Crise do Twitter: o que há além das Big Techs

Rede pode sucumbir sob controle de Elon Musk. Saída estará em migrar para algo semelhante ou num despertar do sono tecnológico? Diversas plataformas voltadas ao Comum, como o Mastodon, mostram: ainda é possível descolonizar a internet

Por Ekaitz Cancela, no El Salto | Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Dadas as lógicas culturais do capitalismo digital, nunca se sabe se a pós-modernidade está à beira de uma explosão — levando consigo este sistema e suas plataformas mais proeminentes — ou se assistimos a uma atualização permanente do prefixo em questão. A compra do Twitter por Elon Musk, o homem mais rico do mundo com uma fortuna de US$ 219 bilhões, dá conta dessa ambivalência. Enquanto o rápido fluxo de mercadorias continua – e continuará – a colonizar nossas atividades genuínas e rotineiras com a ajuda das ubíquas tecnologias da informação, os contornos da sociedade do espetáculo que Guy Debord descreveu tem deixado de se mostrar como uma imagem invertida de nossa existência, onde as relações sociais capitalistas reinam sobre qualquer outra experiência. Continue lendo “Crise do Twitter: o que há além das Big Techs”

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Davi Kopenawa: “Para mim, o termo mudança climática significa vingança da Terra”

Em entrevista exclusiva a SUMAÚMA, o líder político Davi Kopenawa conta de sua esperança de que Lula tenha se tornado mais sábio para ser capaz de proteger a Amazônia: “Antes, ele errou. Não quero que nos engane novamente”

em Sumaúma

O nome de Davi Kopenawa foi anunciado para compor a equipe de transição que discutirá a criação do Ministério dos Povos Originários, promessa de campanha do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Grande liderança política dos Yanomami, que ocupam há milênios a floresta amazônica entre o Brasil e a Venezuela, Davi é uma referências dos povos originários no planeta. Em sua trajetória de enfrentamento dos invasores de suas terras, não há notícia de que tenha jamais se corrompido. Nem por riqueza material nem por vaidade, mal que acomete alguns líderes ao penetrar no insidioso mundo dos brancos – ou napëpë, na língua Yanomam, palavra traduzida também como “inimigo”. Davi se manteve fiel a sua ancestralidade, aos seus mais velhos, à cosmopolítica xamânica, o que faz dele uma árvore muito sólida no complexo mundo que une numa palavra impingida pelos colonizadores – “indígenas” – mais de 300 povos no Brasil com culturas muito diversas. O xamã chega à equipe de transição com esperanças, mas também com memória: “Antes, Lula errou. Ele está mais velho, talvez tenha ficado mais sábio. Talvez Lula tenha aberto o seu pensamento, mas ninguém sabe o que ele esconde em seu coração. Não quero que nos engane novamente”. Continue lendo “Davi Kopenawa: “Para mim, o termo mudança climática significa vingança da Terra””

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Os policiais-modelo que assassinaram Genivaldo

Nova etapa do processo sobre o motoboy sufocado num porta-malas da PRF convida a questionar não só os assassinos, mas a cultura que produziu seu ato bárbaro. O que leva a formação policial brasileira a equiparar brutalidade a eficiência?

Por Alexandre Pereira Rocha, em Outras Palavras

Os agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que, em maio deste ano, envolveram-se na nefasta execução de Genivaldo de Jesus Santos, entregaram-se à Justiça. Eles foram presos provisoriamente e, agora, respondem pelos crimes de abuso de autoridade, tortura e homicídio qualificado. Assim, com a eventual condenação dos envolvidos, talvez com expulsão deles da corporação, encerra-se mais um trágico caso de violência policial. Enquanto isso a PRF, apesar de algum desgaste em sua imagem, provavelmente prosseguirá sua trajetória como se não tivesse responsabilidade na morte de Genivaldo de Jesus Santos. Continue lendo “Os policiais-modelo que assassinaram Genivaldo”

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Carta sobre o futuro das políticas culturais no Brasil

Pensar as metrópoles como centros criativos. Ver as múltiplas expressões do digital. Espalhar laboratórios de redes sociais. Liderar a mudança de padrões de vida. Nosso colaborador retoma, em outro cenário, diálogo com um ex-ministro

