Documentos revelam: militar que chefia o órgão no Pará cedeu base avançada, construída em terra indígena kayapó, para “colaborador” envolvido em crimes ambientais – e infraestrutura pública foi convertida em galpão de apoio à mineração ilegal
Por Marta Salomon, na Piauí
Era 10 de novembro de 2020 quando um dos coordenadores regionais da Funai no Pará, capitão Raimundo Pereira dos Santos Neto, escreveu um ofício informando que criara uma base avançada de apoio aos indígenas kayapós às margens do Rio Iriri. O pretexto era atender a necessidades emergenciais daquela etnia no Sul do Pará, dizia Santos Neto no documento endereçado ao ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Pouco mais de oito meses depois, em 20 de julho deste ano, o galpão que abrigava a tal base foi destruído por fiscais do Ibama após ter sido identificado como estrutura de apoio a atividades ilícitas de garimpo na Terra Indígena Menkragnoti.
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