Militarização da folia: o que o poder público faz quando não sabe administrar festa. Por Jessica Santos

Newsletter da Ponte

Quando a equipe da Ponte voltou do feriado de Carnaval, recebeu uma enxurrada de imagens de agressões de policiais militares e guardas civis contra foliões em diferentes cidades brasileiras durante a maior festa de rua do planeta. Foi o segundo final de semana em que nos deparamos com vídeos que mostram a mesma situação.

Enquanto o poder público agia com seu braço armado, questões básicas como banheiros químicos e planejamento foram deixadas de lado, demonstrando, mais uma vez, a falta da mais simples gestão de um evento anual e previsível em termos de público, sobretudo em cidades como São Paulo. (mais…)

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Fiocruz e MNU-RJ lançam documentário ‘Nzila: favela, ancestralidade e saúde antirracista’

Nathalia Mendonça, Cooperação Social da Fiocruz, na AFN

Estreia nesta sexta-feira (20/2), na plataforma de filmes em acesso aberto da Fiocruz (FioFlix), o documentário Nzila: favela, ancestralidade e saúde antirracista. O filme é uma produção da Fundação e do Movimento Negro Unificado do Rio de Janeiro (MNU-RJ), realizado no âmbito do projeto Saúde na favela pela perspectiva antirracista e destaca as práticas antirracistas desenvolvidas por coletivos e movimentos sociais. Assista ao filme. (mais…)

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O júri não pode ser um tribunal de criminalização de meninos negros

Absolvição dos policiais que mataram Thiago Menezes Flausino é mais um caso de naturalização das mortes na periferia

Por Daniela Fichino E Glaucia Marinho E Monique Cruz, Brasil de Fato

Mulheres negras, mães, moradoras de favelas e periferias, criam seus filhos em meio ao medo. O medo da blitz, do tiro que ecoa no fim da tarde, do celular que não atende, da mensagem que não chega, da espera em casa que já não vê a porta se abrir novamente. (mais…)

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Educar para a barbárie: o cachorro Orelha e as hierarquias que matam

O ataque brutal ao cachorro Orelha não surge como aberração: é a culminância de um processo pedagógico silencioso em que o jovem aprende que há seres cuja função social é ser ridicularizado, espancado, descartado…

Verbena Córdula, Diálogos do Sul Global

A impunidade não nasce no tribunal. Ela é ensaiada no jantar de família — muito antes do crime, do boletim de ocorrência ou da perícia. Começa quando pais e responsáveis ensinam, cotidianamente, que regras são negociáveis quando se tem poder suficiente para dobrá-las. Por exemplo, pressionar professores para aprovar um filho despreparado é uma aula prática sobre como instituições funcionam para quem sabe exigir, ameaçar ou constranger. É nesse aprendizado precoce que se forma o sujeito que, mais tarde, não vê problema em humilhar, torturar ou matar. O que aconteceu com o cachorro Orelha é a continuação lógica dessa pedagogia da impunidade, a partir da qual a violência extrema surge como desdobramento natural de anos de permissividade e limites sistematicamente destruídos no espaço doméstico. (mais…)

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Angela Davis deu sua vida para expor a repressão do Estado

Angela Davis se tornou mundialmente famosa aos 20 anos, quando o FBI a colocou na lista das pessoas mais procurados. Desde que garantiu sua liberdade, ela trabalhou durante meio século para revelar como funciona a repressão em Estados “democráticos” como os EUA.

Por Cecilia Sebastian / Tradução de Pedro Silva, Jacobin

Aos vinte e seis anos, Angela Davis se tornou uma das prisioneiras políticas mais famosas do mundo e um ícone revolucionário, sendo a sua imagem tão reconhecível quanto a de Mao Zedong ou Che Guevara. As circunstâncias que levaram à sua prisão foram complexas e parcialmente forjadas. (mais…)

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Doenças que revelam desigualdades

Dos relatos no diário de Carolina Maria de Jesus na década de 1950, ao Brasil atual, algumas doenças ainda são determinadas pela classe e pela cor

Giulia Escuri – EPSJV/Fiocruz

“Era a Secretaria da Saúde. Veio passar um filme para os favelados ver como é que o caramujo transmite a doença anêmica. Para não usar as águas do rio. Que as larvas desenvolve-se nas águas”. O trecho foi retirado do livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus. Em seu diário, no dia 9 de junho de 1958, a autora relata que a lagoa de onde retirava água para lavar roupas era um foco da esquistossomose — infecção que ocorre quando uma pessoa entra em contato com larvas de um parasita liberadas por caramujos infectados, frequente em locais sem saneamento básico. (mais…)

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