Desprezível

Após a sessão de tortura em um de seus supermercados, a Ricoy escreveu uma nota. Vejam bem: os fios elétricos, transformados em chicote, foram empunhados por outras mãos — mãos terceirizadas, vale destacar

por Priscila Figueiredo*, em Outras Palavras

Em dezembro de 1888, já passada a Abolição, Machado de Assis cismou com a forma como veio a se noticiar a morte de um carrasco de Minas Gerais, o qual teria exercido o “desprezível ofício desde 1835 até 1858”: “Por que carga d’água há de ser desprezível um ofício criado por lei? Foi a lei que decretou a pena de morte, e desde Caim até hoje, para matar alguém é preciso alguém que mate. A bela sociedade estabeleceu a pena de morte para o assassino, em vez de uma razoável compensação pecuniária aos parentes do morto, como queria Maomé. Para executar a pena não se há de ir buscar o escrivão, cujos dedos só se devem tingir no sangue do tinteiro. Usamos empregar outro criminoso” (Bons dias!, 27/12/1888).

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Facebook passa pano para o racismo

Por Tatiana Dias, na Newsletter do The Intercept Brasil

Há dois anos, uma página do Facebook de “orgulho branco” – seja lá o que isso for – ostenta um mapa-múndi com a porcentagem de pessoas brancas em cada país na linha do tempo. Nos comentários, os seguidores lamentam a “queda” no percentual da população branca no mundo. “Portugal está até bem”, conforma-se um. “O número de brancos está diminuindo </3”, lamenta outro. “Coincidência as regiões com maior concentração branca (com exceção de Japão e Coreia do Sul) serem desenvolvidas, e os restantes subdesenvolvidos, não é mesmo?”, ironiza um terceiro.

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Prefeitura do Rio pede lacre em livro com beijo gay e cita ECA, que não menciona homossexualidade

Romance gráfico ‘Vingadores, a cruzada das crianças’ mostra beijo entre dois personagens masculinos. Prefeitura ameaçou cassar licença da Bienal e enviou fiscais da Prefeitura ao local. Bienal recorreu à Justiça.

Por G1

Depois de o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, ter dito nesta quinta-feira (5) que iria pedir para recolher da Bienal do Livro exemplares de um livro com a imagem de um beijo entre dois personagens masculinos, a Prefeitura divulgou uma nota dizendo que histórias com cenas desse tipo devem ter “lacre” e “advertência do respectivo conteúdo”.

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MPF consegue condenação por crime de ódio e racismo contra indígena

Réu proferiu comentário racista sobre a morte de um indígena em uma publicação em site do sul do Tocantins

Procuradoria da República no Tocantins

O Ministério Público Federal conseguiu a condenação de um homem pelo crime de prática, indução ou incitação à discriminação ou preconceito. No dia 30 de abril de 2018, o réu postou um comentário discriminatório e preconceituoso em relação à etnia indígena, em uma matéria veiculada no site Portal do Amaral, do sul do Tocantins, fazendo referência ao assassinato do indígena Dodô Tyhanté Javaé, em Formoso do Araguaia. Utilizando-se de sua conta do Facebook, o réu fez o seguinte comentário: “Tinha que ter dado na cara, índio é folgado mesmo”.

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“Eu queria que os soldados do Exército fossem a júri popular”

Cinco meses após o fuzilamento de Evaldo Rosa pelo Exército, seu sogro, que também foi atingido, conta à Pública por que não acredita na Justiça Militar

Por Natalia Viana, Agência Pública

A entrevista acontece cedinho pela manhã, às 7 horas, quando Sérgio Gonçalves de Araújo sai do trabalho de manobrista na zona do sul do Rio de Janeiro. Depois de tantos anos manobrando carros é difícil para esse senhor de 60 anos recém completados, magro e simpático, entender por que nove membros do Exército brasileiro decidiram disparar 257 vezes contra o Ford Ka em que ele estava. Isso aconteceu há exatos cinco meses. Os soldados afirmam ter confundido o carro com outro veículo, semelhante, que havia sido roubado poucos minutos antes. “Acho que eles visaram mais a cor do carro, porque era a mesma cor: branca. Mas todo carro tem uma placa, todo carro tem uma coisa diferente do outro. Um tem insulfilme nas laterais, não tem na frente, tem atrás, e assim vai… Então, eles visaram a cor do carro e o tamanho do carro. Poderia ser um Ford Ka simples, branco. Ford Ka tem dois, tem o sedan e tem o comum. E aí?”.

