O pior assassino é o que veste toga

Newsletter da Ponte, por Fausto Salvadori

Duvido que os historiadores do futuro venham a ter lá muito simpatia pelo jornalismo hegemônico do século 21 quando analisarem como conseguiu transformar em herói uma figura tão ridícula como a de Sérgio Moro. Sabe o cara que os jornalistas vendiam como uma figura imponente, um campeão da moralidade pública sem ambições políticas, mas com conhecimentos de um jurista e a visão estratégica de um enxadrista? Pois não passava de um caipira com voz de pato, que não viu impedimento ético em remover o principal candidato de uma eleição presidencial e entrar em seguida para o governo do vencedor da mesma disputa, um simplório com cultura de almanaque que fez tantas cagadas na carreira política que, de presidenciável da terceira via, despencou tanto que por pouco não se viu sem outra opção que não a disputar a vaga de síndico de algum condomínio com fachada neoclássica em Maringá.

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Unifesp lança Observatório da Violência Racial para denunciar genocídio negro

Iniciativa do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense vai monitorar dados e criar uma rede com movimentos antirracistas para repensar políticas públicas; para coordenadora, é preciso trazer a dimensão da memória pública das vítimas

Por Elisa Fontes, na Ponte

Somente nos primeiros seis meses deste ano o Brasil registrou casos de violência que envolveram espancamentos, uma viatura transformada em “câmara de gás”, abordagens truculentas e operações policiais em comunidades que terminaram em chacinas. O imigrante congolês Moïse Kabagambe, 24, e os brasileiros Genivaldo de Jesus Santos, 38, e Lucas Henrique Vicente, 27, foram algumas das vítimas da brutalidade tanto por parte de civis quanto por agentes da segurança pública e tinham características em comum: eram homens negros e de origem periférica.

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Lágrimas de tristeza e revolta no funeral do indigenista Bruno Pereira

Giovanna Carneiro, Marco Zero Conteúdo

Na manhã desta sexta-feira, 24 de junho, o corpo do indigenista Bruno Pereira foi velado no cemitério Morada da Paz, na Região Metropolitana do Recife. Mesmo morando em Belém com a esposa Beatriz Matos e os dois filhos e viajando constantemente a trabalho para o Vale do Javari, no oeste do Amazonas – local onde foi assassinado -, Bruno Pereira costumava vir com frequência ao Recife para visitar os pais.

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Governo Bolsonaro entregou 145 mil hectares de território indígena no Maranhão para fazendeiros

Governo Federal permitiu o registro de imóveis rurais em territórios de 49 povos indígenas ao redor do Brasil

Por Yanna Duarte e José Carlos Almeida, Justiça nos Trilhos

Segundo apurado pelo site Mongabay, o governo de Jair Bolsonaro certificou e registrou 250 mil hectares de fazendas em território indígena que estão em processo de demarcação, do norte ao sul do país. Desse número, quase 60% corresponde ao Maranhão, com 145 mil hectares reconhecidos. Isso acontece devido a Instrução Normativa nº 9, publicada pela Funai em 16 de abril de 2020, que autoriza latifundiários a obter certificados de registros federais de imóveis em qualquer área indígena do Brasil.

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“Se morrer um indígena no Vale do Javari, a gente vai reagir também”, diz líder kanamari

A Agência Pública acompanhou protesto na sede da Funai em Atalaia do Norte (AM) que incluiu cartazes contra o presidente do órgão indigenista e o governo federal

Por Rubens Valente, José Medeiros, Agência Pública

Cerca de 200 indígenas do Vale do Javari se reuniram no final da tarde de ontem, 23 de junho, na frente da coordenação regional da Funai (Fundação Nacional do Índio) de Atalaia do Norte (AM) com faixas e cartazes para pedir proteção à região e Justiça para os assassinatos de Bruno Pereira, Dom Phillips e Maxciel Pereira e com críticas ao governo federal e ao presidente do órgão em Brasília, Marcelo Xavier. Cartazes pediram “fora Xavier”.

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Nota da OPI: Adeus, Bruno, seguiremos seus sonhos e lutas para sempre

Nota de tristeza e revolta do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato – Opi

Em Opi

Nós, ativistas do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato, hoje enterramos Bruno, nosso irmão mais velho. Hoje, a terra onde ele nasceu o recebe, seu corpo reencontra o barro, as raízes das plantas, a água e o calor do solo. Seu corpo carrega o perfume salgado do mar e o aroma denso da mata que ele defendeu até que os destruidores da floresta o mataram de forma traiçoeira. Nossos olhos misturam lágrimas de tristeza profunda e de revolta intensa. Mataram Bruno e seu amigo Dom à beira do rio Itacoaí, numa manhã de domingo de fim de inverno, quando ele voltava de uma temporada junto aos seus melhores amigos, junto aos seus melhores mestres, com os quais ele aprendeu a entoar os cantos da festa.

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Após retomada de Guapoy, em Amambai (MS), indígenas são atacados por policiais e fazendeiros

Policiais militares e fazendeiros invadiram a área, na manhã desta sexta-feira (24/6), no intuito de expulsar, através do uso da força, os indígenas – mesmo não havendo ordem judicial

No Cimi

Após indígenas dos povos Guarani Kaiowá retomarem, novamente, parte do território de Guapoy, no município de Amambai (MS), policiais militares e fazendeiros invadiram a área, na manhã desta sexta-feira (24/6), no intuito de expulsar, através do uso da força, os indígenas – mesmo não havendo ordem judicial. A retomada foi realizada na tarde de ontem (23/6).

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Indígenas Kaiowá e Guarani retomam parte de seu território ancestral e sofrem ataques pesados em Naviraí (MS)

Segundo a comunidade, mulheres e crianças seguem desaparecidas após o ataque

No Cimi

Cerca de 30 indígenas Kaiowá e Guarani retomaram, na noite desta quinta-feira (23), parte de seu território ancestral denominado Kurupi/São Lucas, localizado dentro do macro território Dourados-Amambai Pegua II, em Naviraí (MS). Após a retomada, teve início um pesado ataque armado, que começou ainda na madrugada de quinta-feira e se estendeu até o início da manhã desta sexta-feira (24). Lideranças da comunidade denunciam que três pessoas seguem desaparecidas após o ataque, sendo elas mulheres e crianças.

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Governo de Jair Bolsonaro ignora diálogo com indígenas do Vale do Javari

Representantes da Univaja se reuniram com autoridades em Brasília, nenhuma do Poder Executivo

Pedro Rafael Vilela, Brasil de Fato

O procurador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), o advogado Eliesio Marubo, cumpriu uma série de agendas essa semana, em Brasília, para denunciar a situação na região ainda em meio a comoção pelos assassinatos do indigenista Bruno Araújo e do jornalista Dom Phillips.

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Greve na Funai rompe silenciamento em cidades onde defensores dos indígenas vivem sob ameaça

Ameaçados por ruralistas e criminosos ambientais, indígenas e indigenistas foram às ruas pedir justiça por Dom e Bruno

Murilo Pajolla, Brasil de Fato

A greve nacional convocada na quinta-feira (23) por trabalhadores da Fundação Nacional do Índio (Funai) rompeu o silenciamento e se espalhou por cidades do interior dominadas pelo agronegócio e por criminosos ambientais, onde não há tradição de mobilização do campo progressista. 

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