Foro privilegiado para Pazuello acima de tudo

Por Maíra Mathias e Raquel Torres, em Outra Saúde

FORO ACIMA DE TUDO

A posse de Marcelo Queiroga, que aconteceria hoje, foi adiada pela terceira vez pelo Planalto. A perspectiva é que aconteça dez dias depois da sua indicação, na próxima quinta-feira, mas essa data também não é certa. Ontem surgiu um novo motivo para que o Ministério da Saúde fique acéfalo no pior momento da pandemia no Brasil: Jair Bolsonaro busca outro cargo com foro privilegiado para Eduardo Pazuello.

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Vale dialogar com quem ajudou a produzir Bolsonaro?

Banqueiros, empresários, o PSDB: em face do desastre nacional, muitos tentam dissociar-se do presidente. Até que ponto estes movimentos são importantes? Como agir sem ingenuidade diante deles?

por Antonio Martins, em Outras Palavras

Cachorro que late, não morde, poderia ter dito o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), para comentar as novas ameaças de Jair Bolsonaro, proferidas este domingo (22/3), diante de uma horda de apoiadores… Mas o parlamentar preferiu ser mais polido. Informado de que o ex-capitão prometera “fazer qualquer coisa” e insinuara mobilizar “o nosso exército”, Randolfe ponderou: “A ameaça do presidente é proporcional à fraqueza. (…) Ele poderia ao menos começar a governar e se preocupar com o que é importante”…

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Colonialismo interno, outra faceta da Lava Jato

Na Operação que submeteu a Petrobrás aos interesses dos EUA e golpeou a indústria brasileira, um componente crucial: o entreguismo de elites ressentidas, sem projeto nacional, e de juízes e promotores que veem o Estado como ameaça

Por Bruno Beaklini*, publicado originalmente no Monitor do Oriente Médio

Na quarta-feira, 10 de março, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um amplo discurso na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP). A fala do antigo líder sindical teve um marco social-democrata convicto e marcou a virada do Brasil, já com a famigerada Operação Lava Jato em curva descendente. Além da República de Curitiba já ter sido desfeita com o desmembramento da Força Tarefa do MPF, o ministro Luiz Edson Fachin admitiu a incompetência da 13ª Vara Federal para os casos contra Lula e o julgamento da suspeição do ex-juiz de Sergio Fernando Moro, com a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) estando, por enquanto, empatada em dois votos a dois. Caso o ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Fernando Moro seja considerado por uma suposta conspiração com procuradores federais, toda a Lava Jato cai em descrédito. Diga-se de passagem, caso isso aconteça, já vem tarde, muito tarde.

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Boaventura: o Tempo, a pandemia e a desigualdade

Há diferentes maneiras de viver o tempo, durante uma crise civilizatória. Mas há distinções também em como as classes o encaram: em um mundo com futuro nebuloso, uns buscam ultrapassar o tempo – para outros, ele é um carro na contramão…

Por Boaventura de Sousa Santos, em Outras Palavras

As dificuldades em explicar, interpretar ou viver o tempo são diferentes versões da mesma dificuldade em lidar com o enigma do tempo. Esta dificuldade vem de longe. Já Santo Agostinho afirmava, “o que é então o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei. Se alguém me perguntar, eu não sei responder”. O tempo partilha com o corpo esta insondável característica de nada poder ser pensado sem ele e, no entanto, de ser ele próprio relativamente pouco pensado pela reflexão humanística ou científica. O tempo atual impõe-nos o enigma do tempo com uma acuidade que não pode ser ignorada. A pandemia abalou profundamente tanto as rotinas diárias como as expectativas e os planos de futuro e, consequentemente, as percepções do passado. Dizia Aristóteles que a memória era a imaginação mais o tempo. Um tempo turbulento afeta, pois, a imaginação e a memória. Quem é que nos últimos tempos não reavaliou acontecimentos, vivências e convivências passadas, antigas ou recentes? O tema do tempo salta-nos ao caminho quer quando estamos acordados quer quando dormimos e sonhamos. Neste texto, abordo apenas três questões de um tema imenso. Têm todas a ver com a experiência do tempo, o tempo vivido, aquela dimensão que mais interessa ao sociólogo. As relações entre presente, futuro e passado; a direção do tempo irreversível; continuidades e descontinuidades.

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Vírus da COVID-19 pode permanecer ativo por mais de 14 dias em alguns pacientes com sintomas leves

por Karina Toledo, em Agência FAPESP

Estudos conduzidos no Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP) têm mostrado que, em alguns pacientes com sintomas leves, o SARS-CoV-2 pode permanecer ativo no organismo por um período superior aos 14 dias de isolamento recomendados no Brasil.

