Boaventura: neoliberais não cairão suavemente

Repressão brutal aos protestos na Colômbia indica: surgiu um capitalismo abissal. Derrotado por pandemia e crise, sistema tenta afogar impotência em mais selvageria. Ainda assim, perecerá: “quanto mais mata, mais morre”…

Por Boaventura de Sousa Santos* | Tradução (do original castelhano): Antonio Martins, em Outras Palavras

A Colômbia está em chamas. É atualmente um dos países com maior número de mortos pela covid-19, ocupando o quarto lugar na região, depois de Estados Unidos, Brasil e México, tendo até agora apenas 3,5% da população totalmente vacinada e sendo parte dos países que se negam a apoiar a proposta de liberação das patentes de vacinas. É também um país que em 2020 tinha 42,5% de sua população em condição de pobreza monetária e com 15,1% em pobreza monetária extrema. A estes dados, poucos mas expressivos, podemos acrescentar que, após a assinatura do acordo de paz de 2016, foram assassinados entre 700 e 1.100 defensores e defensoras dos direitos humanos (as cifras variam, entra as ONGs e as instituições governamentais). As zonas que antes foram domínio das FARC-EP estão agora em disputa por parte de distintos grupos armados ilegais que, além de almejarem interesses econômicos (narcotráfico e mineração ilegal) também trazem consigo um horrível e sangrento interesse de controle sobre a população civil, que afeta gravemente o tecido social, e é apenas a ponta do iceberg do novo panorama que se desenha no país.

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Indígenas e covid: o etnocídio oculto nos dados

Números da doença entre os povos originários desconsideram aqueles que vivem em cidades, em áreas ainda não demarcadas e/ou autodeclaradas – ou seja, 36% do total. Como essa subnotificação reflete o racismo e ecocídio praticados pelo Estado

Por Casé Angatu Xukuru Tupinambá, em Outras Palavras

A matéria que segue resultou da importante mesa que participei no dia 22 de abril, intitulada: “O SUS e a coleta de dados das populações vulnerabilizadas: a importância do quesito raça/cor”. Uma qualificada roda de conversa que fez parte do ciclo de debates intitulado “Ocupação Preta: Rodas Virtuais sobre Equidade e Saúde”. Atividade organizada pela Comissão Intersetorial de Políticas de Promoção da Equidade do Conselho Nacional de Saúde. Nesse texto são apresentadas as componentes dessa importante mesa.

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Fundamentalismo religioso galvaniza massa de apoio de católicos e evangélicos ao governo Bolsonaro e coloca a democracia em crise. Entrevista especial com Magali Cunha

Pesquisadora caracteriza o fundamentalismo religioso como uma matriz de pensamento sustentada pela defesa intransigente de imposição à sociedade de uma única verdade

Por: Ricardo Machado, em IHU On-Line

Embora nossa tendência seja a de pensar a democracia como uma constante, ao menos na América Latina isso não ocorre de forma contínua, mas sempre por meio de uma tensão por parte dos setores conservadores. “Importa demarcar que ‘democracia’ não é regra na América do Sul, mostra-se sempre como intervalos de predomínios de governos autoritários. Isto decorre da estrutura de sociedade estabelecida na América Latina, assentada em três forças impostas pelo colonialismo: patriarcalismo, latifúndio e escravização, concretizadas na autoridade do homem branco, na grande propriedade e no racismo”, pondera a professora doutora e pesquisadora Magali Cunha, em entrevista por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

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Povos e comunidades tradicionais se encontram e se contrapõe ao modelo sócio-político, econômico e cultural predatório

Nos dias 4 e 5 de maio, de 2021, ocorreu Encontro da Articulação dos Povos e Comunidades Tradicionais, via plataforma de internet.

Por Comunicação das Pastorais do Campo

“Somos aqueles que não morrem, somos ancestralidades, sementes e resistências”, Maria de Fátima Batista Barros, liderança quilombola,  morta em 6 de abril, de 2021, vítima da covid-19.

