Cuba, a Espanha do século XXI. Por Gabriel Cohn

A inação diante de Cuba repete o erro fatal de Munique: apaziguar o agressor só adia a guerra e a torna mais devastadora — a história não perdoa os que se calam diante do fascismo renascente

No A Terra é Redonda

1.

As atitudes do discípulo menor do senhor Adolf Hitler, com direito a reivindicação análoga à Grande Alemanha (Grossdeutschland) nazista no esgar maníaco da Grande América-MAGA, o senhor Donald Trump, vêm alisando o caminho de tendência atual de fundamental importância. Trata-se da experiência de pesadelo configurada na repetição passo a passo nos primeiros 30 anos do século XXI do período correspondente no século passado. (mais…)

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Enfermagem em greve no coração do capitalismo

Como entender a mobilização de 15 mil profissionais durante um mês em Nova York, contra hospitais privados e o regime Trump? Quais as reivindicações? Como se deu a participação do prefeito Zohran Mamdani? Qual a situação atual? Leia entrevista exclusiva

Por Sophia Vieira, Outra Saúde

No dia 12 de janeiro, enfermeiros e enfermeiras das principais redes hospitalares de Nova York entraram em greve. Cerca de 15 mil profissionais aderiram à mobilização liderada pelo sindicato dos enfermeiros da cidade. Em um contexto de repressão a manifestações populares, principalmente pelo governo Trump, a ação se torna um exemplo para o movimento sindical e demonstra que 2026 pode ser um ano promissor de enfrentamento à política neoliberal de precarização da vida na cidade onde se encontra o coração do capitalismo estadunidense. (mais…)

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A arrogância de Trump e o risco nuclear

Casa Branca mantém política de agressões e ameaças, em busca de vantagens econômicas e geopolíticas. Além disso, ignora Direito e fóruns internacionais. Suas 5 mil ogivas atômicas já não são dissuasórias: tornaram-se ameaça real de conflito devastador

Por Ronaldo Queiroz de Morais, em Outras Palavras

“Um modelo unipolar não é apenas inaceitável para o mundo moderno,
mas também impossível”.

(Vladimir Putin – Conferência de Segurança de Munique, 10/02/2007)

Parafraseando Antonio Gramsci, o novo mundo agoniza ainda na infância, um velho mundo teima em renascer e, nesse breu assustador, irrompem os monstros da modernidade ocidental. Porque o tempo é outro, diferente do contexto do filósofo italiano, percorremos no limite da linha que aparta civilização e barbárie. (mais…)

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Jesuíta Reese sobre Trump: Um desastre para os Estados Unidos e para o mundo inteiro

“Donald Trump é uma dádiva para cartunistas políticos, editorialistas e entusiastas das redes sociais, mas eu o considero paralisante”; “Eu o considero psicologicamente exaustivo”; “ele age como uma criança mimada e descontrolada, só que maior, mais cruel e mais forte do que todos ao seu redor.” O padre jesuíta americano Thomas J. Reese, ex-editor da revista jesuíta americana America Magazine, não poupa palavras em um editorial dedicado ao presidente dos EUA, Donald Trump, na agência de notícias Religion News Service (4/2).

por Ludovica Eugênio, em Adista Notizie / IHU

“Se ele fosse um cidadão comum, poderíamos rir dele e chamá-lo de mentiroso, um narcisista egocêntrico, mas ele é o presidente dos Estados Unidos”, escreve Reese. “Como presidente, Trump está destruindo os Estados Unidos. Ele envenenou nossa cultura política, colocando cidadãos uns contra os outros, celebrando conflitos e até mesmo a violência. Ele une sua base alimentando o ódio contra aqueles que ele percebe como inimigos. Seu partidarismo exacerbado tornou impossível uma discussão política calma, mesmo entre amigos e vizinhos. Como presidente, ele está enriquecendo a si mesmo, sua família e seus amigos. Ele até corrompeu a religião, a ponto de pastores poderem perder seus púlpitos se não forem seus apoiadores entusiasmados, alienando aqueles que desejam suas igrejas livres da política partidária.” (mais…)

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Ilan Pappé: O possível tombo de Israel

Pensador israelense fala com exclusividade ao Outras Palavras. Expõe as fissuras do projeto sionista. Os caminhos, inclusive digitais, para enfrentar o apagamento de Gaza. E as razões do Sul global, sem a “culpa pelo Holocausto”, liderar o movimento de solidariedade

Ilan Pappé em entrevista a Thiago Gama, em Outras Palavras

Ao observarmos as ruínas de Gaza e a reconfiguração brutal da Palestina entre os anos de 2024 e 2026, a sensação é de que a gramática política tradicional já não dá conta da escala do horror. Para compreender se estamos diante de uma repetição ou de uma mutação definitiva da tragédia, é preciso recorrer a quem dedicou a vida a escavar as fundações do Estado de Israel. Ilan Pappé, o historiador que rompeu o consenso acadêmico com sua obra seminal sobre a limpeza étnica de 1948, apresenta um diagnóstico terminal nesta conversa: o projeto sionista entrou em uma fase de “apagamento” total, movido pelo desespero de um colonialismo de povoamento que percebeu que o nativo não se curvará. (mais…)

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O retorno à política de força e o fim da ilusão multilateral: como um mundo conflagrado abre caminho para a política da extrema direita. Por Estevão Rafael Fernandes

No Blog da Boitempo

Há alguns acontecimentos capazes de revelar transformações já em curso antes mesmo de serem percebidas. Tratar as declarações e ameaças de Trump meramente como bravatas de um mandatário excêntrico já se provou um erro de leitura; estamos, na verdade, diante de sintomas de uma reconfiguração estrutural da ordem internacional.

Em janeiro de 2026, reportagens do periódico canadense Globe and Mail revelaram que as Forças Armadas daquele país vinham desenvolvendo cenários de contingência para tensões com os Estados Unidos, incluindo a modelagem de resposta a uma hipotética invasão americana. A informação passou quase despercebida fora do Canadá, talvez porque já tenhamos nos acostumado a ouvir um presidente dos Estados Unidos tratar países soberanos como imóveis à venda e alianças históricas como contratos rescindíveis. É assim que funciona normalização do impensável, como uma erosão gradual, perceptível apenas quando o terreno já cedeu. (mais…)

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Fórum Social Mundial, 25 anos: O que mudou

Há um quarto de século, começava em Porto Alegre um processo inédito de articulação das lutas por “outro mundo possível”. O que aquela experiência diz a um mundo em que o capitalismo assumiu sua face mais feroz, mas a resistência parece fragmentada?

Por Mauri Cruz*, em Outras Palavras

Neste janeiro de 2026 celebramos os 25 anos da primeira edição do Fórum Social Mundial realizada em Porto Alegre[i] e que se lançou como um espaço de resistência e luta pela construção de um outro mundo possível, anticapitalista, anti-imperialista e radicalmente democrático. (mais…)

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