“A raça não é um acidente da modernidade, mas o seu modo de operar funcional”. Entrevista especial com Carlos Eduardo Ribeiro

Capitalismo de extermínio universaliza expropriação e controle, tendo como fundamento o racismo de Estado. Financeirização e guerra civil contra pobres, migrantes e minorias delineiam o cenário do século XXI

Por Márcia Junges, em IHU

“Proponho a noção de ‘grau zero da raça’ para indicar aqueles pontos de descontinuidade nos discursos que Foucault estuda durante os séculos XVII e XVIII, em que ainda não há um discurso plenamente constituído sobre a raça, mas já se anunciam suas condições de emergência. Esse ‘grau zero’ marca um limiar, entendido como ruptura que suspende a continuidade dos discursos, abrindo um espaço inaugural”. A reflexão é do filósofo Carlos Eduardo Ribeiro na entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Continue lendo ““A raça não é um acidente da modernidade, mas o seu modo de operar funcional”. Entrevista especial com Carlos Eduardo Ribeiro”

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O faz de conta florestal. Por Lúcio Flávio Pinto

Por Lúcio Flávio Pinto, em Amazônia Real

Faltam 10 dias para o início da COP 30 em Belém. O clima de oba-oba e nheco-nheco dos passageiros da alegria vai crescer. Muitos dos mais consagrados representantes das explicações superficiais ou do pensamento banal ganharão destaque. A  intelligentsia colonial assumirá o centro do palco. Empresas cheias de “governança” se unirão a um governo que pretende se apresentar como personagem à altura dos desafios amazônicos, oferecendo ao distinto público estatísticas coloridas. Continue lendo “O faz de conta florestal. Por Lúcio Flávio Pinto”

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Por que Lula não assina a homologação de 70 terras indígenas?

Por Giovanny Vera, em Amazônia Real

Cuiabá (MT) – A cada dia de espera, o garimpo, o desmatamento e os invasores avançam sobre a Terra Indígena Sawré Muybu, do povo Munduruku, no Pará. Este é o drama de uma das 70 TIs, segundo levantamento mais recente organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que estão em estágio final de demarcação e aguardam apenas a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).  A ausência da assinatura presidencial, última etapa do processo de homologação, mantém o território e seus guardiões vulneráveis, permitindo, segundo o cacique Juarez Munduruku, a “pressão incessante” de grileiros, madeireiros e exploradores ilegais de minério. Continue lendo “Por que Lula não assina a homologação de 70 terras indígenas?”

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Movimentos e organizações sociais da América Latina e Caribe denunciam mercados de carbono frente a COP30

Documento é assinado por 55 movimentos e organizações de 14 países da América Latina e Caribe rejeitando os mercados de carbono e na defesa dos seus territórios

Da Página do MST

Em um manifesto contundente publicado às vésperas da COP30, 55 movimentos e organizações de 14 países da América Latina e Caribe se uniram para rejeitar os mercados de carbono e defender os seus territórios contra uma avalanche de projetos de compensação de carbono que está gerando danos em toda a região. Continue lendo “Movimentos e organizações sociais da América Latina e Caribe denunciam mercados de carbono frente a COP30”

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A COP da inconsequência

O Brasil não só perdeu a oportunidade de se estabelecer na vanguarda da agenda climática mundial, como parece sofrer de incurável inconsequência mercadológica

Por Carlos Augusto Pantoja Ramos e Nelson Ramos Bastos, em CPT

Certa vez, o sábio e filósofo Nego Bispo alertou sobre a necessidade de diferenciar entre agir de forma controversa e agir de maneira inconsequente. “Eu já fui controverso e faz parte, mas inconsequente, não!”, disse Bispo. Entendemos assim que se algumas vezes somos controversos e falhamos, faz parte de nossa caminhada analisar nossas atitudes, cujo processo de auto questionamento pode nos trazer aprendizado e evolução. No entanto, o que devemos evitar é agir de forma inconsequente, sem pensar nos efeitos danosos de nossas ações para com as pessoas e em relação à natureza. Continue lendo “A COP da inconsequência”

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A dor da cor: a maior chacina da democracia brasileira e o Rio de Janeiro

Como uma megaoperação legitima a morte, ou mais ainda, as vidas que não podem ser consideradas ou perdidas, se não forem primeiro, consideradas como vida

por Marcelo Campos, Patrick Cacicedo e Paulo César Ramos, em Le Monde Diplomatique Brasil

