Ratinho, o fazendeiro (I) — Apresentador e família promovem despejos há pelo menos 18 anos

Carlos Roberto Massa, que já sugeriu intervenção militar e fez fala higienista na TV contra “mendigos”, tem conflitos com povos do campo desde 2003; ele é dono de quase 200 mil hectares de terras em Tarauacá, no Acre, onde pretende explorar madeira

Por Mariana Franco Ramos, em De Olho nos Ruralistas

O apresentador Carlos Roberto Massa, mais conhecido como Ratinho, que já tomou conta do noticiário por defender intervenção militar no país, “fuzilamento de denunciados” e “limpar mendigos” das cidades, promove despejos há mais de dezoito anos. Aliado do presidente Jair Bolsonaro e pai do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), ele montou um verdadeiro império do agronegócio. Além de empresas em setores diversificados — de emissoras de rádio e TV a marcas de tintas, ração, café e cerveja  —, possui hoje ao menos quinze fazendas.

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Mais da metade dos votos pela LDO saíram da bancada ruralista

Entre os 278 votos que triplicaram o Fundo Eleitoral para R$ 5,7 bilhões, 140 são de integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária, fora as ausências e abstenções; integrantes da FPA no Senado representaram 60% dos votos relativos ao orçamento para 2022

Por Luís Indriunas*, em De Olho nos Ruralistas

Mais uma vez, a bancada ruralista foi decisiva para as intenções do governo Bolsonaro e do Centrão no Congresso. Aprovada a toque de caixa na quinta-feira (15), a Lei de Diretrizes Orçamentarias (LDO) para 2022 recebeu 278 votos a favor na Câmara. No Senado, 40.

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Guerra Fria Interamericana

Com documentos inéditos, livro revela como a ditadura militar brasileira ajudou a golpear a mais longeva democracia do continente em conluio com os EUA para instalar um regime sanguinário sem precedentes no Chile. Mas, enquanto o apoio de Washington se dava às claras, a intervenção brasileira acontecia no submundo.

Por Andre Pagliarini, em Jacobin

Em 2013, enquanto o Chile marcava quarenta anos do golpe que matou o ex-presidente socialista Salvador Allende, derrubou a exitosa coalizão de esquerda conhecida como Unidade Popular e enterrou a democracia de um país que até então se orgulhava de sua estabilidade política, uma campanha presidencial marcada pela memória da ditadura de Augusto Pinochet se desdobrava. Michelle Bachelet e Evelyn Matthei, duas filhas de generais da Força Aérea chilena que brincavam juntas quando meninas, protagonizam a disputa eleitoral. Como Bachelet explicou ao jornal The Guardian, “meu pai e o pai dela eram bons amigos, mas eram muito diferentes. Meu pai falava muito e ria muito. Eu sou como ele. Matthei é mais alemã. Ela é quieta”. Bachelet, que já havia exercido a presidência entre 2006-2010, primeira mulher a ocupar o cargo no Chile, disse também que “minha família realmente acreditava na justiça social e tinha a mente aberta. Isso era visto como estranho pelos militares da época. É por isso que temos visões completamente diferentes”.

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“A Amazônia está morrendo” e o Brasil é o principal culpado, diz cientista do Inpe

Estudo liderado por Luciana Gatti, aponta que Amazônia já emite mais carbono do que é capaz de absorver; desmatamento e queimadas em nosso país são os principais vetores

Por Anna Beatriz Anjos, Agência Pública

Há uma semana, o telefone da pesquisadora Luciana Gatti não para de tocar. Coordenadora do Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LaGEE) do Inpe, ela liderou uma pesquisa publicada na última quarta-feira (14) pela conceituada revista Nature com conclusões importantes sobre a realidade da Amazônia: se antes a floresta funcionava como um sumidouro de carbono, agora já emite mais CO2 do que consegue absorver, o que pode contribuir para o agravamento das mudanças climáticas no mundo. Cerca de 60% da Amazônia fica no Brasil, que compartilha o bioma com outros oito países.

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ANPR e ANPT defendem tratado sobre populações tradicionais e rejeição de projeto

Na ANPR*

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e a Associação Nacional dos Procuradores e das Procuradoras do Trabalho (ANPT) emitiram nota técnica, nesta terça-feira (20), pela rejeição do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 177/2021, que autoriza o presidente da República a denunciar a Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O tratado estabelece um consenso internacional a respeito dos direitos dos povos indígenas e tribais nos Estados em que vivem e as responsabilidades dos governos de proteger esses direitos. Editado em 1989 pela OIT, o texto foi ratificado pelo Brasil em 2002, e se constitui em um instrumento essencial para proteção desses povos.

