Comissão de Direitos Humanos da Câmara discute declarações do presidente da Fundação Palmares e medidas para combater o racismo

Encontro, nesta sexta, às 10h, será transmitido ao vivo pelo Facebook

Pedro Calvi / CDHM

Nesta terça-feira (2), o jornal “O Estado de São Paulo” publicou áudios de uma reunião entre o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, com assessores. Na gravação, ele chamou o movimento negro de “escória maldita, que abriga vagabundos”. A conversa aconteceu no dia 30 de abril. De acordo com o jornal, Camargo tratava do desaparecimento do celular de trabalho dele. “Alguém que quer me prejudicar. Invadiram esse prédio aqui para me espancar. Quem poderia ter feito isso? Invadiram com a ajuda de funcionários daqui. O movimento negro. Os vagabundos do movimento negro. Essa escória maldita”. Ele ainda falou sobre Zumbi dos Palmares. “Não tenho que admirar Zumbi dos Palmares, que, para mim, era um filho da… que escravizava pretos. Não tenho que apoiar Dia da Consciência Negra. Aqui não vai ter. Zero, aqui vai ser zero pra consciência negra”, disse o presidente da Fundação. Camargo também afirmou: “Tem gente vazando informação aqui pra mídia. Vazando pra uma mãe de santo, uma filha da…de uma macumbeira. Não vai ter nada, nada pra terreiro, da Palmares, enquanto eu estiver aqui dentro. Nada, sério. Macumbeiro não vai ter nenhum centavo.” Em nota à imprensa, Sérgio Camargo disse que a gravação foi ilegal e que a Fundação Palmares está em sintonia com o governo Bolsonaro.

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Protesto ‘Vidas negras importam’ reúne centenas em frente ao Palácio da Guanabara

Manifestantes exigem o fim das operações policiais nas favelas

por Edmund Ruge, em RioOnWatch

Centenas de manifestantes se reuniram em frente ao palácio do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, no dia 31 de maio, para protestar contra a morte de jovens negros e favelados pelas mãos da polícia. Segurando cartazes com a inscrição “Vidas Negras Importam” em português e inglês, os manifestantes exigiram o fim das violentas operações policiais nas favelas.

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Raiva e rebeldia no coração do Império

Um ato de racismo extremo destampa a panela de pressão, reúne milhões contra Trump e põe em xeque a ultradireita. Protestos alastram-se pelo mundo – mas a resposta é crua e brutal. Nada está decidido. Dias decisivos vêm aí

Por William River Pitt, no Truthout| Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Nunca houve um fim de semana, nos Estados Unidos, como estes que acabamos de viver.

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Juíza manda Fundação Palmares retirar textos contra Zumbi

No Conjur

A juíza Maria Cândida Carvalho Monteiro de Almeida, da 9ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal, determinou que a Fundação Palmares retirasse dos canais de comunicação da instituição os artigos “Zumbi e a Consciência Negra — Existem de Verdade?”, de Luiz Gustavo dos Santos Chrispino, e “A Narrativa Mística de Zumbi dos Palmares”, de Mayalu Felix.  A informação é da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

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MPF abre apuração sobre selo de “não-racista” anunciado por Fundação Palmares

Presidente da fundação declarou que selo seria distribuído a quem é “injustamente tachado de racista”

A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Estado do Rio de Janeiro determinou a instauração de Notícia de Fato com o objetivo de apurar suposto desvio de finalidade na anunciada criação de um “selo não-racista” para agraciar “quem é injusta e criminosamente tachado de racista pela esquerda vitimista, com o apoio da mídia, artistas e intelectuais”. O anúncio consta de publicação divulgada pelo presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo.

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O afeto racista como virtude no Brasil de Bolsonaro

A crise sanitária da covid- 19 pode tanto acelerar um golpe de Estado, quanto a queda de Bolsonaro e de sua popularidade, mantida pela manipulação do ancestral e reprimido racismo brasileiro

por Jessé Souza, em El País

Jair Bolsonaro é hoje, dentre os poucos chefes de Estado no mundo a negar os perigos da pandemia do coronavírus, o mais ousado e irresponsável. Todo dia o esforço de resguardar a população é sabotado pelo chefe da nação. Dificuldades burocráticas são criadas artificialmente para impedir que a ajuda chegue aos mais necessitados e o presidente joga tudo no caos e no conflito. A pandemia é relegada a um lugar secundário em relação à sobrevivência política do clã envolvido até o pescoço em todo tipo de suspeita, desde falcatruas variadas até assassinatos. Com sua patológica falta de empatia humana, Bolsonaro diz que quem vai morrer iria morrer de qualquer jeito mesmo, se referindo a idosos e pessoas com doenças crônicas, e que a morte de alguns milhares não pode parar a economia.

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Após depreciação a Zumbi, PFDC pede que presidente da Palmares responda por improbidade

Uma representação foi encaminhada à Procuradoria da República no DF para que Sergio Camargo responda à Justiça

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal, encaminhou nesta quinta-feira (14) à Procuradoria da República no Distrito Federal uma representação para a propositura de ação de improbidade administrativa contra o presidente da Fundação Cultural Palmares, Sergio Camargo. 

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Na pandemia, ecos da falsa abolição

Há 132 anos, os negros eram “libertados” — sem terra, direitos ou cidadania. Como esta farsa conduz da senzala à favela; do pelourinho ao “enquadro”; e dos navios negreiros às periferias, onde pretos têm 85% mais riscos de morrer da covid-19

por Coletivo Terra, Raça e Classe do MST

Precisamente em maio, às vésperas de três meses de pandemia e a 132 anos da fatídica “abolição da escravatura” no Brasil, torna-se mais evidente o desastre em curso desencadeado pelo novo coronavírus. Considerando as informações de “raça” e cor é possível ver qual parcela da sociedade mais está morrendo – ou tem mais chances de morrer – devido à pandemia. Os negros e negras somam 43,1% dos hospitalizados, mas representam mais da metade de todos óbitos, 50,1%, contra 47,7% de pessoas brancas de acordo com os dados do Boletim nº 15 da Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde. Do total, 65% das vítimas apresentaram algum tipo de comorbidade associada, tendo destaque as doenças cardiovasculares (3.425 dos óbitos), diabetes (2.660 óbitos), doença renal (621 óbitos), doença neurológica (550 óbitos) e pneumopatia (544 óbitos). 

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Reflexões em tempos de pandemia, necropolítica e genocídios

Por Gislene Aparecida dos Santos*, USP

Algumas reflexões parecem inadequadas em tempos de pandemia, com tantas pessoas sofrendo pela perda de empregos, pela morte de entes queridos, quando não por terem, elas mesmas, contraído a doença. Mas, como pesquisadores e pesquisadoras, temos a obrigação de refletir sobre tudo isso considerando um cenário que vá além da superfície.

Têm sido frequentes os debates virtuais, em diferentes partes do mundo, sobre o tema, chamando a atenção para os efeitos da covid-19 sobre as populações mais vulneráveis (mulheres, mães solo, afrodescendentes, indígenas, moradores das periferias e favelas, pessoas com deficiência e pessoas em situação de rua). É bem possível (embora ainda não tenham surgido muitos dados referentes, especificamente, ao impacto do novo coronavírus no agravamento das desigualdades sociais) que sejam esses os grupos mais afetados pelos efeitos colaterais da pandemia, como a impossibilidade de sustento ou pela falta de assistência de um Estado que nunca se preparou para atender essa população e, agora, tem agravado a sua ineficácia.

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