A cor da dor, que deu origem ao título deste texto, é um artigo científico de livre acesso publicado em 2017 em uma das revistas mais conceituadas da área da saúde, a revista Cadernos de Saúde Pública da Fiocruz. A pesquisa analisa as iniquidades raciais na atenção pré-natal e ao parto no Brasil com foco nas influências da raça/cor no tocante à experiência de gestação e parto, sendo inédita a análise de abrangência nacional. Com base populacional representativa de todo o território brasileiro, com entrevistas e avaliação de prontuários, o estudo totalizou 23.894 mulheres. Em suma, o artigo identifica as inúmeras disparidades raciais no processo de atenção à gestação e ao parto evidenciando um gradiente de pior para melhor cuidado entre mulheres pretas, pardas e brancas. Dos resultados mais relevantes: i) há piores indicadores de atenção pré-natal e parto nas mulheres de cor preta e parda, em comparação às brancas; ii) mulheres pardas e pretas sofreram menos intervenções obstétricas no parto que as brancas; iii) mulheres pretas recebem menos anestesia local quando submetidas à episiotomia; e iv) há um menor uso de analgesia nas mulheres pretas. Continue lendo “A dor da cor: a maior chacina da democracia brasileira e o Rio de Janeiro”

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O pacto racial contra a democracia. Por Edson Teles

No blog da Boitempo

Imagine acordar com o seu bairro sitiado por forças militares entrando nas casas e, assustado(a) e acuado(a), você ficar em algum canto de sua residência ouvindo tiros, bombas e gritos de pessoas sendo executadas. Imagine dezenas de corpos dilacerados e enfileirados enquanto familiares procuram seus entes desaparecidos, fazendo o reconhecimento da identidade e chorando nessa cena trágica. Continue lendo “O pacto racial contra a democracia. Por Edson Teles”

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A cabeça que falta. Por Luiz Eduardo Soares

Quem perderá tempo com a cabeça de Iago? Ela resta como a peça que falta no jogo de armar, o pedaço do corpo, da lógica e da história que ficou sobrando na política do governador. Os fascistas precisam desesperadamente de uma saída política, e eles a buscam na morte e no medo

Por Luiz Eduardo Soares, em Outras Palavras

(Complexo do Alemão e da Penha, 28 de outubro, 2025)

Uma cabeça pendurada na árvore. O corpo intacto. Só a cabeça, o fruto estranho. No Sul dos Estados Unidos, pendiam das árvores os negros enforcados pela KKK. No Alemão, só a cabeça de Iago, 19 anos, trabalhador. Ornamento preservado. Iago Rodrigues era trabalhador. Policiais mantiveram seu corpo intacto. Só queriam a cabeça. Troféu de guerra. Foram mais de 120, quem se lembrará de Iago? Era uma operação policial. Quem perderá tempo com a cabeça que faltava? Seu Robson viu outro rapaz levado ao beco, andando com dificuldade, apoiado no ombro do policial da Core. A caminhada seria curta. O policial deu alguns passos pra trás e fuzilou o número noventa e três, ou seria o oitenta e quatro? Quem vai se lembrar? Seu Robson cobrou a covardia. Pediram seus documentos, anotaram a placa e arrebentaram seu carro. O recado está escrito com spray na lataria. Alguém vai denunciar à polícia a polícia? Quem vai compilar os relatos do massacre, a memória do horror? Continue lendo “A cabeça que falta. Por Luiz Eduardo Soares”

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Massacre do Rio: o dedo da Faria Lima. Por Ricardo Queiroz Pinheiro

O “ajuste fiscal” prepara o terreno: corta futuro, elimina alternativas, cria inimigos. Polícia executa. Círculo perfeito: quem perde tudo vira ameaça e é morto como exemplo. A mão que nutre as fintechs aperta o gatilho e derruba o moleque-avião

Em Outras Palavras

Foi ontem. O Rio de Janeiro, mais uma vez, serviu de palco habitual das mazelas da República. Helicópteros rasgaram o céu da favela; rajadas, correria, corpos rolando no chão. Mães se agarraram às portas, celulares trêmulos tentando registrar o que restava de luz. Horas depois, o governador miliciano Cláudio Castro surgiu em cadeia nacional para converter o sangue em manchete: “operação concluída, a inteligência atuou”. Estava inaugurada a campanha de 2026. Continue lendo “Massacre do Rio: o dedo da Faria Lima. Por Ricardo Queiroz Pinheiro”

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Quem pagará a conta da crise climática?

Ação predatória de grandes corporações desestabiliza o clima no Sul Global. Mas quem vai responsabilizá-las? No Paquistão, surge uma notável iniciativa: camponeses afetados por enchentes processam empresas alemãs, exigindo indenização milionária

Por Karin Zennig, da medico international, em Outra Saúde

No verão de 2022, chuvas extremas sem precedentes deixaram um terço do Paquistão quase totalmente inundado por meses. Uma área equivalente a dois terços da Alemanha. Não foram destruídas apenas casas, estradas e escolas. Cerca de 1.700 pessoas perderam a vida. 33 milhões de pessoas foram deslocadas e privadas de seus meios de subsistência devido à contaminação das águas subterrâneas e do solo. Na província agrícola de Sindh, as massas de água arruinaram as colheitas de mais de um ano. O gado que não morreu nas enchentes morreu em grande parte devido à subsequente falta de alimentos e água potável. Os danos imediatos ascendem a pelo menos 30 bilhões de dólares americanos. Continue lendo “Quem pagará a conta da crise climática?”

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