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Manifesto Público da Articulação dos Povos e Comunidades Tradicionais e Pastorais do Campo denuncia a criminalização de lideranças e movimentos sociais

Lideranças e movimentos sociais enfrentam processos de criminalização e perseguição pelo governo de Jair Bolsonaro.

Por Comunicação das Pastorais do Campo

“Nós não nascemos pra morrer, nós nascemos pra viver e lutar”, partilhou Geneci diretamente do Quilombo Flores em Porto Alegre-RS, durante o Encontro da Articulação dos Povos e Comunidades Tradicionais, que ocorreu entre os dias 4 e 5 de maio de 2021, em plataforma digital. 

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“Pindó Poty é Guarani!”: Retomada Mbya Guarani, em Porto Alegre, obtém decisão favorável na Justiça

A liminar foi deferida pela 9ª Vara Federal de Porto Alegre, nesta quinta-feira, 6; os indígenas decidiram pela retomada e autodemarcação do território devido a demora do Poder Público

por Adi Spezia , em Cimi

O processo de retomada e autodemarcação do povo Mbya Guarani no tekoha – lugar onde se é – Pindó Poty obteve uma importante vitória na 9ª Vara Federal de Porto Alegre (RS). Nesta quinta-feira (6), liminar deferida pela juíza Federal Clarides Rahmeier concedeu reintegração de posse aos Guarani e a desocupação da área invadida por não-indígenas. 

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A CPI da Pandemia: parábolas de Aparecida. Por José Ribamar Bessa Freire

“É preciso lucidez e coragem para aplaudir o teu adversário, quando
ele enfrenta um inimigo comum de vocês dois” (Severino Pão-Duro. 1958)

No Taqui Pra Ti

… Dias depois, entrando Severino Pão-Duro em Cafarnaum, o povo logo soube e veio ao seu encontro, acompanhado de um centurião…

Epa! Desculpem. Foi mal. Errei. Severino não entrou naquele pequeno vilarejo bíblico às margens do mar da Galileia, que sediava uma sinagoga, a casa da sogra de Pedro apóstolo e o último domicílio de Jesus. Ele entrou foi no bairro de Aparecida, em Manaus, onde já ocorreram vários milagres. Daí a confusão. Nas noites calorentas, as famílias colocavam cadeiras nas calçadas e narravam os milagres em forma de parábola. Uma delas permite que nos situemos diante dos membros da CPI da Pandemia, mas antes de relatá-la, torna-se necessário definir os dois personagens principais.

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AJD classifica mortes no Jacarezinho como crime contra a humanidade

Por Rayssa Motta e Fausto Macedo, do Estadão Conteúdo, no UOL

Após uma operação da Polícia Civil deixar ao menos 29 mortos na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio, a Associação Juízes para a Democracia pediu ao ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), que obrigue o governo fluminense a seguir uma série de protocolos nas ações policiais e a prestar informações sobre a incursão da última quinta-feira (6).

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A desconhecida ação judicial com que Luiz Gama libertou 217 escravizados no século 19

Por Leandro Machado, na BBC News Brasil

Em um dia do mês junho de 1869, uma nota no jornal chamou a atenção de Luiz Gama, advogado considerado um herói nacional por seu ativismo abolicionista no século 19. A notícia relatava que a família do comendador português Manoel Joaquim Ferreira Netto, um dos homens mais ricos do Império, estava brigando na Justiça pelo espólio do patriarca, morto repentinamente em Portugal.

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A subjetividade fascista. Por Tarso Genro

No fascismo, comungam a passividade dos oprimidos com a perversão consentida, a má consciência das “classes abonadas”

No A Terra é Redonda

As determinações do fascismo como gênero, na crise do capitalismo, tanto nos seus conteúdos econômicos como sociais, são aquelas que fundam o seu surgimento e os seus contornos, em um determinado espaço territorial e cultural. Quando o fascismo, todavia, se torna um movimento político com perspectivas de poder – para compreendê-lo e combatê-lo – é preciso localizar na subjetividade dominante os seus esconderijos mentais mais reservados e na conduta dos sujeitos políticos as suas manifestações mais soturnas (e violentas) na vida cotidiana.

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