Por Rodrigo Savazoni, em Outras Palavras

Sete anos atrás escrevi uma carta para Juca Ferreira. Ele acabara de reassumir o Ministério da Cultura, no início do segundo governo de Dilma. Dois anos antes eu havia trabalhado com Juca, como seu chefe de gabinete, na prefeitura de São Paulo. Construímos uma relação de amizade. Chegamos a falar sobre a possibilidade de eu integrar o governo naquela ocasião, mas preferi outros caminhos. O que não me impediu de ser, junto com Ricardo Targino, um dos autores do seu discurso de posse, para o qual também contribuíram muitos mais, um grupo de pessoas de enorme compromisso com a cultura de nosso país. Continue lendo “Carta sobre o futuro das políticas culturais no Brasil”

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Racismo ambiental: os reflexos da COP27 e os caminhos para o Brasil lidar com o desafio

ClimaInfo

A volta do Brasil ao tabuleiro da diplomacia climática na COP27, capitaneada pela passagem do presidente-eleito Lula no Egito, está sendo bastante celebrada por ativistas e movimentos sociais envolvidos com a questão do clima. No entanto, o próximo governo será pressionado a dar mais “qualidade” à sua atuação política nessa agenda, enveredando em temas e discussões que tiveram pouca atenção do poder público brasileiro, como o racismo ambiental. Continue lendo “Racismo ambiental: os reflexos da COP27 e os caminhos para o Brasil lidar com o desafio”

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Lira critica falta de fiscalização por aumento do desmatamento, enquanto Comissão da Câmara aprova projetos do Pacote da Destruição

ClimaInfo

Antes tarde do que nunca. Em evento da Frente Parlamentar Agropecuária nesta 3ª feira (22/11), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, fez uma das observações mais óbvias sobre a explosão do desmatamento no Brasil nos últimos anos, capitaneada pelo aliado político dele, o ainda presidente Jair Bolsonaro: falta fiscalização. Continue lendo “Lira critica falta de fiscalização por aumento do desmatamento, enquanto Comissão da Câmara aprova projetos do Pacote da Destruição”

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Depois de 18 anos do Massacre de Felisburgo, assentamento popular Terra Prometida é destaque na produção

Resistindo diariamente, as famílias de Felisburgo construíram casas e beneficiam farinha no território onde 5 sem terra foram brutalmente assassinados
Por Agatha Azevedo, na Página do MST

Em maio de 2002, o MST de Minas Gerais iniciava uma das batalhas mais emblemáticas da luta pela terra ao ocupar a Fazenda Nova Alegria. No local, batizado de Acampamento Terra Prometida, 230 famílias começavam a construir o sonho de morar e viver do trabalho na terra. Após dois anos de brigas judiciais e ameaças do fazendeiro e empresário Adriano Chafik Luedy, a terra que antes era de prosperidade, sangrou com o Massacre de Felisburgo. Continue lendo “Depois de 18 anos do Massacre de Felisburgo, assentamento popular Terra Prometida é destaque na produção”

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Festival da Reforma Agrária reúne alimentação saudável e cultura em dezembro

Construído coletivamente pelo MST, Festa acontece entre os dias 2 e 4 de dezembro no galpão do Armazém do Campo, em São Paulo

Por Fernanda Alcântara, na Página do MST

Em um ano com tantos desafios, o Movimento Sem Terra celebrará as vitórias com um grande evento de cultura e alimentação saudável. O Festival da Reforma Agrária será realizado entre os dias 2 e 4 de dezembro, e deve contar com a presença de artistas, movimentos populares e culturais, além de produtos da Reforma Agrária Popular. Continue lendo “Festival da Reforma Agrária reúne alimentação saudável e cultura em dezembro”

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Precisamos aquilombar o Brasil. Por Ynaê Lopes dos Santos*

Não basta ter consciência racial no mês de novembro, é preciso transbordá-la para todos os dias do ano. Zumbi morreu, mas seu quilombo continuou existindo. O Brasil também é um Palmares que resiste

em DW

Nós, criados no universo do “era uma vez”, temos o infeliz costume de imaginar que as histórias acabam com “e foram felizes para sempre”, mesmo quando essa felicidade está longe de corresponder à realidade. De certa forma, isso também se aplica a quando estudamos importantes episódios ou personagens de nossa história. Continue lendo “Precisamos aquilombar o Brasil. Por Ynaê Lopes dos Santos*”

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