O romance premiado de Itamar Vieira visto por novo ângulo: trazer ao proscênio as camponesas negras e suas lutas; sugerir o sentido profundo de direitos humanos violados por agentes privados e pelo Estado, nas zonas rurais brasileiras
Por Ezilda Melo*, em Outras Palavras
A devorante mão da negra Morte
Acaba de roubar o bem, que temos;
Até na triste campa não podemos
Zombar do braço da inconstante sorte.
Qual fica no sepulcro,
Que seus avós ergueram, descansado;
Qual no campo, e lhe arranca os brancos ossos
Ferro do torto arado.
(Marília de Dirceu, Tomás Antônio Gonzaga)
O sertão esteve em destaque nas principais obras ganhadoras do prêmio Jabuti de 2020, considerado o Prêmio Literário mais tradicional do Brasil, concedido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Prova disso é que Torto Arado é obra que trata sobre o universo dos moradores do campo e dá voz a homens e mulheres esquecidos e invisibilizados por uma sociedade que mantém privilégios escravagistas.
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