Modelo avança em São Paulo e Paraná. Autoritarismo, disciplina e “tratamento moral” servem para moldar comportamento dos jovens, individualizar problemas sociais complexos e estigmatizar o diferente – brutalidades em nome do combate… à violência
Por Deivisson Vianna Dantas dos Santos e Rosana Teresa Onocko-Campos, em Outra Saúde
“Homem de preto, o que é que você faz? Eu faço coisas que assusta o satanás. Homem de preto, qual é sua missão? Entrar na favela e deixar o corpo no chão. O Bope tem guerreiros que matam fogueteiros. Com a faca entre os dentes, esfola eles inteiros. Mata, esfola, usando sempre o seu fuzil”.
Este é um trecho chocante entoado por alunos de uma escola cívico-militar no Paraná, em uma aparente aula de educação física no final do ano passado. O caso ganhou repercussão nas redes depois que vídeo postado em forma de denúncia, pelo sindicato dos professores do Paraná, retratava esta atividade. O caso, entretanto, não é isolado. Desde que o modelo foi implantado, são diversas denúncias e ocorrências semelhantes: imposição de regras para cabelo e vestimenta e até violações piores em escolas que adotaram o modelo cívico-militar. Continue lendo “Na escola cívico-militar, quem são os violentos?”










