Adeus, meninos do Rio

Editorial da Ponte

Eles vinham de lugares como Lagarto, em Sergipe, Além Paraíba, em Minas Gerais, Indaial, em Santa Catarina. Quase todos negros. Das falas que deixaram nas memórias dos parentes e das redes sociais, a palavra que mais se repete é sonho. Treinando na categoria de base de um dos maiores clubes do Brasil, os meninos do Ninho do Urubu sentiam que estavam prestes a realizar seus sonhos. Sonhos de poder comprar uma casa para a família, de conhecer o mundo, de serem reconhecidos, respeitados e tratados como gente por todos à sua volta. Sonhos de realização e ascensão social que, no Brasil, são reservados a alguns poucos meninos pobres pretos, os que conseguem passar nas imensas peneiras de furos minúsculos que povoam os mundos do esporte e da música.

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A cadeira da foto

Por Hélio Menezes

O registro causa enjôo. Ali está a encenação de nostalgia colonial, racista e escravocrata, congelada numa imagem que funciona como síntese da elite brasileira. A foto da festa de 50 anos de Donata Meirelles, diretora da revista Vogue, evoca e faz reviver as “cadeirinhas de carregar” do século XIX, com dois escravos ao lado de uma figura branca ao centro. Além de violenta, a versão atual da imagem é exageradamente cafona – mas aqui nos tristes trópicos a cena ganha ares de elegância, com direito a selo Vogue de qualidade. Vai entender. Mas, cá entre nós: a quem ainda surpreende a existência de uma imagem dessas? Embora absurdamente escandalosa, esse é uma cena perversamente cotidiana, recriada e naturalizada diariamente em restaurantes, lojas, clubes, academias, praças, praias, universidades, ruas e avenidas.

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Diretora da Vogue Brasil faz festa com negras fantasiadas de escravas

A festa de aniversário luxuosa de Donata Meirelles, em Salvador, tinha temática escravocrata e até “trono de sinhá” para que os convidados tirassem fotos ao lado das “mucamas”; internautas acusam a socialite de racismo

Na Fórum

Uma festa que reuniu artistas e milionários na noite desta sexta-feira (8) em Salvador vem sendo acusada por internautas de racismo. Trata-se da festa de aniversário de 50 anos da socialite Donata Meirelles, diretora da Vogue Brasil, realizada no Palácio da Aclamação.

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Justiça anula expulsão de universitário que ameaçou ‘matar negraida’

Juíza federal alega que Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, não seguiu o Código de Decoro Acadêmico e, por isso, o argumento de expulsão de Pedro Baleotti não é sustentável

Por Mariana Ferrari, especial para Ponte

A Justiça Federal de São Paulo mandou a Universidade Presbiteriana Mackenzie aceitar o estudante de Direito Pedro Baleotti, 25 anos, de volta nesta segunda-feira (21/1), de acordo com o Coletivo AfroMack, que acompanhava o caso. O rapaz foi expulso da faculdade no dia 12 de dezembro de 2018, depois que vídeos gravados por ele mesmo com falas racistas viralizaram nas redes sociais. As publicações foram feitas logo após o segundo turno das eleições e, nelas, o aluno aparecia usando uma camiseta do presidente recém-eleito Jair Bolsonao (PSL) e posava com uma arma, dizendo que estava indo votar no capitão reformado. Na sequência, em outra gravação, ele ameaçava “matar a negraiada”.

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Sem defesa, sem identidade: indígenas definham nas prisões

Muitos indígenas brasileiros cumprem pena sob acusações duvidosas e sem acompanhamento de um advogado

Karla Mendes, Terra

As condições de encarceramento de indígenas no país devem piorar no governo do presidente Jair Bolsonaro, afirmam ativistas e advogados, o que agrava situação encontrada em investigação da Thomson Reuters Foundation que revela que muitos indígenas cumprem pena sob acusações duvidosas e sem acompanhamento de um advogado.

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Insultos racistas dão 18 meses de prisão a senador. Na Itália

Roberto Calderoli, do partido de extrema-direita Liga do Norte, atualmente no governo, comparou a ministra da integração, Cécile Kyenge, originária da República Democrática do Congo, com um “orangotango”

No Sapo

O senador italiano Roberto Calderoli foi condenado a 18 meses de prisão, por insultos racistas à então ministra da integração, Cécile Kyenge, em 2013. Durante um comício, na cidade de Treviglio, perto de Milão, perante cerca de 1500 pessoas, o senador comparou a ministra, originária da República Democrática do Congo, com um “orangotango”. A ex-ministra já reagiu à condenação no Facebook, escrevendo que “o racismo paga-se caro”. Kyenge considerou a sentença “encorajadora para todos os que lutam contra o racismo”, seja num terreno “legal, civico ou político”.

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Mackenzie expulsa estudante de direito que publicou vídeo racista durante as eleições

Pedro Baleotti foi indiciado por racismo e demitido do escritório no qual trabalhava após aparecer em vídeo dizendo que ‘negraiada vai morrer’. Jovem pediu perdão pelo “áudio infeliz”.

Por Marina Pinhoni, G1 SP

A Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo expulsou o estudante de direito Pedro Baleotti, de 25 anos, segundo confirmou ao G1 a assessoria de imprensa da instituição. O jovem apareceu em vídeo durante as eleições de 2018 dizendo que a “negraiada vai morrer”.

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“Venham”: Senadora boliviana responde ao comentário racista de deputado fluminense

Tomaz Amorim reproduz em sua coluna a resposta de uma senadora boliviana ao comentário racista feito por um deputado carioca do partido de Bolsonaro. “Tragam-no para que nós, as ‘índias’, o ensinemos sua própria história, tragam-no para que veja como um país de ‘índios’ dá aulas de humanidade, humildade, honestidade e sacrifício”

Na Fórum

O deputado estadual recém-eleito do PSL do Rio de Janeiro, Rodrigo Amorim, com a truculência infantil típica que se tornou comum nos noticiários do Brasil, acreditava ofender os bolivianos quando disse: “Quem gosta de índio, que vá para a Bolívia, que, além de ser comunista, ainda é presidida por um índio”. O deputado, atento ou não para o risco de criar um incidente diplomático muito distante de sua alçada de deputado fluminense, disse a frase ao defender, entre outras coisas, que a Aldeia Maracanã, espaço onde funcionou o Museu de Índio e onde hoje vivem famílias de indígenas, fosse transformada em “estacionamento ou shopping”.

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A volta do Prêmio Nobel que não abandona suas teorias racistas sem base científica

James Watson, codescobridor da estrutura do DNA de 90 anos, defende em um documentário que “negros são menos inteligentes”

Por Manuel Ansede, no El País

“Entre os brancos e os negros existem diferenças nos resultados dos testes de inteligência. Eu diria que a diferença é genética”. O biólogo James Watson, prêmio Nobel de Medicina em 1962 por ser um dos descobridores da estrutura do DNA, voltou a lançar ao mundo suas teorias racistas, desta vez no documentário Decoding Watson [Decodificando Watson], que estreou na noite de quarta-feira na televisão pública norte-americana PBS.

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