Heleno de Tróia e as nações indígenas. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

As recentes declarações do general Augusto Heleno à Globo News agora, em 2019, me fazem lembrar dois de seus predecessores ideológicos: Hélio Jaguaribe, que fez conferência em 1992 na Escola Superior de Guerra, e o general Durval Nery que se manifestou num debate sobre a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, na Rádio Band-AM, em 2008, num debate do qual participei. Os três martelaram a mesma lenga-lenga, parece até lição decorada: “O Brasil pode perder boa fatia de seu território, se os índios decidirem proclamar a independência de suas terras demarcadas”. Será?

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As tragédias permitidas. Por Janio de Freitas

Faltaram providências para que administradoras de barragens fizessem inspeções

Na Folha

A par das causas físicas e empresariais, a Procuradoria-Geral da República, os Ministérios Públicos federal e de Minas e o Judiciário destacam-se entre os responsáveis pela segunda tragédia causada por ruptura de barragem. Sentenças rigorosas, e em tempo admissível, para os culpados pela tragédia em Mariana levariam os administradores de barragens a fiscalizações sérias e permanentes. E à prevenção devida aos habitantes, seus bens e áreas produtivas atingíveis por possível ruptura –caso óbvio de Brumadinho.

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Golpe que nasce torto, até a cinza é torta. Por Roberto Malvezzi (Gogó)

Eesta

Não é surpresa que o espelho do atual governo é de absoluta confusão, embora, nos porões, os interesses econômicos da burguesia nacional e internacional estejam sendo implementados. Mas, vamos nos ater à confusão das aparências, seja ela metódica ou real.

Um homem que nunca foi a um debate, por não dominar assunto algum, que nunca foi questionado seriamente, poderia ser diferente uma vez no poder? Se tinha medo da mídia quando candidato, porque iria ter coragem – e competência – de enfrentá-la se não teve sequer na campanha?

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Pelas ruas de Manaus: o pau cessou no Brasil? Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“No beco do ‘Pau-não-cessa’ / há muito que o pau cessou /
 já nem se lembra a polícia / do tempo que o visitou”.
(Luiz Bacellar – Frauta de Barro, 1963)


Morro de vergonha com a decisão do ministro Luiz Fux (pronuncia-se fucks)  do STF de suspender a investigação sobre as mutretagens do motorista Fabricio Queiroz envolvendo a família Bolsonaro, num montante que daria para comprar 700.000 pedalinhos. Fux atendeu pedido de Flávio Bolsonaro, que antes fingira ser o maior interessado em tudo esclarecer. Como previu o então senador Romero Jucá, em conversa gravada que todo o país ouviu, é preciso fazer um pacto nacional “com o Supremo, com tudotem que resolver essa porra, tem que mudar o governo para estancar essa sangria”.

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O livro de Bolso verde-amarelo. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Líderes revolucionários de vários países provocaram o júbilo de seus seguidores ao divulgarem seus pensamentos em livros de bolso, sempre identificados por uma cor simbólica: “O pequeno livro vermelho” de Mao Tse Tung na China, “O livro verde” de Kadhafi” na Líbia, “El libro azul” de Hugo Chávez, na Venezuela, cujo título na capa, por coincidência histórica, é o mesmo com que ficou conhecido o do general Juan Velasco no Peru. Todos eles morreram, mas deixaram o registro escrito para a posteridade.

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O beabá é outro: a canoa da educação brasileira. Por José Ribamar Bessa Freire

“Lá no meu sertão pros caboclo lê / tem que aprender um outro ABC”
(Luiz Gonzaga e Zédantas – ABC do Sertão, 1953)

No Taqui Pra Ti

– “Tem que voltar ao velho método fônico, beabá, como era nos anos 60, 70” – declarou Olavo de Carvalho na quinta (3), à Folha de SP, ao defender medidas daquele que ele indicou para ser ministro da Educação do governo Bolsonaro, o colombiano Ricardo Vélez Rodriguez, professor da Escola de Comando e Estado Maior do Exército. 

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A língua de Jesus: a necropolítica. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

A pergunta é oportuna em pleno natal: qual a língua usada no bate-papo que a futura ministra Damares Alves teve com Jesus em cima de uma goiabeira, em Sergipe, em 1974, conforme ela revelou na semana passada? Foi a mesma das canções de ninar com que Maria há mais de dois mil anos acalentava seu bebê? Como é que o menino se comunicava com o primo João Batista ao brincarem de esconde-esconde nas montanhas de Judá? Em qual língua José ensinava ao filho seu ofício de carpinteiro? Parece que as histórias contadas pela vó Ana e o vô Joaquim ao netinho eram no mesmo idioma usado por Maria para chamá-lo a jantar, algo assim como:

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Um conto de Natal

A noite não é amiga das esperanças. Ela nos corta a carne e a sangra, nos lembrando de que estamos vivos e, portanto, podemos morrer.

Por Mauro Luis Iasi, no Blog da Boitempo

“Vi el tiempo generoso del minuto,
atado locamente al tempo grande.”
César Vallejo

Não era possível ver muito a nossa frente. Nossa visão estava ocupada com o passado, com os passos dados pelos caminhos incertos que percorremos até aqui. Sabíamos onde estávamos, alguns de nós ainda se recordavam do lugar aonde gostaríamos de ter ido, mas olhávamos para nossos pés descrentes da caminhada.

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