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Dia Mundial da Água: mais de 35 milhões de pessoas não têm acesso à água potável no Brasil

ClimaInfo

Milhões de brasileiros seguem distantes de qualquer serviço de saneamento básico, o que impõe ainda mais desafios no enfrentamento da pandemia de COVID-19 no país. O Instituto Trata Brasil divulgou ontem (22/3), no Dia Mundial da Água, o novo Ranking de Saneamento, que analisou dados das 100 maiores cidades brasileiras e do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2019. De acordo com o levantamento, quase 35 milhões de pessoas não têm acesso a serviços de água tratada, sendo 5,5 milhões apenas nas maiores cidades do país. Aproximadamente 100 milhões de habitantes não contam com acesso à coleta de esgoto (21,7 milhões nas 100 maiores cidades). O Brasil ainda não trata metade dos esgotos que gera (49%), o que representa jogar na natureza, todos os dias, 5,3 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento.

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Ruralistas tentam avançar na revisão da demarcação de Terras Indígenas na Câmara

ClimaInfo

Com o controle bolsonarista de comissões importantes na Câmara, a bancada ruralista começa a se movimentar para “passar a boiada” no Congresso Nacional. Segundo informou Daniel Biasetti n’O Globo, ao menos três projetos de lei que rediscutem a autonomia dos índios em seus Territórios ganharam força no Legislativo, impulsionados por fazendeiros, mineradores e pelo Palácio do Planalto. O PL que mais avançou foi o que transfere da União para o Congresso a decisão final sobre a demarcação de Terras Indígenas, que pretende também rever áreas já demarcadas e proibir a ampliação das reservas já existentes. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, comandada pela deputada bolsonarista Bia Kicis (DF), deve ler nesta semana o parecer do deputado Arthur Maia (BA), favorável ao projeto. A reportagem destacou também a atuação do deputado Nelson Barbudo (MT), que apresentou dois projetos que propõem alterar o Estatuto do Índio e a “realocação de não-índios ocupantes de terras tradicionalmente ocupadas por índios”, além de garantir indenização e títulos definitivos para os fazendeiros em caso de reversão das demarcações indígenas.

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Silvia Federici: “Espero que esse momento impulsione uma forte mobilização de movimentos feministas”

Em entrevista à Pública, filósofa italiana fala sobre o acúmulo de trabalho para as mulheres durante a pandemia, a caça às bruxas realizada pela igreja e um novo feminismo que vê nascer

Por Andrea DiP, em Agência Pública

A filósofa, escritora e professora italiana Silvia Federici ficou conhecida no Brasil por seus livros “Calibã e a Bruxa”, “O Ponto Zero da Revolução” (Editora Elefante) e “Mulheres e Caça às Bruxas” (Editora Boitempo). Nascida na Itália e radicada nos Estados Unidos desde a década de 1960, Silvia lança agora um novo livro pela Boitempo, “O patriarcado do salário – notas sobre Marx, gênero e feminismo” que traz uma série de artigos sobre como o trabalho não remunerado das mulheres – como o doméstico e o de cuidados com a reprodução – teve e tem um papel importante na consolidação e na sustentação do sistema capitalista. Silvia também reivindica espaço para o que chama de “trabalho reprodutivo” nas pautas da esquerda como mostra esse trecho do livro: “De Lênin a Gramsci, toda a tradição da esquerda concordou com a ‘marginalidade’ do trabalho doméstico para a reprodução do capital e com a marginalidade da dona de casa para a luta revolucionária. Para a esquerda, na condição de donas de casa, as mulheres não sofrem por causa da evolução capitalista, mas pela ausência dela. Nosso problema, ao que parece, é que o capital não organizou nossas cozinhas e nossos quartos, o que gera uma dupla consequência: a de que nós aparentemente trabalhamos em um estágio pré-capitalista e a de que qualquer coisa que fazemos nesses espaços é irrelevante para a transformação social. Pela lógica, se o trabalho doméstico é externo ao capital, nossa luta nunca causará sua derrocada”.

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Pandemia, desmatamento e genocídio no Dia das Florestas de 2021

A saúde das florestas, das quais nós e todas as outras espécies dependemos, está sendo destruída mais rapidamente do que nunca. E a nossa também

Greenpeace Brasil

Há um ano, o mundo todo foi chacoalhado pela pandemia de Covid-19. Ninguém escapou de ter que rever sua vida, suas escolhas, sua rotina. No Brasil, até o momento, mais de 280 mil pessoas já perderam a vida, em uma tragédia que ainda não tem hora para acabar. Entretanto, ainda aprendemos pouco sobre empatia e sobre as mudanças que precisamos fazer, como comunidade globalizada que somos, para nos proteger. 

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