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Pedro e Paulo, apóstolos dos gentios? E nós? Por Gilvander Moreira[1]

Celebraremos os 50 anos do mês da Bíblia, em setembro de 2021, refletindo sobre e a partir da Carta do apóstolo Paulo aos Gálatas, escrita em meados da década de 50 do 1º século da era cristã. Paulo e Pedro aparentam ser bem diferentes conforme o narrado no livro de Atos dos Apóstolos e nas Cartas Paulinas. Por que e para que os apóstolos Pedro e Paulo parecem ser diferentes segundo Atos dos Apóstolos e as Cartas Paulinas? Escrevendo uns 30 anos após a Carta aos Gálatas, o autor de Atos dos Apóstolos, na década de 80 do Século I, sob o impacto dramático dos cristãos e cristãs sendo expulsos/as das sinagogas, busca promover unidade entre cristãos e judeus e, acima de tudo, busca justificar que os cristãos não eram sectários e nem separatistas. Enfatizar as diferenças seria alimentar quem defendia rupturas internas nas primeiras comunidades cristãs. Cultivar a unidade em uma imensa diversidade era imprescindível, pois a divisão interna enfraqueceria as comunidades. Nesta toada, em Atos dos Apóstolos, Pedro é paulinizado e Paulo é petrinizado, ou seja, o autor de Atos dos Apóstolos credita a Pedro Atos que historicamente devem ter acontecido primeiro na atuação missionária de Paulo, como os Atos de Pedro narrados no capítulo 10 de Atos dos Apóstolos: Pedro sai de Jerusalém, a igreja mãe, vai para o meio dos impuros gentios, na casa (oikia, em grego) de outro Simão, um curtidor de couro, Simão se torna Pedro, ao fazer a experiência de Deus na vida concreta dos empobrecidos, segundo a qual Deus não discrimina ninguém. Pedro defende as propostas de Paulo no Concílio de Jerusalém (Cf. At 15,7-12) e advoga, em consonância com os apóstolos Paulo e Barnabé, a superação da circuncisão, a maior barreira e fardo pesadíssimo que os “falsos irmãos” insistiam em impor também sobre as comunidades da Galácia, de Antioquia etc.. O autor de Atos dos Apóstolos mostra o apóstolo Pedro como um grande missionário “percorrendo todos os lugares” (At 9,32) – Lida, Jope, Cesareia etc. – e chega a caracterizar Pedro como “apóstolos dos gentios” (At 15,7). Porém, historicamente, bem antes de Pedro, Paulo deve ter sido o “apóstolo dos gentios” (Gl 1,16), dos de fora, dos considerados bárbaros e impuros.

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Explosão do garimpo ilegal na Amazônia despeja 100 toneladas de mercúrio na região

Metal encontrado em 2019 e 2020 na região de terras indígenas contamina água, solo e ar. Estudo achou altas concentrações em quatro a cada 10 crianças menores de cinco anos nas regiões Yanomami

Por Flávio Ilha, no El País Brasil

O incentivo ao garimpo ilegal promovido pelo Governo brasileiro nos últimos dois anos provocou uma enxurrada de mercúrio nas águas amazônicas. Um volume estimado em 100 toneladas do metal neurotóxico foi utilizado em 2019 e 2020 para extrair ouro ilegalmente da região, de acordo com estimativas feitas com base em um levantamento oficial.Esse ouro foi exportado pelo Brasil para países como Canadá, Reino Unido e Suíça.

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Frente Indígena realiza seminário para analisar conjuntura política e direitos indígenas

Por Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas

A Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas (FPMDDPI) realiza nos dias 5 e 6 de agosto um seminário para analisar a conjuntura política e os direitos indígenas. Os eventos terão a participação de parlamentares, lideranças indígenas e membros da sociedade civil. 

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Cientistas denunciam genocídio indígena, enquanto devastação na Amazônia é a maior em 10 anos

Violência de garimpeiros e grileiros contra indígenas cresce e avança devastação da Amazônia. Floresta perdeu neste ano o equivalente a três vezes a área de Fortaleza

Por Gabriel Valery, da RBA

O descaso com a proteção dos povos indígenas no Brasil motivou um grupo de cientistas a divulgar uma carta manifesto. O Grupo de Trabalho Meio Ambiente da Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência (SBPC) é responsável pela autoria do documento. “Atos truculentos contra povos indígenas vêm se agravando desde 2019, antes mesmo da pandemia, e neste momento, em 2021, assistimos ao aumento vertiginoso de mortes de indígenas”, afirmam. Além do genocídio indígena, soma-se a devastação na Amazônia, que é a maior em 10 anos. A informação foi divulgada hoje (19) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

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Fiocruz mapeia hábitos do brasileiro durante a pandemia

Bel Levy, Saúde Amanhã, na Agência Fiocruz

Mais da metade da população brasileira (61,7%) recorreu a meditação, fitoterapia, reiki, aromaterapia, homeopatia e outras Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICs) em 2020, o primeiro ano da pandemia de Covid-19. A conclusão é da pesquisa PICCovid – Uso de Práticas Integrativas e Complementares no Contexto da Covid-19, desenvolvida pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) em parceria com o Observatório Nacional de Saberes e Práticas Tradicionais, Integrativas e Complementares em Saúde (ObservaPICS), também da Fundação, e a Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP/Unifase). Os primeiros achados da pesquisa serão publicados no boletim Evidências nº 7, do ObservaPICS e apresentados no webinar Práticas integrativas em saúde na pandemia de Covid-19: resultados e reflexões da pesquisa PICCovid, em 29 de julho, às 10h. O evento poderá ser assistido aqui.

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