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Ele só queria um chocolate

Garoto foi chicoteado ao tentar furtar um doce. Em um país que ainda não se livrou do passado escravocrata, a punição aos negros é brutal — e o Estado muitas vezes não garante o básico. Há resistência, mas violência não pode ser banalizada

por Márcia Acioli*, em Outras Palavras

Saiu na rádio. Um adolescente de 17 anos foi amordaçado, torturado e chicoteado nu em um supermercado pela tentativa, TENTATIVA de roubar um chocolate no Supermercado Ricoy em São Paulo. Não precisou ser anunciado, o adolescente é negro, todos sabíamos.

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MPF/RJ encaminha ao Congresso Nacional pleito de inscrição de João Cândido como herói da pátria

Pedido deve ser apreciado pelo Legislativo: em 2019, faz 50 anos da morte do marinheiro, conhecido como o “Almirante Negro”

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

O Ministério Público Federal (MPF) remeteu à presidência da Câmara dos Deputados e do Senado, bem como às comissões de direitos humanos das duas casas, o pleito de inscrição de João Cândido no livro de heróis da pátria. O pedido foi feito por entidades da sociedade civil e figuras públicas no Inquérito Civil nº 1.30.010.000055/2019-64, que tramita no órgão. O procurador da República Julio José Araujo Junior, que conduz o inquérito, ressaltou que a atribuição para a definição de heróis da pátria é do Congresso Nacional, por isso fez o encaminhamento. No documento, o procurador ressalta “a importância de João Cândido para a luta contra o racismo no Brasil, bem como o fato de que se completam 50 anos de sua morte neste ano de 2019”.

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Uma teologia como chave para oprimidos resistirem à aspereza da vida. Entrevista especial com Ronilso Pacheco

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

Para compreender as lógicas da Teologia Negra, é preciso compreender as lógicas de opressão e as formas de resistências que se configuram. Por isso, o teólogo Ronilso Pacheco vai conceituá-la como uma forma de resposta da  comunidade negra a toda opressão que sofre, inclusive no aspecto religioso. É uma aproximação da vida cotidiana de quem vive essa opressão, seja na periferia ou mesmo nos locais mais centrais que consegue acessar. “A Teologia Negra não se fecha num mundo espiritualizado e abstrato, mas considera aquilo que marca em especial a história material do povo negro”, pontua, na entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. Para tanto, apoia-se em dois conceitos básicos: “territorialidade” e “corporalidade”.

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Se a casa era grande, por que ter senzala?[1]: O capitaloceno e antropoceno se realimentam[2] !?

Nilma Bentes [3]

Quando jovem, sob ataque constante do racismo, ficava enraivecida diante do que considerava uma injustiça cruel e tentava achar algum jeito de neutralizar uns sentimentos até autoaniquiladores. Penso que qualquer ativista do movimento negro é  sobrevivente pois participar de um, ainda,´exército de pretaleone´,considerando que mais de cem milhões compõem a população negra no Brasil e é desafiador atender,  simultaneamente,  as necessidades da dimensão individual e as de um coletivo subalternizado há séculos – ´ escravizaceno´ acabou?.

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MPF divulga relatório sobre violência religiosa e debate perseguição contra religiões afro-brasileiras

Em seminário realizado na PR/RJ, profissionais de diversas áreas e representantes da sociedade civil debateram o aumento da violência contra religiões de matrizes afro-brasileiras

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

O auditório da Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro (PR/RJ) foi palco do seminário “Perseguição religiosa: um estado de coisas:cenários e desafios”. Promovido pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), com apoio da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), o evento aconteceu na última quarta-feira, 28 de agosto. Profissionais de diversas áreas e representantes da sociedade civil debateram o aumento da violência contra religiões de matrizes afro-brasileiras.

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