma sociedade mais justa, onde os bens comuns sejam o sentido do ato político e do convívio nas diferenças. Mesmo em situações difíceis, como esta, os povos nos ensinaram e transformaram o luto em luta por um projeto de país, de sociedade, em que a justiça e a paz se abracem.

O Cimi se compromete a continuar somando com todos os movimentos, organizações, entidades e pessoas de boa-fé para construir um país onde o autoritarismo não tenha espaço. E fazemos este chamado a toda a sociedade para não desistir, para continuar prezando pelos valores da solidariedade e da justiça, para continuar defendendo a democracia. Trabalharemos nas próximas semanas para que possamos nos re-encantar com a boa política, com a política do bem comum, da convivência e dos direitos, e com isso consigamos transformar os resultados de ontem e evitar que o autoritarismo e o militarismo voltem a cercear nossas vidas.

O Cimi continuará, para além de qualquer resultado eleitoral, defendendo de forma irrestrita os direitos dos povos indígenas, a democracia e o Bem Viver.

Avançaremos!

Brasília, 5 de outubro de 2026

Conselho Indigenista Missionário – Cimi

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